O ghosting pode prolongar o sofrimento porque deixa dúvidas e dificulta o encerramento emocional de uma relação.

Ghosting ou rejeição direta: qual término pode ser pior para a saúde mental?

Ser rejeitado por alguém pode doer, mas a forma como esse afastamento acontece parece fazer diferença para a saúde emocional. Um estudo publicado na revista científica Computers in Human Behavior comparou dois tipos de término: a rejeição direta e o chamado ghosting, quando uma pessoa simplesmente desaparece e deixa de responder sem explicar o motivo.

O ghosting pode prolongar o sofrimento porque deixa dúvidas e dificulta o encerramento emocional de uma relação.

O ghosting pode prolongar o sofrimento porque deixa dúvidas e dificulta o encerramento emocional de uma relação.

Os dois cenários provocaram sofrimento e afetaram a autoestima dos participantes. No entanto, os pesquisadores observaram uma diferença importante: enquanto a rejeição direta tende a provocar uma dor mais intensa no começo, o ghosting pode prolongar o sofrimento por mais tempo.

Por que o ghosting pode doer por mais tempo?

A principal diferença está na falta de uma explicação.

Quando alguém diz claramente que não quer continuar uma relação, a informação pode ser dolorosa, mas estabelece um ponto final. A pessoa sabe que o vínculo terminou e consegue começar a lidar com a perda.

No ghosting, entretanto, esse encerramento não acontece da mesma maneira. O silêncio deixa espaço para dúvidas e faz surgir perguntas como: “Será que eu fiz alguma coisa?”, “Será que a pessoa vai voltar?” ou “Por que ela desapareceu?”.

Essa incerteza pode alimentar a chamada ruminação, quando alguém repassa repetidamente uma situação na tentativa de encontrar uma explicação. Dessa forma, a experiência permanece ocupando espaço na mente mesmo depois do contato ter terminado.

Rejeição direta machuca mais no começo

O estudo aponta que a rejeição explícita tende a produzir uma reação emocional mais imediata.

Ouvir diretamente que alguém não deseja continuar uma relação pode atingir a autoestima e provocar uma sensação intensa de perda. Ainda assim, existe uma informação concreta sobre o que aconteceu.

Isso permite que a pessoa reconheça o fim e comece a elaborar emocionalmente a situação. No ghosting, por outro lado, a ausência de respostas pode dificultar esse processo porque não existe um momento claro de encerramento.

Por isso, a diferença não está em um tipo de término ser doloroso e o outro não. Os dois podem causar sofrimento. A questão é que o ghosting tende a manter a incerteza por mais tempo.

O desaparecimento também pode despertar experiências antigas

O impacto não é igual para todas as pessoas. Em alguns casos, o ghosting pode reativar experiências anteriores relacionadas a abandono, rejeição ou desamparo.

Assim, o sofrimento causado pelo afastamento atual pode se misturar com emoções de situações anteriores. Isso ajuda a explicar por que determinadas pessoas podem reagir de maneira especialmente intensa quando alguém desaparece sem dar explicações.

Por que algumas pessoas praticam ghosting?

Não existe uma única razão para alguém desaparecer.

Algumas pessoas podem evitar conversas difíceis porque sentem medo, vergonha ou insegurança. Outras podem ter dificuldade para lidar com conflitos ou com o sofrimento provocado por um término.

Também existem situações em que o comportamento está relacionado ao medo de intimidade ou de ser rejeitado. Nesse caso, desaparecer pode funcionar como uma tentativa de evitar uma situação emocionalmente desconfortável.

Além disso, há casos em que o desaparecimento pode ser deliberado e utilizado para provocar sofrimento ou manter algum tipo de controle sobre a outra pessoa.

A tecnologia tornou o ghosting mais fácil

Aplicativos de relacionamento, redes sociais e aplicativos de mensagens mudaram a maneira como as pessoas iniciam e encerram relações.

Hoje, interromper uma conversa pode exigir apenas deixar de responder, bloquear alguém ou simplesmente desaparecer das interações. Isso reduz o desconforto imediato de uma conversa difícil, mas transfere a incerteza para quem fica esperando uma resposta.

Ainda assim, não existe um perfil único de quem pratica ghosting. O comportamento pode estar relacionado a fatores como maturidade emocional, experiências anteriores, estilo de comunicação e capacidade de lidar com frustrações.

O que fazer depois de sofrer ghosting?

Para quem foi deixado sem explicações, uma das principais dificuldades é justamente aceitar que talvez não exista uma resposta satisfatória.

Tentar descobrir constantemente o motivo do desaparecimento pode alimentar a ruminação e prolongar o sofrimento. Por isso, especialistas recomendam não colocar a própria recuperação emocional nas mãos de quem decidiu desaparecer.

Conversar com amigos, retomar atividades sociais e buscar psicoterapia quando necessário podem ajudar a reconstruir a autoestima e interromper o ciclo de pensamentos sobre o ocorrido.

No fim, a conclusão do estudo é menos óbvia do que parece: uma rejeição direta pode machucar mais no primeiro momento, mas também oferece um ponto final. Já o ghosting pode começar de maneira menos intensa e, justamente pela falta de respostas, prolongar a dor.

Fonte: UOL

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