
A Agência Espacial Europeia (ESA) está desenvolvendo o telescópio Plato com o objetivo de encontrar outras Terras pelo Universo. Ele leva o nome original da missão e essa iniciativa contará com um supertelescópio equipado com 26 câmeras, capazes de captar dados tanto de planetas quanto de estrelas.
Mais do que apenas encontrar um planeta semelhante à Terra, a missão buscará um sistema que seja equivalente ao sistema Terra-Sol.
Como explica David Brown, da Universidade de Warwick (Reino Unido), um planeta do tamanho da Terra em uma zona habitável de uma estrela como o Sol é o objetivo final.
Dessa forma, a missão será realizada em duas etapas: primeiro, buscar os planetas e as estrelas, para depois encontrar uma combinação que se assemelhe ao nosso planeta no Sistema Solar.
Como tarefa secundária, os cientistas também realizarão um censo de outros planetas terrestres e dos sistemas estelares como um todo. O especialista diz que estão tentando compreender a fundo os sistemas planetários como entidades inteiras e não como planetas individuais.

Via Wikimedia
Em 2021, o telescópio James Webb foi lançado, proporcionando um avanço significativo na astronomia ao fornecer imagens em alta definição do espaço.
O telescópio Plato, por outro lado, promete trazer ainda mais inovações aos estudos espaciais. O supertelescópio é composto por 26 câmeras, duas delas rápidas, enquanto as outras estão dispostas em grupos de seis com um leve desvio, o que garante uma grande profundidade de visão ao equipamento.
No entanto, um dos grandes desafios com exoplanetas em trânsito é distinguir quais descobertas são reais e quais não são. Dessa forma, usar múltiplos telescópios ajuda a eliminar algumas impressões falsas que a equipe poderia ter.
O lançamento do telescópio Plato está previsto para dezembro de 2026, segundo a ESA.
Existem muitas divulgações sobre as expectativas para dispositivos como o telescópio Plato, mas como eles realmente funcionam? É possível enxergar tão longe que se encontre planetas como a Terra?
Esses instrumentos permitem a observação de objetos distantes, ampliando a luz capturada e revelando detalhes que não são visíveis a olho nu. Existem diferentes tipos de telescópios, mas os dois principais são os telescópios ópticos e os telescópios de rádio.
Os telescópios ópticos foram os primeiros a serem inventados e usam lentes (refratores) ou espelhos (refletores) para coletar e focar a luz de objetos distantes. Por exemplo, o Telescópio Espacial Hubble, que utilizava espelhos para coletar a luz e refletir essa luz para um ponto focal onde a imagem é capturada e analisada.
Quanto maior a lente ou o espelho, mais luz o telescópio pode coletar. Isso permite que o telescópio veja objetos mais distantes e fracos.
A luz que chega se amplia para que detalhes menores possam ser vistos. A resolução do telescópio determina quão detalhada a imagem será.
Assim, para detectar planetas distantes, os telescópios ópticos utilizam várias técnicas, como observar a diminuição da luminosidade, medir a variação de velocidade de uma estrela ou tentar bloquear a luz para visualizar o planeta a frente.

Via Nasa
Enquanto isso, telescópios de rádio usam grandes antenas parabólicas para coletar ondas de rádio emitidas por objetos no espaço.
As ondas de rádio são amplificadas e convertidas em sinais elétricos, que são processados para criar imagens e dados que podem ser analisados.
Embora menos comum, telescópios de rádio também podem ser usados para estudar a formação de estrelas e planetas ao observar a emissão de rádio de discos protoplanetários.
Além disso, ele une todas as tecnologias possíveis para enxergar planetas distantes, como o caso do James Webb e o telescópio Plato, agora.
Ambos são equipamentos modernos e possuem sensores extremamente sensíveis, tecnologia de ponta para captar luz infravermelha, permitindo a observação de planetas que estão muito além do alcance dos telescópios ópticos tradicionais.
E com algumas correções das distorções que o espaço cria, é possível ter imagens de maior qualidade, identificando planetas, estrelas e outros tipos de corpos celestes.
Ainda, combinará os sinais de múltiplos telescópios para simular um telescópio muito maior, aumentando a resolução. Ou seja, todos os lançamentos e equipamentos do passado contribuirão com esse novo equipamento.
Dessa forma, será mais simples evitar as distorções naturais e chegar ainda mais longe no espaço, encontrando novos planetas, atmosferas e mistérios.
Fonte: Correio Braziliense






