
Cientistas descobriram que um passarinho pré-histórico tinha uma quantidade surpreendente de dentes. Ele viveu na mesma época dos dinossauros, mas curiosamente não era carnívoro, como se pensava.
Agora, a descoberta indica que ele se alimentava de sementes. Desde a descoberta do primeiro fóssil do Longipteryx chaoyangensis na China em 2020, o formato alongado e dentado do bico levou os pesquisadores a acreditar que o animal consumia peixes.
Com 120 milhões de anos, essa espécie de pássaro habitou o nordeste da China durante o período Cretáceo (de 145 a 66 milhões de anos atrás).
Com aproximadamente 30 cm de comprimento, semelhante ao quero-quero (Vanellus chilensis) moderno, um estudo recente publicado na revista Current Biology analisou o conteúdo do estômago de um espécime.

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Inicialmente, os pesquisadores acreditavam que a dieta do Longipteryx era carnívora devido às semelhanças entre seu crânio e bico e as características encontradas em martins-pescadores (Alcedinidae) atuais, que se alimentam de pequenos peixes.
No entanto, ao estudar outras aves fossilizadas, descobriu-se que aquelas com restos de peixes no estômago não apresentavam semelhanças significativas com o Longipteryx.
Foi então que a cientista Jingmai O’Connor identificou um espécime no Museu de Campo de História Natural de Chicago com o estômago cheio.
Ao analisar o conteúdo do estômago do pássaro extinto, encontraram sementes cobertas de polpa. Na época, ainda não existiam frutas nas plantas com flores, que estavam em processo de evolução.
O alimento provavelmente vinha de ancestrais das gimnospermas, atualmente representadas por coníferas e ginkgos. Apesar dessa descoberta, os cientistas ainda têm dúvidas sobre o peculiar formato do bico do Longipteryx.
Os grandes dentes na parte frontal da boca e a espessura do esmalte lembram características de um hiper-carnívoro, como o alossauro. Mas se o passarinho pré-histórico não consumia carne, qual seria a função desses dentes?
Uma teoria sugere que o bico dentado poderia ter sido usado em disputas entre indivíduos, semelhante ao modo como beija-flores modernos utilizam seus bicos compridos para competir por alimentos.
Se no passado o pássaro usava os dentes como armas, ainda resta investigar por que os pássaros perderam esses dentes ao longo da evolução.
Ao contrário do bico do passarinho pré-histórico, com dentes, existem algumas variações que lembram a atividade anterior, como no caso dos beija-flores.
Eles possuem um bico adaptado para sua dieta e comportamento. Trata-se de um bico longo, fino e geralmente pontiagudo. Essa forma é ideal para alcançar o néctar das flores, que é o principal alimento desses pássaros.
O comprimento do bico pode variar entre as espécies, dependendo das flores que frequentam.
Os beija-flores usam o bico para se alimentar de maneira rápida e proteíca, visto que o néctar é uma fonte rica em energia. Eles têm uma língua especializada que se projeta para fora do bico e pode se estender dentro das flores para absorver o néctar. A língua é composta por duas partes que se abrem em uma forma de tubo quando o beija-flor suga o néctar.
Além disso, esses bicos também são usados em disputas territoriais. Os beija-flores são famosos por defenderem agressivamente seus territórios de alimentação contra outros pássaros. O bico pode ser usado para empurrar ou até mesmo ferir rivais durante essas disputas.
E claro, seguindo a evolução, diferentes espécies de beija-flores têm bicos adaptados a diferentes tipos de flores. Algumas espécies têm bicos mais curtos e curvados para acessar flores tubulares, enquanto outras têm bicos mais longos e retos para flores mais abertas.

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Contudo, apesar do formato lembrar o passarinho pré-histórico, eles não são descendentes.
Acredita-se que a família Trochilidae, que envolve pássaros de bico longo, evoluiu de ancestrais que pertenciam a um grupo de aves mais primitivo.
Cientistas apontam tenham surgido a partir de pássaros pequenos e insetívoros que viviam durante o período Paleógeno, logo após a extinção dos dinossauros.
Ou seja, trata-se de uma espécie que veio depois da extinção, enquanto o passarinho pré-histórico com bico dentado viveu durante esse período. Assim, a semelhança de tamanho e força não indicam, necessariamente, uma parentalidade.
Por outro lado, a natureza é misteriosa, e a linha evolutiva pode ter alguns fatores entre essas duas espécies. Assim, aproveitou-se as características mais importantes, que favoreceram a sobrevivência e, agora, ajudam na alimentação e para estabelecer território.
Fonte: Canaltech






