História

Bandeirantes: heróis ou vilões?

Bandeirantes
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Você provavelmente já passou por uma rua e ao olhar para a sinalização, viu que ela tinha o nome de algum homem conhecido como bandeirante. Mas, qual é a importância daquela figura?

Se você respondeu que os bandeirantes eram aventureiros corajosos que desbravaram pelo Brasil, então esse vídeo é para você. Veja a real história do que eram as bandeiras e seus líderes, os bandeirantes.

Missões de cataquese

Para entender essa história, precisamos fazer uma viagem no tempo. Quando São Paulo foi fundada, lá na metade do século 16, os jesuítas tiveram uma missão: criar as chamadas missões de catequese para reunir indígenas.

Então, o objetivo era convertê-los ao cristianismo e, finalmente, colocá-los à serviço da coroa, que era Portugal. Mas, isso não deu certo por muito tempo, porque para converter e trabalhar, as pessoas precisam estar saudáveis, o que não era o caso dos indígenas.

Isso porque os colonizadores trouxeram consigo doenças totalmente desconhecidas pela população indígena da América Latina, até então. Dessa forma, ninguém tinha os anticorpos ou o preparo medicinal para lidar com as doenças, que logo se tornaram pragas.

Além disso, quem quer escutar um desconhecido falar em uma língua que você não conhece, te desrespeitando e te tratando como um animal selvagem, para então tentar fazer você trabalhar para um rei que você nunca ouviu falar? Obviamente, a resistência foi grande e tiveram muitas rebeliões durante o século.

Novas estratégias

Bandeirantes

Pintura Guerrilhas, de Rugendas

Toda a dificuldade encontrada nas missões fizeram a coroa repensar as estratégias que tinham para conseguir sua mão de obra. Dessa forma, uma delas foram as expedições de guerra para escravizar as pessoas, o que não acontecia só em São Paulo.

Contudo, os colonos de lá se tornaram especialistas, aproveitando as alianças que tinham e os caminhos que acessaram no continente. As chamadas bandeiras usavam estratégias diversas, como a captura de guerreiros durante o combate ou a negociação e a troca com povos aliados.

Expedições de guerra

Mas, a principal estratégia dos paulistas não era a troca, e sim as expedições de guerra, com emboscadas e escravização dos sobreviventes. A lei permitia isso porque a escravização de povos que cometeram violência contra cristãos era aceitável. Nesse caso, legítima defesa não existia.

A guerra justa passou a ser uma justificativa que servia até mesmo para sequestrar os indígenas que estavam sendo catequizados nas missões. Isso ia totalmente contra as próprias leis, que diziam que não poderiam atacar aliados. Ou seja, não era sobre a catequização e sim a aquisição de escravos.

As bandeiras eram adaptações de estratégias de colonização europeias para armar expedições em territórios distantes. Dessa maneira, essas expedições eram comandados por oficiais da milícia, que são grupos de civis sem ligação com o exército. Então, agiam como se tivessem ligação, organizando expedições e controlando os povos supostamente subjugados.

Então, ao contrário das tropas da coroa, que eram lideradas por nobres oficiais portugueses, as milícias eram formadas pelos próprios colonos e lideradas pelos mais poderosos entre eles. Com isso, formaram-se tropas particulares.

Assim, surge a imagem do desbravador que não se submete às vontades de Portugal. Mas, a realidade não era assim. Para se manter como líder, o bandeirante tinha que manter boas relações com a coroa. Se o rei aprovasse suas ações, você também poderia ganhar promoções, como títulos da nobreza.

Bandeiras prospectoras

Na verdade, muitas bandeiras foram ordenadas pela coroa com justificativas como a busca por metais e pedras preciosas, extermínio ou expulsão de povos indígenas que estavam em guerra com os portugueses e a exploração do continente. Geralmente, as bandeiras se misturavam, como aconteceu quando diferentes grupos saíram em busca de uma nascente no final do século 16, supostamente.

Mas, todas foram para a região de Minas Gerais, onde ouviram que tinha uma serra coberta de ouro. Quando chegaram lá, não acharam ouro, mas acharam indígenas, que acabaram sendo capturados, segundo os relatos. Então, uma bandeira de prospecção muitas vezes tinha como fim a captura e a escravização.

A busca por ouro era só uma justificativa legal. Em 1602, uma dessas bandeiras voltou com 2 mil indígenas temiminós escravizados! Na mesma época, começaram a atacar as missões que os jesuítas fizeram para catequizar os povos. 

Infelizmente, não existe uma estimativa confiável do número de indígenas escravizados, mas podemos afirmar que é um número muito alto, ultrapassando as centenas de milhares. Para ter uma estimativa melhor, só na região de Guaíra, estima-se que foram escravizados entre 33 mil e 55 mil guaranis pelas bandeiras paulistas.

Assim, nos anos seguintes, começaram a explorar outras colônias, como o Paraguai, sendo a maior expedição liderada por Raposo Tavares em 1628, quando reuniram mais de 2 mil pessoas organizadas em quatro campanhas.

A realidade das bandeiras

Caça aos indigenas pelos bandeirantes, Rodolfo Amoedo

Caça aos indigenas pelos bandeirantes, Rodolfo Amoedo

Para os indígenas, as bandeiras eram catástrofes. Primeiro, os jesuítas juntaram e os obrigaram a se converterem, depois chegaram as bandeiras que mataram e escravizaram. Os homens muitas vezes eram obrigados a se tornarem guerreiros à serviço das bandeiras.

Enquanto isso, as mulheres eram exploradas para atividades agrícolas, domésticas e, obviamente, sexuais. Quando se trata da história do Brasil, muitos fatos foram contados pelos olhos dos portugueses e seus descendentes, mas será mesmo que é tudo verídico? Conte o que você acha!

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