10 fatos malucos sobre a psiquiatria do século 19

POR Ultra Curioso    EM Ciência e Tecnologia      17/05/17 às 18h52

As clínicas psiquiátricas são os locais onde é as pessoas com transtornos mentais são hospedadas e tratadas. O local também é conhecido como hospícios ou manicômios. Esses locais são especializados em tratamentos com esse tipo de doença. Data-se que desde o século 19 até o início do século 20 instrumentos como camisas-de-forças e quartos-fortes ou "prisões-acolchoadas", choques elétricos, operações no cérebro, e outros tipos de torturas eram utilizadas como forma de controlar os pacientes.

A redação da Fatos Desconhecidos separou 10 fatos super inusitados sobre a psiquiatria do século 19. O que se sabe é que nessa época o número de pessoas com distúrbios aumentaram e as clínicas também. Na ocasião, vários estudos foram feitos e algumas pessoas se tornaram referência na luta por melhorias.

1 - Distúrbio nervoso

Atualmente, quando uma pessoa sofre com um distúrbio do sistema nervoso, todos sabem que estão relacionadas a hipertensão arterial, problemas cardíacos, dificuldade respiratória, entre outros. Porém, no século 19, os distúrbio do sistema nervoso referiam-se a colapso nervoso ou exaustão nervosa. Naquela época, não eram incluídos nos sintomas problemas cardíacos ou respiratórios.

Isso mudou após estudos científicos durante essa época, que tratavam esse tipo de problema com spa, mas somente quem tinha condições financeiras poderiam arcar com o tratamento.

2 - Monomania

Monomania é um tipo de paranoia onde o paciente fica obcecado por uma única emoção ou por várias relacionadas a uma só. No século 19 diversos pesquisadores tentavam encontrar as respostas para a causa dessa doença. Naquela época, os médicos entendiam que a doença estava relacionada com a incapacidade da pessoa de compreender racionalmente a realidade.

Mas o pesquisador Jean Etienne Esquirol descobriu que trata-se de um delírio parcial, em que o paciente sofria de uma falsa percepção, que então perseguem com raciocínios lógicos. Após a descoberta, ele acabou desenvolvendo um diagnóstico para a doença e outras relacionadas a paranoia.

3 - Formas de tratamento

Até o século 19 as pessoas olhavam para uma pessoa com condições psiquiátricas e as rotulavam como loucas, insanas e as tratavam de forma desumana. Porém, o médico Philippe Pinel começou a defender formas de tratamentos mais humanos dentro do Hospital Bicetre, em Paris. Ele queria que as pessoas que cuidavam dos doentes mentais tivessem bondade e paciência no lugar do abuso físico. Além disso, ele queria incluir caminhadas, conversas e recreações no dia a dia dos pacientes.

Essa forma de tratamento começou a se espalhar no mundo e chegou em vários países, como, por exemplo, nos Estados Unidos. Na América, o médico Benjamin Rush foi o responsável por aplicar o método na Filadélfia e percebeu que essa técnica poderia ajudar a restaurar as mentes dos pacientes. Mesmo com bons resultados, existiam médicos que utilizavam as técnicas de torturas.

4 - O caso de Daniel M'Naghten

Em 1843, o artesão M'Naghten acreditava que algumas pessoas queriam o matar devido o seu envolvimento com a política. Para evitar tal coisa, ele decidiu matar o o primeiro-ministro escocês, Robert Peel. Porém, ele acabou confundindo e atirou o secretário de Peel, Edward Drummond. Na época, ele foi levado ao tribunal, mas durante o julgamento ele alegou ter monomania e não chegou a ser condenado por ter insanidade.

Não convencida do veredito, a rainha Victoria solicitou que o caso fosse reaberto, e, como resultado, muitas questões foram levantadas sobre o fato. A decisão ficou conhecida como as Regras de M'Naghten e até hoje servem como base para "determinar a insanidade legal em muitas partes da Inglaterra e dos Estados Unidos até o dia de hoje".

5 - O Opala

Os estudos realizados por Pinel fez com que os pacientes que eram tratados em clínicas psiquiátricas tivessem a oportunidade de criar um jornal literário, que na época, se chamava "The Opal" (tradução livre, O Opala).

A primeira publicação do impresso, em 1850, foi dada apenas para as pessoas que moravam na clínicas, já os próximos números foram vendidos em uma feira. Um ano após o lançamento, o jornal já estava sendo publicado em uma revista. Em 1851, O Opala tinha mais de 900 assinantes e estava em circulação com 330 periódicos. Todos os lucros entraram na biblioteca da instituição.

As publicações acabaram se tornando uma forma dos pacientes serem ouvidos. Porém, só durou até 1860.

6 - Aumento no número de clínicas

Durante o século 19 o número de pessoas enviadas para clínicas aumentou de forma drástica. Isso porque as cidades começaram a ficar mais povoadas e cheias de pessoas com doenças mentais. Por exemplo, somente na Inglaterra, o número de pacientes subiu de 10 mil em 1800 para dez vezes mais em 1900, por causa disso, muitas comunidades passaram a construir instituições sociais.

Segundo historiadores, o alto número de pacientes aconteceu por causa da modernização e o estresse. Além disso, outra hipótese seria o poder dado aos médicos. O número altíssimo de clínicas fez com que vários casos de tortura começassem a ser divulgados.

7 - As pesquisas aumentaram

Devido ao alto número de clínicas e novos tipos de tratamentos, começaram a surgir diversos pesquisadores que desejavam estudar a psiquiatria com o objetivo de responder o motivo das pessoas ficarem "loucas". O médico Thomas Willis, de Oxford, foi um dos que pesquisaram a área. Ele foi responsável pelo termo neurologia e tentou identificar as funções mentais que coordenam algumas partes do cérebro. Archibald Pitcairn também foi outro médico que tratava doentes mentais e argumentava que eles sofriam de "ideias falsas introduzidas pelas atividades caóticas do espírito animal".

Porém, atualmente, o que se sabe é que o cérebro não contém espíritos animais, e não são eles os causadores de doença mental, pelo contrário, são desequilíbrios químicos no cérebro.

8 - Frenologia

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O ser humano vê imagens com palavras escritas por toda a cabeça (como na foto), e isso se tornou "comum". Porém, durante o século 19, isso era um estudo popular que se chamava frenologia, um estudo das relações entre o caráter e a forma do crânio. Na época, o médico Franz Joseph Gall revelou que a forma do crânio influenciava o comportamento. Mas ele foi criticado pela sua teoria por ter baseado as afirmações em uma única casualidade e por ter procurado apenas casos que se conformaram à sua hipótese, ignorando aqueles que o contradiziam.

9 -Dorothea Dix

Durante o século 19 muitos estudos foram realizados, o número de clínicas psiquiátricas aumentou, mas nem todos os pacientes tiveram o privilégio de serem bem tratados. Para alguns o período só trouxe miséria e desconforto. Uma mulher chamada Dorothea Dix resolveu relatar o sofrimento que algumas pessoas passavam dentro das instituições.

Ela começou a lutar por melhorias dentro de clínicas e recebeu apoio de várias pessoas, entre elas o reverendo William Ellrey Channing. Em algumas visitas nesses locais ela chegou a encontrar gaiolas dentro das instituições e pacientes acorrentados.

Em 1843 o Estado chegou a aprovar uma Lei que aumentava o financiamento para os clínicas por causa da luta de Dix.

10 - Clínicas psiquiátricas na Índia

Como já comentamos, durante o século 19 o número de doentes mentais aumentou em vários países, inclusive na Índia. Nessa época, a Grã-Bretanha havia colonizado diversos países, entre eles a Índia. O alto número de pacientes fez com que os governantes começassem a aderir os métodos de tratamento ensinados por Pinel e Esquirol.

Porém, o orgulho deles eram tão grandes que separavam pacientes por nacionalidade, alguns eram enviados para instituições públicas ou privadas. Na época, o cirurgião Hutchinson chegou a enviar uma solicitação para melhorar as condições sanitárias nas clinicas psiquiátricas. Ele lutou bastante para melhorar a forma como os pacientes eram tratados.

E aí, ficaram impressionados com tamanha loucura da psiquiatria no século 19? Comentem!

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