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Aphantasia: a “imaginação cega”

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Pesquisadores descobriram diferenças entre as pessoas que podem criar imagens visuais em suas mentes e as que não têm essa capacidade. Esse fenômeno é chamado de “Aphantasia” ou, popularmente, de “imaginação cega”. Cerca de 3% da população mundial já foi diagnosticada com a condição, que é rara.

Pessoas com essa condição têm dificuldade em imaginar cenas ou objetos em sua mente. Por mais que tentem, elas não conseguem visualizar nada mentalmente. Muitas dessas pessoas também apresentam incapacidade de recordar músicas ou vozes, cheiros e sensações de toque. A condição oposta se chama hiperfantasia, caracterizada pelo excesso de imagens mentais.

A imaginação cega é uma condição mental caracterizada pela incapacidade de visualizar voluntariamente imagens mentais. Essa condição é dividida em aphantasia adquirida, que pode ocorrer após uma lesão cerebral ou ocasionalmente após períodos de depressão ou psicose, e a aphantasia congênita, que está presente desde o nascimento.

Essa particularidade foi descrita pela primeira vez na literatura médica por Francis Galton, em 1880. Ele propôs uma pesquisa aos colegas e à população em geral que descrevesse a qualidade das imagens em suas mentes. Esses estudos, no entanto, basearam-se em auto-relatos individuais. Ou seja, eles foram dependentes da capacidade de uma pessoa avaliar seus próprios processos mentais.

Desde então, o assunto permaneceu pouco estudado. O interesse pelo fenômeno foi renovado após a publicação de um estudo em 2015, conduzido por uma equipe liderada pelo professor Adam Zeman, da Universidade de Exeter.

A percepção da Aphantasia

Um dos criadores do navegador Mozilla Firefox, Blake Ross, percebeu que sua experiência visual imaginária era bastante diferente da maioria das pessoas. Essa percepção se deu quando ele leu um artigo sobre um homem que havia perdido sua habilidade de imaginar após uma cirurgia.

É comum que pessoas que vivem com esta condição demonstrem surpresa ao perceber que as demais pessoas conseguem de fato visualizar coisas na mente. As imagens visuais estão envolvidas em muitas tarefas cotidianas, como memórias passadas, navegação e reconhecimento facial, entre outras.

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Pessoas como Ross conseguem refletir sobre o “conceito” de uma praia. Ele sabe que existe areia, água e outras características em uma praia. No entanto, ele não consegue visualizar em sua mente praias que visitou, ou criar uma imagem mental de uma praia. Um artigo recente na Scientific Reports observa que as pessoas com essa condição experimentam imagens enquanto sonham, embora não sejam tão vívidas ou frequentes.

Estudos da condição

Um estudo conduzido de forma a entender melhor o funcionamento da imaginação cega foi realizado a partir de desenhos que exigiam memória visual para verificar as diferenças entre os dois grupos. A equipe do estudo, que foi registrado na revista Cortex, mostrou fotos de três quartos para 61 pessoas com aphantasia e para 52 sem a condição.

Os cientistas então pediram aos participantes de ambos os grupos que desenhassem as salas, uma vez usando a memória e uma vez usando a foto como referência. Ao desenhar com a memória mental, aqueles com aphantasia tinham dificuldade de se lembrar dos objetos na imagem.

Eles desenharam menos objetos do que aqueles que não possuíam a condição. Além disso, esse grupo usou mais símbolos e textos em suas interpretações, ao invés de desenhar os detalhes.

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