
Você some ainda criança, o mundo inteiro tenta te encontrar, e anos depois alguém aparece dizendo ser você. Foi isso que aconteceu com o caso de Madeleine McCann, a garotinha britânica que desapareceu em 2007 e nunca mais foi vista.
A polonesa Julia Wandelt, de 24 anos, ganhou atenção global ao afirmar que era Madeleine. Mas agora, a história virou um drama jurídico: Julia está sendo julgada por stalking, o crime de perseguição, contra os pais e irmãos da menina desaparecida.
Durante uma audiência recente no tribunal de Leicester, na Inglaterra, Julia chorou ao ser confrontada com evidências científicas que negam qualquer parentesco com os McCann. Segundo a promotoria, o DNA de Julia não tem relação alguma com o da família britânica. E, dessa vez, não sobrou muito espaço para dúvida.
Foi o que declarou o promotor Michael Duck KC no tribunal. A frase, direta e cortante, provocou lágrimas na jovem, que até hoje insiste em lembrar de “fragmentos” de infância que, segundo ela, coincidem com a história de Madeleine.
Mas os detalhes apresentados pela acusação indicam que Julia teria cruzado uma linha perigosa. Entre junho de 2022 e fevereiro de 2025, ela e uma suposta cúmplice, Karen Spragg, teriam perseguido a família McCann de forma obsessiva, com direito a ligações, mensagens e até visitas à casa deles.
Julia conseguiu o número pessoal de Kate McCann e fez dezenas de ligações em um único dia, foram 60 tentativas de contato. Em uma das mensagens, ela escreveu:
“Eu nunca menti. Não sou louca. Por favor, deixe-me provar.”
Além das ligações, a jovem teria mandado imagens para a irmã mais nova de Madeleine tentando convencê-la de que eram parentes. A promotoria, porém, reforçou que essa crença não faz sentido: Julia não tinha a mesma idade da menina desaparecida à época do crime.
As investigações apontam que Julia usou fotos da família McCann para fazer comparações com suas próprias imagens, tentando encontrar “semelhanças” faciais. Mas o comportamento foi muito além das redes sociais: ela teria ido pessoalmente à casa dos McCann, em Leicestershire, em pelo menos duas ocasiões.
Durante quase um ano, a jovem enviou e-mails, mensagens no WhatsApp e até directs no Instagram para membros da família, insistindo que era a filha desaparecida. O padrão de mensagens, segundo o Ministério Público, demonstrava uma “obsessão crescente”.
O caso de Julia Wandelt viralizou em 2023, quando ela surgiu nas redes dizendo ter “lembranças fragmentadas” do desaparecimento. Na época, muitos internautas apoiaram a jovem, pedindo que o DNA fosse testado. Quando o resultado mostrou que ela não era Madeleine, a repercussão se transformou em descrença e, para alguns, em pena.
Agora, porém, o tom é outro. O comportamento persistente, os contatos indevidos e as visitas à família levantaram suspeitas de que Julia passou do limite entre “esperança” e perseguição real.
Desde o início, Julia afirmava que apenas queria “descobrir a verdade sobre sua origem”. Ela chegou a participar de entrevistas internacionais, ganhar seguidores e até ser convidada para programas de TV. No auge da exposição, o caso foi comparado a produções de suspense, com direito a “plot twist” quando o DNA negou tudo.
Mas enquanto o público discutia o mistério, a família McCann, que vive sob atenção global há mais de 15 anos, pedia respeito e privacidade. Afinal, para eles, cada boato reabre feridas antigas.
Julia e Karen Spragg negam as acusações e aguardam o andamento do julgamento. Se condenadas, podem pegar pena de prisão por assédio e perseguição. Já os McCann continuam tentando seguir com a vida, ainda em busca de respostas sobre o verdadeiro paradeiro de Madeleine.






