Estudo aponta ligação entre degelo recorde na Antártida e mudança climática

A cada dia que passa, as mudanças climáticas ficam ainda mais em evidência, e isso é extremamente prejudicial para nossa sobrevivência. Conforme essas consequências são vistas com mais frequência, estudos são feitos como uma forma de alerta. Como o fato de que, por exemplo, segundo um estudo publicado na segunda-feira, o degelo recorde na Antártida visto em 2023 seria “extremamente improvável” sem as mudanças climáticas.

De acordo com os cientistas do British Antarctic Survey (BAS), o aquecimento global que o ser humano causou teve como consequência um nível mínimo de cobertura de gelo oceânico em dois mil anos no mundo todo.

Degelo na Antártida

UOL

Fazendo uma comparação com uma média dos invernos nas últimas décadas, a extensão do mar da Antártida que era coberta por gelo diminuiu em dois milhões de quilômetros quadrados. Para se ter uma noção, conforme o BAS, isso é o equivalente a quatro vezes o tamanho da França.

“É por isso que estávamos tão interessados em estudar o que os modelos climáticos podem nos dizer sobre a frequência com que perdas grandes e rápidas como essa são prováveis de acontecer”, disse Rachel Diamond, autora principal do estudo.

Depois de fazer a análise de 18 modelos climáticos diferentes, os cientistas descobriram que as mudanças climáticas quadruplicaram a probabilidade de um degelo na Antártida rápido e grande.

Compreender o que causa esse degelo marinho é uma coisa complexa porque existem muitos fatores, indo desde a temperatura da água do oceano até a temperatura do ar e os ventos. Contudo, poder determinar o papel das mudanças climáticas nesse processo é algo crítico porque a formação de gelo impacta globalmente, desde as correntes oceânicas até o aumento do nível do mar.

Por mais que o gelo marinho, que é o formado por água salgada do oceano, não tenha impacto no nível do mar, quando a neve e o gelo que são bastante reflexivos dão lugar a um oceano azul escuro, a energia solar que era refletida é absorvida pela água. Por conta disso, o ritmo do aquecimento global é acelerado.

Sem recuperação

Outras palavras

No Ártico, o gelo marinho está diminuindo desde a década de 1970, quando começaram os primeiros registros de satélite. Mas ao contrário dele, o degelo na Antártida é um fenômeno mais recente.

De acordo com o BAS, o gelo marinho da Antártida aumentou de forma ligeira e contínua de 1978 até 2015. Contudo, em 2017, aconteceu uma redução bem acentuada, que foi seguida durante vários anos de níveis baixos.

No estudo, os pesquisadores do BAS fizeram projeções para ver se esse gelo algum dia voltaria. “Ele não se recupera completamente aos níveis originais nem mesmo após 20 anos”, disse Diamond. Em outras palavras, isso quer dizer que “a média do gelo marinho da Antártida pode continuar relativamente baixa por décadas”, acrescentou.

“Os impactos seriam profundos, incluindo no clima local e global e nos ecossistemas únicos do Oceano Austral — incluindo baleias e pinguins”, disse Louise Sime, coautora do estudo.

De acordo com estudos anteriores do BAS, o degelo anormal da Antártida fez com que vários filhotes de pinguim-imperador morreram. Eles são criados nas placas de gelo e morreram quando foram lançados no oceano antes de desenvolverem suas penas impermeáveis.

Fonte: UOL

Imagens: UOL, Outras palavras

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