Curiosidades

Museu de Londres vai devolver 72 objetos saqueados da Nigéria

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Principalmente na Europa, grande parte do acervo de seus museus é composto por arte colonial espoliada. Ou seja, arte que foi tirada das colônias europeias e nunca chegou a ser devolvida. Contudo, um museu de Londres anunciou que irá devolver para a Nigéria artefatos saqueados no século XIX, ainda no período do Reino de Benin.

O museu em questão é o Museu Horniman. Ele disse que a propriedade de 72 objetos irá ser transferida para o governo nigeriano. Dentre os itens estão 12 placas de bronze, conhecidas como Bronzes do Benin, um galo de bronze e uma chave do palácio do rei.

Essa decisão foi tomada em janeiro desse ano depois de um pedido da Comissão Nacional de Museus e Monumentos da Nigéria (NCMM). Além disso, o museu no sudeste de Londres disse que consultou membros da comunidade, visitantes, crianças em idade escolar, acadêmicos, profissionais da área de patrimônio e artistas baseados na Nigéria e no Reino Unido.

“Todas as suas visões sobre o futuro dos objetos do Benin foram consideradas, juntamente com a proveniência dos objetos”, explicou o museu.

Museu de Londres

Trip advisor

Depois de tudo isso, a presidente do museu também disse que era “moral e apropriado” que esses objetos fossem devolvidos.

“É muito claro que esses objetos foram adquiridos à força, e a consulta externa reforçou nossa opinião de que é moral e apropriado devolver sua propriedade à Nigéria. O Museu Horniman está satisfeito por poder dar este passo e estamos ansiosos para trabalhar com o NCMM para garantir cuidados de longo prazo para esses artefatos preciosos”, disse Eve Salomon, presidente do museu.

Essa devolução também vem sendo feita porque, nos últimos anos, a pressão política sobre governos e museus europeus vem aumentando.

Devolução

BBC

Esses objetos da coleção do Horniman foram somente alguns dos artefatos devolvidos para a Nigéria nos últimos meses de museus em países ocidentais. Tanto que, no mês passado, o Jesus College, em Cambridge, na Inglaterra, e a Universidade de Aberdeen, na Escócia, devolveram uma escultura de galo e outra da cabeça de um obá.

Além deles, as autoridades alemãs também devolveram mais de 1.100 artefatos para o país da África Ocidental.

Ainda sobre suas peças, o NCMM diz que algumas das esculturas de valor inestimável serão armazenadas no Museu Nacional do Benin assim que for ampliado e outras serão armazenadas no Museu de Lagos.

Embora o museu britânico tenha a maior coleção de bronzes de Benin do mundo, ele é impedido de devolver os itens de forma permanente por conta da Lei do Museu Britânico de 1963 e pela Lei do Patrimônio Nacional de 1983.

Países de origem

BBC

Assim como esse museu de Londres tinha objetos originários da Nigéria, vários outros também têm peças que não pertencem aos seus países. Mas o que aconteceria se os museus europeus precisassem devolver obras de arte aos seus lugares de origem?

De acordo com Raquel García Revilla e Olga Martínez Moure, da Universidade à Distância de Madri, que falam sobre obras roubadas ou saqueadas: “sabe-se que muitas coleções do Louvre, do British Museum e muitos outros museus europeus se nutriram de obras que inicialmente não pertenceriam a eles”, afirmaram as especialistas em patrimônio cultural.

Tendo o Museu Britânico, em Londres, como exemplo, é possível fazer uma análise. Dessa forma, dar uma volta pelo museu é como dar a volta ao mundo em algumas horas. Atualmente, o museu é um dos lugares mais visitados do Reino Unido. No entanto, as seções mais populares do museu não são do Reino Unido. Na verdade, elas vêm do Egito, do Iraque ou da Grécia antiga.

E para lidar de forma justa com esses acervos que foram roubados, alguns museus já estão tomando uma atitude.

O museu Rijksmuseum, de Amsterdã, está planejando resolver o espólio colonial no Sri Lanka. Em outro exemplo, a Indonésia está devolvendo as peças de sua coleção que foram roubadas ou saqueadas. Mas, afinal, o que é o certo a se fazer? Para o arqueólogo Sam Hardy, esse ajuste de contas é extremamente importante. “A retenção de antiguidades que foram extraídas mediante expedições de punição é uma intolerável perpetuação da violência colonialista”, afirmou Hardy.

Há décadas, a Grécia reivindica mármores e estátuas do Partenon de Atenas e que se encontram no Museu Britânico.

Pensamento dos países

Artsoul

Em 2018, o Governo da França devolveu dezenas de peças de arte africana expostas por museus de todo o país. Assim, países como Mali, Benim, a Nigéria, o Senegal, a Etiópia e Camarões, em breve receberam as obras de volta. Porém, ainda há muito mais a ser devolvido. No caso do Museu Britânico, as obras gregas foram levadas pelo Lord Elgin no século XIX. Na época, ele arrancou parte do friso grego, levou para o Reino Unido e o vendeu para o Governo. Desde então, a peça tem sido disputada entre os museus europeus.

Em outro exemplo, a Colômbia solicita a devolução do tesouro Quimbaya, que foi dado como um presente do presidente Carlos Holguín para a rainha María Cristina em 1893. No entanto, o país afirma que o presente foi dado de maneira ilegal. E, claro, como era de se esperar, as reivindicações não param por aí. A Angola pede a solicitação de obras a Portugal, Egito a Alemanha, Áustria ao México, entre outros países.

Para Sam Hardy, é válido lembrar que esta não é apenas uma prática do passado. “As redes criminosas e as máfias estão explorando o caos para saquear e roubar. Grupos armados estão saqueando peças e contrabandeando-as para financiar a compra de armas ou diretamente para trocá-las por elas”, pontuou Hardy.

Fonte: G1, Outras mídias

Imagens: Trip Advisor, BBC, Artsoul 

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