Caos em Machu Picchu: protestos deixam 1.600 turistas presos na cidade sagrada

Turistas retidos na cidade sagrada

Visitar Machu Picchu está na lista de sonhos de milhões de viajantes. Mas, para cerca de 1.600 turistas, a experiência virou um pesadelo nos últimos dias. Devido a protestos de moradores locais, o transporte ferroviário entre Cusco e o famoso sítio arqueológico foi bloqueado. O resultado: visitantes presos na cidade histórica, sem conseguir sair ou voltar com segurança.

O motivo da crise

O estopim da revolta foi o fim de uma concessão de 30 anos que regulava o transporte terrestre de ônibus entre a estação de trem e o parque. Os moradores exigem a substituição da empresa responsável, alegando que ela não atende às necessidades da população e dos visitantes. Com a concessão expirada, nasceu um vácuo que rapidamente se transformou em conflito aberto entre manifestantes e autoridades.

Para pressionar o governo, os protestos incluíram bloqueios de ferrovia com rochas e troncos, o que paralisou o principal meio de transporte que conecta Machu Picchu a Cusco. Como a ferrovia é praticamente a única forma de acesso rápido ao local, milhares de turistas ficaram isolados.

Resgate em massa

Diante do caos, a ministra do Comércio Exterior e Turismo, Desilú León, anunciou a operação de resgate. Cerca de 1.400 turistas foram transferidos para Cusco durante a madrugada de segunda para terça-feira, após a liberação parcial da rota ferroviária. Outros 200 foram retirados em operações posteriores. Mas ainda restaram cerca de 900 visitantes presos por novos bloqueios organizados pelos manifestantes.

O governo contou com apoio policial para escoltar parte dos resgatados e garantir a saída dos trens. Mas a tensão aumentou: em alguns momentos, turistas precisaram caminhar até três horas para alcançar transporte alternativo. Miguel Salas, turista chileno, resumiu a frustração:

“A alternativa que nos dão é andar duas ou três horas até conseguir algum ônibus. No meu caso não posso porque minha esposa está grávida”.

Impacto internacional

A lista de turistas retidos incluía cidadãos da França, Japão, Estados Unidos, Polônia, Chile, Brasil, Alemanha, México e Portugal. A repercussão foi imediata: jornais internacionais noticiaram o impasse, e embaixadas passaram a monitorar a situação. Machu Picchu, afinal, é um dos cartões-postais mais visitados do planeta, recebendo em média 4.500 visitantes por dia.

Trégua temporária

Após dias de tensão, os manifestantes decidiram por uma espécie de trégua até a manhã de quarta-feira. A Frente de Defesa dos Interesses de Machu Picchu, grupo que lidera os protestos, promete manter a greve até que uma nova empresa seja contratada para operar os ônibus na região. Até lá, o risco de novos bloqueios permanece.

A empresa Consettur Machupicchu, alvo das críticas, declarou à imprensa que continua prestando serviços mesmo após o fim da concessão, mas não deu detalhes sobre sua atuação. Esse silêncio alimenta ainda mais a insatisfação dos moradores.

Machu Picchu em xeque

Mais do que um problema logístico, a crise coloca em xeque a imagem de Machu Picchu como destino turístico seguro. Desde que foi declarada Patrimônio Mundial da UNESCO em 1983, a cidade sagrada se tornou motor econômico da região de Cusco. Qualquer instabilidade afeta não apenas os visitantes, mas também milhares de famílias que dependem do turismo.

Especialistas destacam que a situação expõe um conflito recorrente no Peru: o choque entre interesses econômicos, exploração turística e reivindicações da comunidade local. Para muitos moradores, o fluxo intenso de turistas traz benefícios, mas também sobrecarga, desigualdade e pouca participação nos lucros gerados.

A memória dos protestos

Não é a primeira vez que manifestações fecham o acesso a Machu Picchu. Em 2021, protestos semelhantes contra a gestão turística também bloquearam o trem, deixando centenas de turistas isolados. A diferença é que, desta vez, o número de visitantes afetados foi muito maior, beirando uma crise humanitária.

Fontes: Aventuras na História

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