Mais de 300 anos depois, Dinamarca devolve ao Brasil um de seus tesouros sagrados mais cobiçados

Avatar for Bruno DiasBruno DiasCuriosidadessetembro 17, 2024

Principalmente na Europa, grande parte do acervo de seus museus ou até mesmo artigos de colecionadores é composto por arte colonial espoliada. Vários tesouros culturais dos países colonizados estão espalhados pela Europa, e com o Brasil não é diferente. Contudo, a Dinamarca irá devolver um tesouro para o Brasil depois de 300 anos. Ele é um manto dos Tupinambá.

Esse manto é um elemento-chave da cultura Tupinambá por ter um significado ritualístico e simbólico relacionado às hierarquias sociais e ao poder dentro da tribo. Ele é feito com quatro mil penas de araras vermelhas e mede um pouco menos de um metro e oitenta.

Mesmo tendo essa importância, ele foi retirado do povo no período colonial português em uma expedição ao nosso país. E os dinamarqueses ficaram com muitos objetos indígenas durante a exploração do “Novo Mundo”, seja através de saques ou comércio, e esse manto foi um deles.

Depois de ter sido roubado, em 1689, o matou foi para a Europa para fazer parte da coleção de Frederico III. O artefato passou por várias coleções de museus reais na Dinamarca e o último foi o Museu Nacional da Dinamarca em Copenhague. Nele está um dos poucos mantos tupinambá que conseguiram sobreviver à passagem do tempo.

Dinamarca devolve tesouro ao Brasil

IGN

Agora, em 2024, depois de mais de 300 anos fora de casa, o artefato irá voltar para seu país de origem. Depois que a Dinamarca anunciou que iria devolver o tesouro para o Brasil, em julho, o manto foi apresentado em cerimônia no Rio de Janeiro com a presença do presidente do país.

Na ocasião, do lado de fora estava um grupo de duzentos Tupinambá com tambores e todas as honras para presenciar seu manto e ter uma reconexão com as tradições antigas. “Senti tristeza e alegria. Uma mistura entre nascimento e morte. Os nossos antepassados ​​dizem que quando os europeus nos tiraram o dinheiro, o nosso povo ficou sem rumo”, disse Maria Yakuy Tupinambá, anciã da comunidade dos Tupinambá de Olivença, ativista e pensadora indígena.

Ainda no evento, lideranças ressaltaram que não se tratava apenas da Dinamarca devolver um tesouro para o Brasil, mas sim de reconhecimento dos povos indígenas, suas terras e seus direitos.

Além disso, essa volta do manto Tupinambá para o Brasil repercutiu no mundo todo. Segundo Amy Buono, professora associada de história da arte na Universidade Chapman, ao The Guardian, “essas capas provavelmente funcionavam como peles sobrenaturais, transferindo força vital de um organismo vivo para outro. As mantas Tupinambá eram um dos objetos mais procurados no início do século XVI. Várias foram usados ​​pelos cortesãos durante uma procissão em 1599 na corte do Duque de Württemberg, em Stuttgart”.

Fonte: IGN

Imagens: IGN

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