
Os chimpanzés são os primatas do gênero Pan, da família Hominidae. Há duas espécies do gênero conhecidas: os chimpanzés-comuns e os bonobos. Além do fato de serem nossos ancestrais, essas criaturas compartilham cerca de 99% de nosso DNA e têm comportamento muitas vezes bem parecido com os da nossa espécie. Por exemplo, um questionamento científico se baseou na análise feita de vídeos de chimpanzés falando a palavra “mama”.
A questão levantada foi a respeito da capacidade dos chimpanzés poderem falar como os humanos. O estudo que fez essa análise traz de volta uma discussão de séculos a respeito da capacidade de fala, que é um diferencial, até o momento, tido como o ponto principal de diferenciação dos humanos com relação ao resto dos animais.
No século passado, um dos problemas dos estudos sobre a fala dos chimpanzés foram os métodos usados, que são considerados extremamente antiéticos atualmente. Para se ter uma ideia dos métodos, alguns eram tirar os bebês-macacos dos seus pais e criá-los como crianças para observar se eles iriam aprender da mesma forma que os humanos.
Em um dos vídeos, feito em 1962 na Itália, uma chimpanzé chamada Renata tem uma reação a um estímulo no queixo, quando sua treinadora o coça, e fala a palavra mama. Mais recentemente, um chimpanzé chamado Johnny chamava qualquer pessoa de mama.
De acordo com Axel Ekström, do KTH Royal Institute of Technology, na Suécia, e autor principal do estudo, “há uma ideia circulando na neurociência há alguns anos, de que o córtex do chimpanzé pode estar limitando-os”.
Ainda conforme ele, a ideia é que nos humanos existe uma sobreposição entre a área do cérebro responsável por mover a mandíbula e a região que controla a caixa vocal. É justamente isso que dá a habilidade de conseguir pronunciar palavras.
“Então, a ideia era que essa sobreposição desbloqueia a fala silábica do tipo que vemos em bebês [“ba-ba-ba”], e que transita no desenvolvimento para padrões de fala adultos”, afirmou o pesquisador.
Segundo essa “hipótese de Kuypers-Jürgens”, os chimpanzés não tem essa sobreposição, por conta disso eles não conseguem produzir fala como nós. Contudo, os vídeos onde os chimpanzés estão “falando” trazem um ponto de discussão sobre esse fato.
Conforme a análise feita pelos pesquisadores, os vídeos são a comprovação da habilidade dos chimpanzés de “falar”. Além disso, Ekström disse que “ou a sobreposição cortical não é crucial, ou os chimpanzés também a possuem”.
Mesmo que exista essa capacidade dos chimpanzés “falarem”, a realidade vista em filmes como “Planeta dos Macacos” é bem difícil de se tornar uma realidade. Até porque, por mais que esses animais tenham o tipo certo de cérebro para poderem aprender sons novos, as línguas deles são planas e longas, o que causa uma dificuldade maior para a movimentação entre os sons da fala.
Outro ponto é que, mesmo tendo uma habilidade física, da mesma forma que os papagaios tem, conseguir compreender a linguagem é um ponto totalmente diferente. Embora os chimpanzés Renata e Jhonny falaram “mama” eles não tinham noção do que significava dizer isso para as pessoas, porque isso requer uma questão emocional e de cognição mais complexas. Esses fatores, ainda, são exclusivos dos humanos.
Fonte: Um só planeta
Imagens: YouTube






