Gelo derretido dos Alpes revela relíquias misteriosas

Nos últimos anos, a taxa de gelo derretido nos Alpes Suíços aumentou. Mas apesar das preocupações ambientais sobre o assunto, os arqueólogos da região estão “comemorando”. Por que?

Isso ocorre porque, à medida que o gelo derrete, artefatos históricos e outros objetos aparecem, sugerindo ainda que a área é milhares de anos mais velha que os humanos.

Para se ter uma ideia, equipes encontraram objetos que datam da Idade do Ferro, que começou há cerca de 3.500 anos, quando o Império Romano governava o que hoje é a Suíça. Também localizaram achados da Idade Média (século V d.C. a XV d.C.).

As agências arqueológicas de toda a Europa estão agora a voltar a sua atenção para o gelo derretido dos Alpes Suíços, conscientes dos novos “presentes” que a região lhes pode oferecer.

Mais descobertas

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Com o tempo, a lista de coisas sob a neve dos Alpes Suíços foi ficando cada vez mais longa. Na verdade, os especialistas que estudam tais artefatos deram o nome de “arqueologia glacial” para esse conceito.

Na prática, é uma forma de tentar compreender as descobertas dos depósitos glaciais.

Um bom exemplo é a cidade de Sião, localizada nos Alpes, onde muitas descobertas foram feitas nos últimos anos. Ali também fica o Museu Histórico do Valais, instituição que trata principalmente de artefatos encontrados nos Alpes.

Entre os achados mais impressionantes até à data, destaca-se um tipo de humanóide do século II a.C.

Também encontraram sinais de diversas rotas utilizadas pelos viajantes pelos Alpes durante o Império Romano.

As marcações eram de paus ou pedaços de ossos de animais. Quanto à estátua, acredita-se, entre outras crenças, que seja um exemplo de veneração ou talismã utilizado pelos antigos peregrinos.

Fim da linha

Uma das descobertas mais comuns no gelo derretido dos Alpes Suíços são restos humanos, desde corpos bem preservados até esqueletos.

Por exemplo, recentemente descobriram um documento autêntico e não escrito sobre os últimos dias da vida de um comerciante do século XVII.

Além do corpo do homem vestindo roupas caras, os arqueólogos também encontraram moedas, armas e até mercadorias armazenadas no gelo.

Perto dos restos mortais do viajante também encontraram ossos de duas mulas, possivelmente pertencentes a ele.

A partir dessas descobertas, os pesquisadores concluíram que as moedas vieram do norte da Itália e que as armas que ele carregava foram fabricadas onde hoje é a Alemanha. Em outras palavras, o que poderia ser um comerciante era um homem “viajante”.

Ou seja, além de objetos, também existe a chance de entender mais sobre os povos daquela época. Não apenas como viviam, mas como morreram, e o que poderia ter acontecido para que ficassem no gelo.

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Avanços e dificuldades

Assim como outros encontros no gelo derretido dos Alpes Suíços, o viajante acima deve ter morrido por conta do clima e da geografia rigorosos da região gelada, além das consequências do local.

Atualmente, os perigos continuam à espreita para quem se atreve subir até lá. Existem diversos alpinistas e esportistas radicais que ignoram os perigos do local e tentam chegar ao topo dos Alpes.

O problema é que, além do frio extremo, da possibilidade de acidentes e de outros perigos, cientistas e exploradores que se arriscam podem se contaminar com vírus antigos.

No caso, eles sobrevivem pelo frio, além de estarem nos cadáveres que derreteram no local. Quando os cientistas manipulam esses corpos e bactérias, podem ficar doentes, inclusive com sintomas pouco estudados pela ciência.

Inclusive, essa é uma preocupação recorrente quanto ao aquecimento global. Além do gelo derretido nos Alpes Suíços, outros locais, como os nortes polares, também estão derretendo. Contudo, vírus antigos e congelados podem colocar a população em risco.

Nesse caso, a situação é positiva para a ciência para que consigam encontrar mais objetos e itens históricos.

No entanto, os esforços para localizar esses elementos ainda estão em andamento. Até agora, os investigadores envolvidos tentaram criar alternativas para ajudar no projeto e diminuir os acidentes no local.

Por exemplo, inventaram um aplicativo chamado IceWatcher, onde os viajantes que encontrarem algo nos Alpes podem reportar aos cientistas.

Dessa forma, colaboram com estudos para obter novas informações sobre o “tesouro” de gelo das altas montanhas que foi preservado durante milhares de anos e evitam se perder pelo caminho.

 

Fonte: Escola Educação

Imagens: Freepik, Pexels

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