
Por muito tempo os brasileiros adiantaram o relógio em uma hora quando o conhecido horário de verão chegava. Amado por muitos e odiado por outros tantos, ele acabou em 2019, contudo, discussões estão acontecendo para talvez trazê-lo de volta. Em meio a elas, 26 cientistas da área de cronobiologia, que é a ciência responsável por estudar os ritmos e os fenômenos biológicos, assinaram um manifesto contra a volta do horário de verão.
A mudança no horário dos relógios foi justificada historicamente como uma maneira de economizar energia, já que com o horário de verão as atividades do cotidiano iriam ficar alinhadas com as horas de luz natural. Contudo, de acordo com os especialistas, os malefícios para a saúde podem ser maiores do que os benefícios econômicos.
De acordo com os estudiosos da cronobiologia, os ritmos biológicos estão relacionados de forma profunda com o ciclo natural de luz e escuridão. Com isso, regulam de maneira automática as funções essenciais como sono, apetite e até mesmo o humor.

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Por conta disso que com o horário de verão essa sincronia ficaria confusa e forçaria o organismo a se reajustar a um novo horário social. No caso de várias pessoas, fazer essa mudança pode ser uma coisa desafiadora e ter como resultado problemas de saúde.
“Esse processo de adaptação nem sempre é fácil. Enquanto algumas pessoas conseguem se ajustar, outras permanecem fora de sintonia, o que pode gerar sérios problemas de saúde”, disse um trecho do documento assinado por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP).
Além disso, os cientistas também citaram outros malefícios da volta do horário de verão. Como, por exemplo, distúrbios do sono, aumento de eventos cardiovasculares adversos, transtornos mentais e cognitivos, e aumento de acidentes no trânsito nos primeiros dias com o horário trocado.
Ainda no manifesto, os especialistas citam um estudo feito em 2017 pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que mostrou a maneira como as pessoas lidam com a mudança de horário.
Esse estudo fez a análise das respostas de questionários online de mais de 1.200 pessoas a respeito dos horários de dormir e acordar, e sobre a chegada do horário de verão. Como resultado, o estudo viu que mais de 50% das pessoas disseram ter algum tipo de desconforto até o horário de verão acabar.
No final, os especialistas citam que tudo dito por eles no manifesto se baseia somente em evidências científicas, independentemente de inclinações políticas. Então, para manter a saúde e o bem-estar, o mais recomendável seria não ter a volta do horário de verão.
“Isso evitaria os efeitos negativos promovidos pela mudança de horário e promoveria um maior alinhamento entre os nossos ritmos biológicos e os horários social e ambiental, contribuindo para uma sociedade mais saudável”, defenderam eles.
Fonte: O tempo
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