Foto de homem escravizado deve ser retirada de exposições nos EUA após nova ordem

Avatar for Henrique SantosHenrique SantosNotíciassetembro 17, 2025

Um registro que marcou gerações

Em 1863, no auge da Guerra Civil Americana, uma fotografia ganhou o mundo. A imagem mostrava Peter, um ex-escravizado da Louisiana, com as costas marcadas por cicatrizes profundas deixadas por açoites. Conhecida como “Peter Chicoteado”, a foto tornou-se símbolo da luta abolicionista e ajudou a expor de forma direta os horrores da escravidão.

Mais de 160 anos depois, essa mesma foto volta a ser destaque, agora por outro motivo. O governo dos Estados Unidos determinou que a imagem seja retirada de exposições em museus e parques nacionais. A decisão faz parte de um decreto assinado em março que propõe a revisão de como a história do país é apresentada em espaços públicos.

A nova diretriz

O decreto, intitulado “Restaurando a Verdade e a Sanidade na História Americana”, sugere que representações históricas devem buscar equilíbrio entre os episódios negativos e os avanços nacionais. Em comunicado ao jornal Washington Post, o Serviço Nacional de Parques explicou que algumas exposições estão passando por avaliação e que a intenção é evitar que certos aspectos sejam mostrados de forma “desproporcional”.

A foto

A fotografia de Peter foi registrada após sua fuga de uma plantação. Ao chegar a um acampamento do exército da União, suas feridas foram examinadas por médicos, e o retrato foi feito. Publicada em jornais da época, a imagem teve forte impacto ao mostrar de maneira incontestável a violência a que pessoas escravizadas eram submetidas.

Para muitos pesquisadores, essa foto é considerada uma das mais fortes evidências visuais contra a escravidão nos Estados Unidos. Sua retirada das exposições levanta debates sobre como sociedades devem lidar com lembranças dolorosas de seu passado.

Foto: Reprodução

Museus e debates

Instituições como o Smithsonian, maior complexo de museus do país, ainda não informaram se vão seguir a nova diretriz em seus acervos. Alguns especialistas defendem que preservar imagens como a de Peter é essencial para manter viva a memória coletiva, enquanto outros apontam que ajustes no modo como a história é apresentada podem oferecer novas perspectivas ao público.

Fontes: Aventuras na História

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