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Descoberta surpreendente mostra que humanos estiveram nas Américas 20 mil anos antes do que o pensado

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Arqueologia e ciência sempre andam juntas para descobrir nossas reais origens, como o mundo era antigamente, como era sua vegetação, como, porque e quando as espécies tiveram seu fim, entre outras coisas. E parece que sempre que se julga saber “com certeza” alguma coisa, uma nova descoberta surge e muda tudo.

É sabido que o ser humano foi migrando para outras regiões do mundo com o passar do tempo. Mas talvez o momento em que isso aconteceu pode não ser realmente o que se imaginava.

Um dos lugares do mundo que funciona como uma cápsula do tempo como nenhum outro é a caverna Coxcatlan, no vale de Tehuacan, no México. Isso porque o chão da caverna é um livro de história, mostrando detalhadamente milhares de anos de alimentos e tecnologia dos habitantes antigos do planeta.

Estudo

E finalmente arqueólogos dos Estados Unidos e do México escavaram o primeiro capítulo desse livro de história. Eles usaram técnicas de datação avançadas para conseguir determinar a idade dos ossos de animais que estavam enterrados entre as camadas mais antigas da caverna.

Com isso, tiveram resultados surpreendentes. Eles sugeriram que os humanos já estavam presentes na região há 33 mil anos. Isso são milhares de anos antes das camadas de gelo atingirem seu pico, há cerca de 20 mil anos, que é o tempo que as evidências atuais sugerem que os humanos estavam nas Américas.

Para que os pesquisadores repensem suas teorias ainda será preciso algumas medições de radiocarbono. Contudo, os resultados desse estudo recente, que foi liderado pelo arqueólogo Andrew Somerville da Universidade Estadual de Iowa, devem colocar um fogo no debate sobre a linha do tempo da migração humana para o centro das Américas.

“Ficamos surpresos ao encontrar essas tâmaras realmente antigas no fundo da caverna, e isso significa que precisamos dar uma olhada mais de perto nos artefatos recuperados desses níveis”, disse Somerville.

Descoberta

Com a descoberta fica claro o motivo do Vale Tehuacan-Cuicatlan, no sul do México, ser um Patrimônio Mundial da UNESCO. Além de hospedar uma grande biodiversidade, seu clima seco preservou registros da presença humana durante milhares de anos. Isso fez com que a localização fosse bem valiosa para os pesquisadores interessados na disseminação dos humanos pelo Novo Mundo.

E nesse tesouro arqueológico a caverna Coxcatlan é uma  verdadeira joia por conta das suas camadas profundas de sedimentos e condições secas que dão aos pesquisadores uma cronologia de atividade datada de, pelo menos, 11 mil anos.

Foi a partir de meados da década de 1990 que os estudiosos e acadêmicos começaram a ter dúvidas sobre como esse “livro” da caverna deveria ser lido. Eles começaram a ter preocupações com a datação de algumas espécies botânicas e dizendo que as páginas poderiam estar fora de ordem.

Isso poderia não ser apenas em uma ou duas camadas, mas sim em cerca de três quartos dos materiais vegetais que foram escavados da caverna. Por mais que novas pesquisas tenham vindo desde então defendendo a linha do tempo da caverna, a sua confiabilidade ficou um pouco abalada.

As camadas mais baixas do local ainda não foram totalmente analisadas. E Somerville e sua equipe perceberam que era preciso fazer um trabalho para esclarecer a cronologia da caverna.

“Não estávamos tentando pensar neste debate ou mesmo encontrar amostras realmente antigas. Estávamos apenas tentando situar nosso estudo agrícola com um cronograma mais firme”, disse Somerville.

Humanos

Eles fizeram a datação por radiocarbono por espectrometria de massa em 14  ossos de animais como lebres, coelhos e veados, que tinham sido escavados da caverna. Com isso, criaram um catálogo de datas descrevendo quando os animais viveram.

Vários dos ossos de coelho e o fêmur de uma lebre foram datados de aproximadamente 33 mil anos. Essa época não somente precedeu todos os recordes que se tem atualmente, mas também seria isolada do resto do mundo por conta da mudança climática.

“Empurrar a chegada dos humanos à América do Norte para mais de 30.000 anos atrás significaria que os humanos já estavam na América do Norte antes do período do Último Máximo Glacial, quando a Idade do Gelo estava em seu pior estado. Grandes partes da América do Norte teriam sido inóspitas para as populações humanas. As geleiras teriam bloqueado completamente qualquer passagem por terra vinda do Alasca e do Canadá, o que significa que as pessoas provavelmente teriam que vir para as Américas em barcos pela costa do Pacífico”, concluiu Somerville.

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