James Webb descobre atmosfera de vapor d’água em exoplaneta

Avatar for Mayara MarquesMayara MarquesInovaçãooutubro 18, 2024

Usando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, cientistas fizeram uma descoberta intrigante a cerca de 100 anos-luz da Terra: um planeta único, diferente de qualquer outro já observado, com uma atmosfera de vapor d’água. Batizado de GJ 9827 d, esse exoplaneta tem o dobro do tamanho da Terra.

De acordo com o estudo que revelou sua existência, o planeta possui uma atmosfera quase totalmente composta por vapor d’água.

Essa descoberta, detalhada em um artigo publicado este mês na revista científica The Astronomical Journal Letters, representa a primeira observação confirmada de um “mundo a vapor” — um tipo de planeta até então apenas teorizado, mas nunca antes identificado diretamente.

Eshan Raul, pós-graduando em astronomia na Universidade de Michigan, EUA, e coautor do estudo, ressaltou em um comunicado que GJ 9827 d não seria adequado para sustentar a vida como a conhecemos.

Via Olhar Digital

Ele explicou que a composição do planeta, dominada com uma atmosfera de vapor de água quente, cria um ambiente inóspito. Assim, para deixar claro, este planeta não é habitável, pelo menos para os tipos de vida com os quais estamos familiarizados na Terra, afirmou.

Embora esse exoplaneta não ofereça condições favoráveis à vida terrestre, sua atmosfera única proporciona novas oportunidades de estudo sobre a diversidade de planetas fora do Sistema Solar e o potencial de alguns deles sustentarem formas de vida.

Atmosfera de vapor d’água

A pesquisa foi conduzida por Caroline Piaulet-Ghorayeb, astrônoma do Instituto Trottier de Pesquisa em Exoplanetas da Universidade de Montreal, no Canadá.

Sua equipe utilizou a técnica de espectroscopia de transmissão para analisar a composição atmosférica do planeta GJ 9827 d.

Essa técnica envolve medir a quantidade de luz da estrela que é absorvida pela atmosfera do planeta durante seu trânsito diante da estrela. Assim, ao observar diferentes comprimentos de onda da luz, os cientistas podem identificar os componentes presentes na atmosfera.

De acordo com Piaulet-Ghorayeb, a maioria dos exoplanetas estudados até agora possui atmosferas compostas predominantemente por elementos leves, como hidrogênio e hélio, semelhantes aos gigantes gasosos do Sistema Solar, como Júpiter e Saturno.

O que torna GJ 9827 d excepcional é que sua atmosfera é rica em moléculas mais pesadas. Isso é algo mais característico dos planetas rochosos do Sistema Solar, como a Terra.

Conforme explicam especialistas, é a primeira vez que detectamos uma atmosfera rica em moléculas pesadas em um exoplaneta. Piaulet-Ghorayeb acrescenta que planetas com essas características podem ser futuros alvos na busca por vida em outros sistemas solares.

James Webb traz novas perspectivas

O Telescópio Espacial James Webb foi essencial para o desdobramento da missão. Ryan MacDonald, astrofísico da Universidade de Michigan e bolsista da NASA, participou do estudo e falou mais sobre o assunto.

Via Nasa

Ele explica que, mesmo com as primeiras observações do JWST em 2022, já esperavam revelar novos detalhes sobre as atmosferas de gigantes gasosos. Ele destacou que, embora seja mais simples analisar atmosferas compostas por gases leves, como o hidrogênio, investigar atmosferas com moléculas mais pesadas, como vapor d’água, é um desafio técnico maior.

A descoberta de GJ 9827 d não foi por acaso. O planeta teve sua primeira identificação pelo telescópio Kepler em 2017. Posteriormente, o telescópio Hubble detectou sinais de vapor d’água em sua atmosfera, mas foi o JWST que forneceu a confirmação definitiva.

O espectrógrafo de imagem de infravermelho próximo do observatório espacial possibilitou a captura do espectro de luz que atravessava a atmosfera do planeta enquanto ele passava em frente à sua estrela.

 

Fonte: Olhar Digital

Imagens: Olhar Digital, Nasa

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