
Quando se pensa em marcas de luxo, logo vem à mente algum grande nome europeu. Isso não é a toa visto que muitas marcas desse mercado se originaram no continente. Contudo, a permanência delas, por lá, pode não ser uma certeza. Tanto que, recentemente, Bernard Arnault, presidente do conglomerado de luxo LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton), ameaçou deixar a França e ir para os EUA por achar que os impostos, cobrados pelo governo, de uma grande empresa são bem elevados se comparados com os norte-americanos.
A LVMH é mais conhecida pelas bolsas Louis Vuitton, pela Dior, champanhe Moët & Chandon e pelas joias Tiffany.
“(A cobrança do) imposto sobre o (produto) ‘made in France’ (…) leva à desterritorialização. Acabo de voltar dos Estados Unidos e pude ver o vento do otimismo que sopra nesse país. Na França, é a ducha fria”, disse Arnault.
A fala do magnata aconteceu na terça-feira, dessa semana, e criticou o aumento que o governo propôs sobre empresas, com faturamento bilionário, no projeto de orçamento desse ano. A resposta do governo da França foi dada na quarta-feira pedindo à Arnault que ele participasse do saneamento das contas públicas.

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“Entendo a raiva deles. Entendo que, na situação orçamentária em que nos encontramos, todos participam do esforço”, disse Sophie Primas, porta-voz do governo, fazendo referência ao aumento temporário do imposto corporativo no país.
Contudo, o magnata fez questão de frisar que nos EUA “os impostos vão cair 15%” e que o estabelecimento de empresas é subsidiado em vários estados. E o presidente [Trump] incentiva isso”. Por conta disso que ele pensa em transferir a LVMH da França para EUA.
O que está acontecendo na França é que para diminuir os altos níveis de dívida e déficit público, o governo do país está planejando, não somente uma diminuição especial nos gastos públicos, mas também a arrecadação de, aproximadamente, oito bilhões de euros, equivalente a 50 bilhões de reais, aumentando os impostos corporativos somente nesse ano.
No caso da LVMH, que tem um faturamento de mais de três bilhões de euros, ou 18,4 bilhões de reais, isso significaria um aumento de cerca de 40% no imposto corporativo.
“As autoridades americanas nos pediram com veemência que continuamos a criar (fábricas) e, na situação atual, é algo que estamos considerando seriamente”, pontuou Arnault.
Fonte: Folha de São Paulo
Imagens: Mundiario






