IA pode solucionar um dos maiores mistérios científicos do século

Um dos maiores mistérios científicos do século e os segredos do DNA estão prestes a serem revelados, graças à tecnologia.

Pesquisadores estão tentando decodificar uma informação oculta no DNA humano graças a Grover, um novo supermodelo de linguagem de inteligência artificial programada à mão, de forma personalizada.

Esse próximo passo é fundamental para que possamos compreender como as informações que se armazenam em nosso corpo influenciam no genoma. Esse é um dos grandes mistérios científicos do século XXI.

O Grover treinou em DNA humano antes de integrar oficialmente a pesquisa. Dessa forma, ele aprendeu a falar na “linguagem” que é o nosso genoma.

O desenvolvimento da IA aconteceu no Centro de Biotecnologia (Biotec) da Universidade Técnica de Dresden. Enquanto isso, a publicação do artigo, que descorre sobre o projeto, está na revista científica Nature Machine Intelligence.

Via iStock

Como funciona?

O Grover escava o genoma humano como um texto, aprendendo suas regras e contagens para extrair informações funcionais de sequências de DNA.

O seu nome é uma sigla para Genome Rules Obtained via Extracted Representations.

Melissa Sanabria é uma das pesquisadoras responsáveis e explica como o Grover aprendeu as regras do nosso genoma para sanar os segredos do DNA.

Em linguística falamos de gramática, sintaxe e significado, mas para transformar tudo isso na língua do corpo humano, eles precisavam de algumas recombinações.

Por isso, a programação precisou de uma personalização. Assim, a IA aprendeu as regras de conversão de língua, além de entender a estrutura dos nucleotídeos e sequências e o significado dessas sequências.

E Melissa vai ainda mais longe. Ela explica que, assim como os modelos GPT aprendem línguas humanas, o GROVER aprendeu a ‘falar’ exatamente a língua do DNA. Pode-se dizer que ele é um especialista.

Segredos do DNA

Desde a descoberta da dupla hélice, cientistas têm buscado entender as informações codificadas no nosso genoma. Mas esses segredos do DNA permaneceram pouco compreensíveis.

Quase setenta anos depois, o que sabemos é que as informações que se escondem nos genomas estão em uma espécie de camada. E apenas de 1% a 2% do genoma consiste em genes, sequências que codificam proteínas.

Anna Poetsch, líder do grupo de pesquisa no Biotec, explica mais sobre a nossa formação genética. Ela diz que o DNA tem muitas funções além de codificar proteínas.

Via PxHere

Algumas sequências são responsáveis por regular os genes, outras servem para estruturar nosso corpo. Além disso, a maioria das sequências realiza múltiplas funções ao mesmo tempo. Assim, diversas doenças descobertas pela ciência possuem origem em mutações do genoma e não conseguimos explicar da onde vem isso.

Atualmente, não entendemos o significado da maior parte dos segredos do DNA. Quando se trata de entender as regiões não codificantes do gene, parece que apenas ‘começamos a arranhar a superfície’ desse grande mistério.

E é exatamente nesse ponto que a IA e os grandes modelos de linguagem podem ajudar os pesquisadores.

Por isso, a ferramenta pode revolucionar a genômica, além de acelerar a medicina personalizada. Se o DNA fosse uma caixinha de surpresas, a IA é a chave que conseguimos para abri-la. Agora precisamos ver o que vai sair dela.

Uso da IA

Esse é mais um dos usos da IA que cientistas incentivam nas áreas humanas e naturais. Ao longo dos últimos anos, essas aplicações se tornaram cada vez mais comuns.

Embora muitas pessoas acreditem que a IA gera apenas robôs responsivos ou plataformas de pesquisa, ela representa muito mais, se tiver a programação certa.

Com novos investimentos e a popularidade da inteligência artificial na ciência e biomedicina, avanços como esses podem se tornar frequentes. Desvender os segredos do DNA é o primeiro passo para entender melhor os seres humanos e como nos comportamos.

Com isso, será possível desenvolver desde novos medicamentos e tratamentos para doenças, até promover alternativas naturais que prolonguem a vida e o bem-estar.

 

Fonte: Olhar Digital

Imagens: iStock, PxHere

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