Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte, é o único do tipo no Oceano Atlântico; conheça

Uma espécie de ilha em formato de anel, com lago natural, grãos de areia orgânicos, muitas espécies diferentes e que detém o título de segundo maior criadouro de tartarugas verdes do mundo: é o Atol das Rocas, no Rio Grande do Norte. Esse é o único local do gênero no Atlântico.

Contudo, a sua estrutura pode ser mais surpreendente do que as suas características finais.

Grupo de ilhas ligadas ao estado do Rio Grande do Norte, 260 km a nordeste de Natal, o Atol das Rocas é uma das principais áreas naturais do Brasil. Tanto que, em 1979, virou a primeira unidade de conservação marinha do país e designada Reserva Biológica.

Um atol é uma ilha que não possui rochas, mas é uma formação biológica, formada pelo crescimento de recifes de coral ao redor de um monte submarino que pode existir em terra mas, com o tempo, eventualmente afundado e erodido.

Via Wikimedia

Nesta época, os recifes de coral começaram a crescer perto das montanhas. Algas, sedimentos marinhos e conchas de moluscos são colocados uns sobre os outros até chegarem à superfície, formando um “anel” ao redor do atol.

No seu interior encontra-se um lago ligado ao mar, um lago natural, ilhas de areia feita de grãos orgânicos e animais de diversas espécies, como peixes, pássaros, crustáceos, moluscos e muitas outras espécies – fazendo do Atol das Rocas uma área de conservação chave para a biodiversidade marinha no Oceano Atlântico.

Além de ser o segundo maior criadouro de tartarugas verdes do mundo – atrás apenas da Ilha da Trindade, no Espírito Santo – o Atol das Rocas também abriga a maior coleção de aves marinhas do mundo, com cerca de 150 mil espécies.

Turistas não entram no Atol das Rocas

A beleza do Atol das Rocas é incrível, mas não podemos admirar de perto. Isso ocorre porque o turismo lá não existe. O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente), que controla o acesso público das ilhas que compõem o atol, só permite a presença de pesquisadores e estudantes.

Lá são realizados estudos importantes, por ter água muito transparente isso ajuda a encontrar e capturar animais para esse fim, principalmente sobre as tartarugas.

Para manter tudo igual, o Atol das Rocas conta com um zelador firme. Maurizélia de Brito, também conhecida como Zélia de Brito, ou Zelinha, é responsável pelo Atol das Rocas há mais de 30 anos.

Este é um um símbolo da conservação marinha no Brasil e uma referência para pesquisas marinhas, conservação de áreas protegidas e pesca.

Empregada do ICMBio, Zélia se tornou vice-diretora da Reserva Biológica do Atol das Rocas em 1991 e segue no cargo desde 1993, até os dias atuais. Em sua homenagem, os cientistas nomearam três espécies de invertebrados.

“O atol é a casa permanente de muitos animais”, disse Zelinha em entrevista. “Serve de abrigo, alimento e produção para milhares de outras espécies.”

Tudo no local é área de pesquisa. Por isso, até os animais sentem. Não houve intervenção, pois eles tentaram seguir tudo com naturalidade.

O que se come no Atol das Rocas

Via Wikimedia

Por ser uma área isolada e com acessibilidade limitada, pode-se imaginar que comer no Atol das Rocas não seja uma tarefa fácil.

De acordo com o Programa de Pesquisa Ecológica de Longa Duração (PELD), as pessoas que chegam ao Atol das Rocas comem principalmente uma variedade de frutas e vegetais, e devem comer para que a comida não estrague.

Os alimentos entregues na reserva recebem cuidados especiais porque são provenientes do continente por meio de equipamentos do Instituto Chico Medes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Por exemplo, o peixe pode estar no menu, mas deve vir do continente porque é proibida a pesca no atol.

O ICMBio calcula a quantidade necessária levando em consideração restrições alimentares individuais, tempo de viagem e total de trabalho de campo. Os alimentos foram adquiridos em Natal (RN) e levados ao atol pelo catamarã Boranda.

Vale ressaltar que este atol não possui água potável, pouca sombra e apenas uma casa na Ilha do Farol, onde todos os moradores podem morar. Tudo vem do continente e viver lá é um desafio, o que torna o planejamento importante e inegociável.

 

Fonte: Náutica

Imagens: Wikimedia, Wikimedia

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