
A Espanha acionou as forças armadas para conter um surto de peste suína africana, identificado nos arredores de Barcelona e considerado o primeiro registro da doença na região em três décadas. As autoridades sustentam que a contaminação pode ter se iniciado a partir de alimentos trazidos do exterior e descartados de forma irregular, consumidos posteriormente por javalis selvagens.
A área afetada, localizada em Bellaterra, região que recebe grande fluxo de visitantes de diferentes partes da Europa, tornou-se o centro da investigação. De acordo com o ministro regional da Agricultura, Oscar Ordeig, é possível que produtos de origem suína tenham sido descartados no lixo por turistas e posteriormente ingeridos por um javali. O jornal espanhol El País relatou que a hipótese mais discutida aponta para uma porção de linguiça contaminada abandonada em uma vala. Esse tipo de transmissão é compatível com o comportamento dos animais, que frequentemente buscam restos de comida em áreas próximas a rodovias e zonas de vegetação.
A região afetada fica ao lado da rodovia AP-7, principal via que liga Espanha e França. A ausência de outros casos em territórios próximos reforça a ideia de que o surto se originou em um único ponto de introdução, provavelmente relacionado ao transporte humano de alimentos.
Nove infecções foram confirmadas até terça-feira, número que representa um aumento significativo em relação aos dois casos da semana anterior. Em resposta à escalada, drones e cães farejadores percorrem diariamente as áreas florestais para localizar carcaças de javalis, que são fundamentais para determinar a extensão do surto.
A expectativa das autoridades é de que novos casos surjam nas próximas semanas. Além da busca ativa por animais mortos, equipes analisam possíveis infecções adicionais e monitoram movimentações de javalis para mapear rotas de disseminação.
A peste suína africana não oferece risco a seres humanos, mas é altamente contagiosa e fatal para porcos e javalis. A transmissão ocorre por meio do contato direto com animais infectados, ingestão de alimentos contaminados ou exposição a objetos contaminados. A doença afeta o sistema imunológico dos suínos, provoca hemorragias internas e não possui tratamento ou vacina amplamente disponível. Devido à facilidade de transmissão, surtos exigem respostas rápidas para impedir que cheguem a rebanhos comerciais, onde os prejuízos podem ser massivos.
Os efeitos econômicos começaram a aparecer poucas horas após a confirmação dos primeiros casos. A Espanha suspendeu parte de suas exportações de carne suína como medida preventiva. O Reino Unido bloqueou temporariamente a entrada de carne de origem espanhola, enquanto a China interrompeu as importações de carne oriunda da província de Barcelona. O setor agropecuário espanhol enfrenta agora o desafio de evitar que o surto se expanda para fazendas comerciais. A associação Interporc informou que protocolos de biossegurança, já considerados rigorosos, foram reforçados. Isso inclui restrições de acesso às propriedades, desinfecção de veículos e controle rigoroso de movimentação de animais.
No fim de semana, cerca de 300 agentes catalães iniciaram as primeiras buscas em campo. Na segunda-feira, o governo espanhol ampliou a resposta oficial com o envio de 117 militares da Unidade Militar de Emergência, que passaram a atuar em varreduras, contenção e apoio logístico.
A presença das forças armadas é considerada estratégica para acelerar a identificação de focos, controlar áreas de risco e implementar barreiras sanitárias. A operação também faz parte de um plano nacional de contenção de doenças de alto impacto econômico.
Com o surto ainda em evolução, as autoridades espanholas trabalham com a possibilidade de detecções adicionais. A proximidade com rotas de transporte internacional eleva o nível de alerta e exige monitoramento contínuo. A expectativa é que os próximos dias sejam decisivos para determinar se o foco será isolado rapidamente ou se novas áreas serão atingidas.






