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Máscara desenvolvida na USP pode ajudar pessoas com apneia

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Uma boa noite de sono é essencial para todas as pessoas. É através dela que o corpo e a mente conseguem descansar e se preparar para o outro dia. No entanto, não são todas as pessoas que conseguem tê-la. Exemplo disso são aqueles que sofrem com a apneia do sono, condição que causa um sono interrompido, ronco alto, dores de cabeça e outros problemas de saúde.

Por conta disso, a apneia tem preocupado bastante toda a comunidade médica. Tanto é que pesquisadores do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), constituído pela FAPESP e pela Shell e sediado na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), criaram uma máscara para ajudar as pessoas que sofrem com a condição.

Para essa criação, os pesquisadores usaram a mesma tecnologia de um projeto sobre turbinas a gás para evitar os “engasgos com ar” que acontecem no tratamento com o Continuous Positive Airway Pressure (CPAP), que é um equipamento que bombeia o ar para as vias aéreas da pessoa.

Máscara

Olhar digital

A máscara tem uma divisória entre as cavidades nasais e bucais. Por conta disso ela consegue manter pressões do ar diferentes no nariz e na boca. A válvula e os filamentos da máscara foram feitos através de impressão 3D, instalados em uma placa feita de plástico e revestido de acolchoado de silicone.

Para as pessoas que têm apneia moderada ou severa, o CPAP é o tratamento recomendado. No entanto, de acordo com Vitor Bortolin, doutorando em Engenharia Mecânica na Poli-USP e pesquisador do RCGI, vários pacientes acabam abandonando o tratamento por conta dos engasgos com o ar.

“Isso acontece porque pessoas com problemas respiratórios tendem a respirar pela boca e, quando o fazem, transferem o ar para o nariz, que é a forma que o corpo reconhece como correta. Ao fazerem isso, aplicam força para respirar novamente pela boca, o que gera o engasgo, replicando o que ocorre com a pessoa quando ela não utiliza o equipamento”, complementou Bernardo Diniz Lemos, também doutorando na Poli-USP e pesquisador no RCGI.

Agora, essa nova máscara irá fazer com que o ar tenha duas pressões no nariz e na boca e circule pela divisória entre as cavidades nasais e bucais.

Apneia

CNN

A apneia do sono é um distúrbio que se caracteriza pelos ruídos e interrupções repetitivas na respiração. Seus sintomas principais são: ronco alto, falta de ar durante o sono, despertar com a boca seca, dor de cabeça matinal, dificuldade em permanecer dormindo, sonolência diurna excessiva, dificuldade em prestar atenção enquanto está acordado e irritabilidade.

Nos casos mais leves dessa condição, o tratamento pode ser feito com algumas mudanças no estilo de vida, como por exemplo, deixar de fumar ou perder peso. Nos casos moderados ou graves, existem dispositivos que podem ajudar a abrir uma via aérea que pode estar bloqueada. E em casos mais graves, o recurso final pode ser uma cirurgia.

De acordo com especialistas da Penn State, Universidade da Pensilvânia, a apneia do sono aumenta o risco de doenças cardiovasculares, como por exemplo, hipertensão, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca congestiva, além de as pessoas que sofrem com ela também terem um risco maior de morte súbita por vários motivos.

Outro estudo mostrou que a apneia obstrutiva do sono (OSA) tem sido relacionada com problemas cognitivos e psiquiátricos, como a depressão e até o mal de Alzheimer. Contudo, ainda não se sabe se a apneia causa esses problemas ou se alguns dos problemas relacionados com ela que fazem com que as pessoas tenham essas condições.

Esse estudo foi feito com 27 homens entre 35 e 70 anos que tinham diagnóstico de apneia obstrutiva leve a grave e não tinham comorbidades, no caso, outros problemas de saúde relacionados ou não com a OSA. O grupo de controle do estudo foi formado por outros sete homens com a mesma idade, IMC, educação, mas sem apneia.

“Mostramos pior funcionamento executivo e memória visuoespacial e déficits na vigilância, atenção sustentada e controle psicomotor e de impulso em homens com OSA. A maioria desses déficits já havia sido atribuída a comorbidades. Também demonstramos pela primeira vez que a AOS pode causar déficits significativos na cognição social”, disse a neuropsiquiatra Ivana Rosenzweig, do King’s College London, no Reino Unido.

Nos testes cognitivos feitos, os homens com apneia tiveram uma pontuação mais baixa na atenção sustentada, funcionamento executivo, memória de reconhecimento visual de curto prazo e reconhecimento social e emocional. Também foi visto que, quanto mais grave fosse o grau de OSA, as pontuações ficavam piores quando comparadas ao grupo de controle.

Por conta de os participantes não terem outros problemas de saúde, esses resultados mostram que o declínio cognitivo observado foi totalmente por conta da apneia obstrutiva. Antes desse estudo, esse declínio era relacionado com problemas de saúde como diabetes tipos 2 ou hipertensão sistêmica.

“Nossas descobertas sugerem que processos distintos, conduzidos pela OSA, podem ser suficientes para que as mudanças cognitivas ocorram já na meia-idade, em indivíduos saudáveis”, disseram os pesquisadores.

Mesmo com essas descobertas, o estudo não analisou o que pode ser a origem dessa relação. No entanto, os pesquisadores têm algumas ideias sobre o que pode ser, como por exemplo, a forma como a apneia obstrutiva acaba interferindo nos níveis de oxigênio e dióxido de carbono no sangue.

Além disso, a condição também está relacionada com mudanças no fluxo sanguíneo para o cérebro, inflamação no órgão e, o mais sabido pelas pessoas, a fragmentação do sono. E problemas relacionados à quantidade e qualidade do sono são associados a um maior risco de desenvolvimento de problemas cognitivos.

Fonte: Olhar digital, Science alert

Imagens: Olhar digital, CNN

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