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E se os humanos não tivessem apêndice?

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Todos os órgãos, que estão presentes em nosso corpo, exercem uma função específica. E todos são extremamente importantes. Isso é fato. Mas e se um desses órgãos, em meio a um processo evolutivo, tivesse deixado de existir? Teríamos sido prejudicados? Nossos hábitos seriam os mesmos? Nossa saúde estaria em perigo? Pensando em todo esse cenário, uma equipe de pesquisadores decidiu buscar respostas para tais perguntas. No entanto, para tal, foi necessário escolher um órgão em específico: o apêndice.

Para entender a linha de raciocínio dos pesquisadores, é preciso, antes de tudo, ter em conta tais informações, como, por exemplo, a importância e a funcionalidade do órgão. Portanto, atenção ao seguir o fluxo.

O apêndice, Darwin e os atuais cientistas

Para quem não sabe, o apêndice – conhecido na medicina também como apêndice cecal, apêndice vermiforme e apêndice vermicular – é uma bolsa cujo formato remete a ideia de um tubo. Esse órgão anexo, que está localizado na região inferior direita da barriga, exerce, obviamente, uma função, mas que até então era pouco discutida, afinal, nas aulas de ciência, quando cursamos o ginásio, poucos os colocam em uma posição de relevância. E, ao longo da vida, só escutamos sobre sua existência quando discorrem sobre a apendicite, uma inflamação no local que acarreta sérios problemas à saúde.

O famoso Charles Darwin – naturalista, geólogo e biólogo inglês – foi um dos primeiros cientistas a estudar o órgão. Em um determinado momento de suas singelas pesquisas, Darwin sugeriu que o apêndice auxiliava no processo de digestão dos alimentos. Após estudar o processo evolutivo do ser humano, Darwin começou a especular novamente a função que o órgão anexo exercia, até que, em um determinado momento, acabou acreditando que o apêndice não era tão funcional como se imaginava.

Por ter se tornado recentemente foco de novos estudos, novas informações sobre o órgão vieram à tona, o que, curiosamente, não só confirmou a premissa inicial de Darwin como a fortaleceu. “Se Darwin soubesse o que os cientistas sabem agora sobre o apêndice, ele nunca teria sugerido que o órgão era apenas um vestígio inútil de evolução. Ele teria abraçado sua ideia original”, disse William Parker, pesquisador da Escola de Medicina da Universidade Duke em Durham, Carolina do Norte, Estados Unidos.

Função

Em 2007, Parker e outros pesquisadores, descobriram que o apêndice abriga bactérias que auxiliam a digerir os alimentos – o que acabou confirmando a teoria inicial de Darwin. Essas mesmas bactérias, segundo os pesquisadores, também podem ajudar a restaurar o estado saudável do intestino. Não obstante, os cientistas descobriram também que o órgão anexo possui uma alta concentração de tecido linfóide. Este tecido gera glóbulos brancos – conhecidos como linfócitos -, que fortalecem o sistema imunológico. “O apêndice, em poucas palavras, treina essas células imunológicas”, pontua a bióloga evolucionista Heather F. Smith, da Midwestern University, em Glendale, Arizona.

Conforme expõe os pesquisadores, o apêndice faz parte da estrutura fisiológica dos mamíferos há pelo menos 80 milhões de anos – algo que Darwin também já tinha ideia. Durante todo esse período, o órgão já evoluiu de forma independente ao menos 32 vezes. “Quando examinamos as espécies que têm apêndice, não encontramos nada em comum em relação à dieta, por exemplo. O que descobrimos foi que todas as espécies que tinham apêndice apresentavam uma certa concentração de tecido imunológico, o que, dado este tema comum, presume uma função comum”, disse Smith.

Frente a frente com a revelação, eis que surge, então, a pergunta: e se o apêndice tivesse desaparecido repentinamente?

Respostas

“Se o apêndice tivesse desaparecido há milhões de anos, um grande número de vidas teria sucumbido. Teríamos perdido milhões de pessoas para uma gama de doenças infecciosas”, disse Parker.

“Se o apêndice tivesse desaparecido no momento em que a sociedade começou a desenvolver técnicas de agricultura, por exemplo, muitos não teriam suportado viver em meio às condições de saneamento precário, afinal, sem um sistema imunológico, as doenças teriam se espalhado rapidamente”, explica Parker.

“Agora, se o apêndice não integrasse nossa fisiologia após a Revolução Industrial, período em que a sociedade moderna se instaurou, as pessoas poderiam sobreviver, mas somente por conta do acesso a antibióticos”, revela Parker. “No entanto, sem um apêndice, as pessoas não teriam o reservatório de bactérias úteis para ajudá-las a se recuperar de certas infecções e, portanto, seria necessário investir em transplantes fecais”.

Em suma, esses procedimentos, que são cada vez mais comuns, são necessários para auxiliar pacientes com problemas intestinais. A ideia é que o transplante ajude os pacientes a desenvolverem bactérias saudáveis ​​quando antibióticos não são mais eficazes em certos tratamentos.

Vantagem

Uma vantagem potencial de um mundo com seres humanos sem apêndices é o fim da apendicite. “Há mais de 10 milhões de casos de apendicite anualmente. Em meio a isso, cerca de 50.000 pessoas morrem por conta do problema”, revela Smith. “Apendicectomias, ou remoção cirúrgica do apêndice, são uma das cirurgias abdominais mais realizadas. Se não tivéssemos o apêndice, não teríamos pessoas morrendo de apendicite”.

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