Os médicos realizam procedimento com ondas de choque para desobstruir artérias calcificadas.

Hospital brasileiro testa tratamento com ondas de choque para desobstruir artérias sem uso de stent

Pesquisadores brasileiros apresentaram resultados promissores de um novo tratamento para desobstruir artérias coronárias com placas de gordura e cálcio. A técnica combina litotripsia intravascular, que utiliza ondas de choque, com um balão farmacológico. Dessa forma, alguns pacientes podem evitar o implante de um stent permanente.

Os médicos realizam procedimento com ondas de choque para desobstruir artérias calcificadas.

Os médicos realizam procedimento com ondas de choque para desobstruir artérias calcificadas. Foto: shutterstock.

O estudo reúne especialistas do Hospital Israelita Albert Einstein e da Universidade de Verona, na Itália. Ao todo, a equipe acompanhou 50 pacientes tratados nos dois países. Segundo os pesquisadores, a estratégia mostrou segurança e eficácia em artérias de pequeno calibre e com calcificação severa, um dos cenários mais desafiadores da cardiologia intervencionista.

Como funciona o novo tratamento

A litotripsia intravascular utiliza pequenas ondas de choque para romper depósitos de cálcio presentes nas paredes das artérias. Em seguida, os médicos expandem o vaso com um balão farmacológico, que libera medicamentos diretamente na região tratada e reduz o risco de uma nova obstrução.

Além disso, a combinação das duas técnicas pode evitar o implante de um stent em alguns pacientes. Como resultado, a artéria preserva melhor seu funcionamento natural e o organismo recebe menos material permanente.

Por que a técnica representa um avanço

Com o avanço da idade, muitas pessoas desenvolvem aterosclerose, doença caracterizada pelo acúmulo de placas de gordura nas artérias. Além disso, mais de 90% dessas placas apresentam depósitos de cálcio, o que dificulta o tratamento convencional.

Por esse motivo, as artérias de pequeno calibre e com calcificação intensa costumam desafiar os cardiologistas durante a angioplastia. Nesse contexto, a nova abordagem oferece uma alternativa para aumentar a eficácia do procedimento.

Resultados do estudo

Os pesquisadores observaram bons resultados de segurança e eficácia entre os pacientes avaliados. Além disso, a equipe verificou que o método pode substituir o implante permanente de stents em situações específicas.

No entanto, os especialistas ressaltam que ainda precisam acompanhar um número maior de pacientes antes de recomendar a técnica em larga escala. Ao mesmo tempo, novos estudos deverão confirmar os benefícios observados até agora.

O que é a aterosclerose?

A aterosclerose ocorre quando placas de gordura se acumulam nas paredes das artérias. Com o passar do tempo, essas placas endurecem por causa do cálcio e dificultam a circulação do sangue.

Como consequência, o coração recebe menos oxigênio. Entre os principais sintomas estão dor no peito, falta de ar, cansaço e desconforto que pode irradiar para braços, pescoço ou mandíbula. Se o paciente não iniciar o tratamento, o risco de infarto e de outras complicações cardiovasculares aumenta.

Quando a nova técnica poderá chegar aos pacientes?

Os resultados apresentados animaram os pesquisadores. Mesmo assim, eles defendem novos estudos para confirmar a eficácia do tratamento em diferentes perfis de pacientes.

Enquanto isso, médicos reforçam a importância de controlar a pressão arterial, manter o colesterol em níveis adequados, praticar atividade física regularmente, seguir uma alimentação equilibrada e evitar o tabagismo. Assim, é possível reduzir significativamente o risco de doenças cardiovasculares.

Fonte: oGlobo

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