
Nós crescemos acostumados com a figura das bruxas. Graças a livros como Harry Potter, o tema se tornou até divertido, tanto que é bastante comum a gente desejar ter uma varinha e sair por aí voando em uma vassoura. Bom, certamente esta não seria sua realidade se vivesse durante o período conhecido como Idade das Trevas até o fim do século XVII. Por que? Bom, já ouviu falar das bruxas de Salem?
No ano de 1692, em Salem, Massachusetts, os últimos julgamentos por bruxaria ocorreram. Cerca de 150 pessoas foram presas e pelo menos 20 delas foram mortas – a maioria mulheres. Os assassinatos foram realizados com requintes de crueldade, queima em fogueiras, afogamentos, enforcamentos e etc. Bom, hoje sabemos que nenhuma delas era, de fato uma bruxa. Todas foram condenadas pelos motivos mais absurdos, que poderiam muito bem condenar você se a prática ainda fosse comum. Quer ver?
Pois é. Nem importa a idade, tamanho, cor ou crença. Só o fato de você ser uma garota, na Idade Média, já indica que você, muito provavelmente, é uma das muitas noivas do diabo. Isto porque o aspecto feminino era frequentemente associado à bruxaria – era comum acreditar que as mulheres eram mais suscetíveis ao pecado que homens.
Entre os grupos mais suscetíveis a ser acusado de bruxaria, durante o século XVII, estavam os pobres, desabrigados e qualquer pessoa obrigada a confiar na comunidade. Em 1692, uma mulher chamada Sarah Good foi enforcada e extremamente destratada pelo simples fato de pedir um pouco de comida por aí. Aparentemente o diabo não sustenta bem suas muitas noivas…
Assim fica difícil, ein? Se for pobre, você é condenada; se for rica, também. Isto porque, naquela época, qualquer indicação de que uma mulher podia se sustentar por conta própria, sem precisar de um marido, já era o suficiente para acusá-la de ter um estoque de poções mágicas ou algo do tipo escondido no armário.
Um grupo de mulheres reunidas durante a Idade Média? Eita, certamente se trata de uma irmandade para adorar o demônio, no mínimo. Manda pra fogueira!
As acusações, durante a Idade Média, podiam ser feitas por qualquer um. Isto mesmo, bastava chegar até lá e gritar que fulano é um bruxo – e a galera realmente fazia isto, sem remorso algum. Ou seja, não era nada bom ter muitos inimigos na época, ou logo você estaria sendo acusado de fazer poções mágicas e ter pacto com o demônio.
Época difícil para viver, não? Idosas também eram extremamente suscetíveis às acusações. Rebecca Nurse, por exemplo, era uma senhorinha simpática de 70 anos que foi acusada de bruxaria por seus vizinhos. Aos 71 anos, ela se tornou a mulher mais velha a ser acusada, condenada e morta por ser uma bruxa.
Dorothy Good tinha apenas quatro aninhos quando, inocentemente, declarou ser uma bruxa em público. A declaração logo atingiu sua mãe, Sarah, que foi enforcada em 1692. Dorothy ficou presa durante nove meses, mas foi inocentada – a experiência, no entanto, a deixou permanentemente insana e traumatizada.
Como as parteiras, no geral, eram idosas autônomas que possuíam status social, influências pagãs e conheciam diversas ervas medicinais, elas eram vistas com muita desconfiança pela comunidade do século XVII. A profissão era constantemente difamada, já que estas mulheres representavam tudo que a igreja temia.
Mulheres que possuíam um ventre fértil demais chamavam a atenção da comunidade. “Sem dúvida, isto é obra de magia negra”, pensavam eles. Se alguém nas redondezas tivesse dificuldades para ter um filho então, esta era uma prova mais que suficiente de que a mulher fértil estava roubando os bebês – ou seja, uma bruxa.
Se casou e não teve filho nenhum? Com certeza o diabo amaldiçoou seu útero com infertilidade. Por isso seus vizinhos estão passando necessidade; sua inveja está fazendo os coitados sofrerem. Tão óbvio, não?
Sabe aquele chilique que você deu no meio da rua? Isto já seria o suficiente para te mandar para a fogueira. Nem pense em fazer escândalo então. No julgamento de Rachel Clinton, no século XVII, alguns de seus perseguidores a acusaram de não apresentar uma postura correta. Isto porque a mulher aparentava ser muito de bem com a vida e espalhafatosa. Claro, só podia ser uma bruxa mesmo.
Sinais de nascença, durante a Idade das Trevas, eram logo considerados marcas do capeta. Como se não bastasse, este também era o local em que o mascote da bruxa – geralmente um gato ou uma cobra – a morderiam para se alimentar de seu sangue maldito (pois é). As acusadas eram depiladas completamente até que a marca fosse encontrada. E, se fosse, era fogueira na certa.
Se você manteve relações sexuais fora do casamento, então você certamente seria considerada uma bruxa – o mesmo vale para sexo antes do casamento. Em 1651, Alice Lake, uma moradora de Dorchester, foi julgada como bruxa apenas por desempenhar o papel de “meretriz” e ter ficado grávida de outro homem. Sua culpa foi tão grande que ela eventualmente acabou confessando estar mancomunada com o demônio.
Fonte: Mental Floss






