As explosões das bombas de Hiroshima e Nagasaki são eventos de guerra que entraram para a história como os primeiros ataques nucleares já registrados. Mais de 70 anos após os ataques, sombras das vítimas ainda estão registradas nas paredes da cidade, em razão do forte brilho provocado pelas bombas.

Mesmo quem não é fanático por estudar e pesquisar guerras, as informações sobre os ataques históricos estão sempre pintando por aí, em documentários populares ou referências em obras pop, principalmente japonesas. Apesar disso, muitas curiosidades ainda seguem misteriosas para a maioria das pessoas.

Vamos explorar aqui alguns dos fatos mais curiosos sobre os ataques que colocaram fim à Segunda Guerra e deram início a era nuclear nos confrontos militares mundiais.

Anúncio da bomba

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Antes de ser vítima do lançamento da bomba sobre a cidade de Hiroshima, a população da cidade recebeu o anúncio de que um ataque com uma nova tecnologia aconteceria na cidade. Panfletos foram jogados no local por aviões do exército norte-americano, responsável pelo ataque.

Torneio de Go

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No dia em que a bomba de Hiroshima foi lançada, um evento de Go - tradicional jogo de tabuleiro japonês - deveria acontecer na cidade. A pedido da polícia, a partida foi transferida para fora da cidade. Com a explosão, o evento sentiu o impacto, sofreu com janelas quebradas e pessoas feridas, mas seguiu normalmente após a confusão inicial. Apenas após o fim do jogo, os participantes tiveram conhecimento da gravidade do ataque. Um dos jogadores, Kaoru Iwamoto, ficou tão abalado que se aposentou e passou a atuar como promotor da paz.

Hibakusha

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Em japonês, hibakusha significa "pessoas afetadas pela explosão". A palavra era utilizada para se referir aos sobreviventes dos ataques de bomba atômica. Além dos dramas que viveram com as explosões, os hibakusha tinham que lidar com o preconceito. A crença da época julgava que a exposição à radiação podia transformar as pessoas em vetores de doenças crônicas. Para os hibakusha, era difícil arrumar empregos e até mesmo maridos e esposas.

Cofre reforçado

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Ao ser jogada em Hiroshima, a bomba atômica destruiu instantaneamente milhares de construções. No entanto, uma estrutura se manteve inabalada: o cofre do banco Teikoku. As portas do cofre foram feitas pela companhia Mosler, de Ohio, e se tornaram famosos por terem aguentado o impacto da explosão. Em 1950, um administrador do banco mandou uma carta e alguns presentes para os fabricantes agradecendo pela qualidade da porta, que manteve dinheiro e documentos intactos.

Salvos pela lua de mel

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Ao invés de Hiroshima e Nagasaki, as bombas atômicas que colocaram fim à guerra poderiam ter sido lançadas em outras cidades. Kyoto era uma das principais opções para o exército norte-americano, mas foi deixada de lado após uma série de motivos listados pelo secretário Henry L. Stimson. Apesar das razões listadas serem oficiais, Stimson tomou a decisão pois tinha uma conexão pessoal com a cidade: lá, ele tinha passado a lua de mel com sua esposa.

Duplo Sobrevivente

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O japonês Tsutomu Yamaguchi tinha 29 anos quando as bombas atômicas foram lançadas em Hiroshima e Nagasaki. Ele é o único japonês reconhecido oficialmente por ter sobrevivido aos dois ataques. Natural de Nagasaki, Tamaguchi estava viajando a negócios em Hiroshima quando a cidade foi atacada. Ele se feriu e passou a noite num abrigo antiaéreo, mas voltou para casa no dia seguinte. Três dias depois, a cidade onde vivia também foi atacada. Como a maioria dos sobreviventes, Yamaguchi morreu de câncer, por consequência de contaminações causadas pela radiação.

1.000 origamis

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Com apenas dois anos de idade na data da explosão da bomba de Hiroshima, Sadako Sasaki viveu numa família que buscava se reerguer após a tragédia. Dez anos mais tarde, foi diagnosticada com leucemia e internada num hospital. Foi aí que a garota entrou em contato com uma lenda que dizia que um desejo seria concedido a quem dobrasse mil 'tsuru' - uma espécia de garça. Com a ajuda de amigos e da família, a garota conseguiu terminar os origami, mas não conseguiu sobreviver à doença.

Mesmo mais de 70 anos após os ataques, os reflexos das explosões em Hiroshima e Nagasaki ainda ecoam na humanidade. Como tradições fortes em locais mais ligados às regiões dos ataques ou como histórias de guerra que geram aprendizado para militares, o fato histórico certamente nunca será esquecido.

Publicado em: 16/05/16 16h49