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A história do trio que sacrificou a vida para salvar a Europa de Chernobyl

POR Thamyris Fernandes    EM Ciência e Tecnologia      09/12/14 às 23h16

O acidente de Chernobyl, que aconteceu no dia 26 de abril de 1986 - em terras que pertenciam à União Soviética (URSS) -, é considerado até o hoje o maior e mais desastroso acidente nuclear da história. Embora inúmeras teorias conspiratórias sejam debatidas sobre esse evento, a verdade é que toda o acontecido só terminou mal devido aos testes de segurança mal executados na usina e dezenas de violações do Regulamento de Segurança Nuclear da URSS.

Depois das duas grandes explosões na madrugada daquele dia, as pessoas que trabalhavam no lugar se depararam uma situação irreparável, em que o fogo e a radiação tomava conta de tudo. Foi assim que profissionais e voluntários de toda a Europa foram rapidamente recrutados para ajudar a conter o fogo e a deter os reflexos negativos que o acidente nuclear ainda poderia causar.

O grande problema disso tudo é que os brigadistas e profissionais de outras áreas lutaram contra as chamas da usina, assim como todo mundo - incluindo os responsáveis pelo local -, acreditavam que o grande reator estava intacto e, além de argila e areia, usaram milhares de litros de água acabar com o fogo. Os esforços, claro, renderam efeitos devastadores, mas o que todo mundo descobriria na manhã seguinte ao dia do acidente que o problema poderia ser ainda mais sérios do que se mostrava até aquele momento.

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Um helicóptero da KGB, a polícia especial da antiga União Soviética, sobrevoava a área quando os oficiais perceberam que o reator da usina havia explodido e, aberto, expunha a origem de toda a radiação. Mas a desgraça não parou por aí: as piscinas de segurança do reator - feitas para controlar a temperatura dessa estrutura e para reduzir o perigo de contaminação, caso o vapores vazassem dessa peça gigantescas - estavam transbordando de água procedente dos canos arrebentados de seu circuito primário e das águas utilizadas pelos bombeiros para apagar o incêndio no reator.

O risco agora, como logo perceberam as autoridades que se encontravam no lugar, era que essa água contaminada e com níveis altíssimos de radioatividade causasse explosões de vapor capazes de projetar a atmosfera - por quilômetros incalculáveis - centenas de toneladas de cúrio. Além disso, essa mistura "mortal" também estava prestes a escapar e se infiltrar no subsolo, contaminando as águas do lençol freático e deixando em perigo o abastecimento de Kiev, uma cidade próxima com mais de dois milhões de habitantes! Resumindo, a Europa inteira estava em risco e poderia se tornar uma parte do globo simplesmente inabitável devido aos altos índices de radiação a ameaçava.

A solução para esse segmento do problema seria simples, se todo o sistema de comando da usina não tivesse sido danificado juntamente com as explosões: bastaria acionar um comando mecânico e as válvulas do radiador, que estavam represando a água, seriam abertas. Mas essa não seria mais uma alternativa possível e a tarefa precisaria ser cumprida manualmente.

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Foi então que o tecnólogo Alexei Ananenko, o engenheiro nuclear Valeriy Bezpalov e um trabalhador da central, chamado Boris Baranov, se tornaram heróis da Europa. Mesmo sabendo que essa missão seria uma "viagem sem volta", eles se ofereceram para mergulhar nas águas contaminadas da piscina de segurança do radiador para, então, abrirem as válvulas.

Alexei e Valeriv eram, ambos, casados e pais de família. Boris, no entanto, era um jovem, que trabalhava no lugar e não família. Todos eles abriram mão de suas vidas para salvar o continente europeu da devastação e, depois de uma boa dose de vodca, mergulharam sem qualquer proteção extra nos tanques.

[caption id="attachment_25721" align="alignnone" ]2 Alexei Ananenko e Valeriy Bezpalov[/caption]

As válvulas foram abertas, mas a radiação ali era tão forte que era possível sentir um gosto metálico na boa, que resultava em fortes náuseas, tonturas e até mesmo sensações terríveis de agulhadas por todo o corpo. É por esses motivos todos que o final dessa saga é controverso até hoje.

Muitos contam que os três saíram das piscinas do reator ainda com vida e morreram em um hospital de Kiev, dias depois, vítimas da radioatividade extrema à qual ficaram expostos. Outro, no entanto, afirma que os mergulhadores morreram no local e seus corpos ainda se encontram em Chernobyl.

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Abaixo, separamos ainda um vídeo que mostra a situação da usina, na manhã seguinte ao acidente e o reator aberto e fundindo-se:

Continue lendo sobre o maior acidente nuclear da história. Clique para conhecer também 10 fatos sobre Chernobyl que não querem que você saiba e Como está Chernobyl 28 anos depois do acidente nuclear.

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Thamyris Fernandes
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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