
Em abril de 2019, o cirurgião vascular britânico Neil Hopper usou gelo seco para congelar suas próprias pernas. O resultado? Os tecidos ficaram tão danificados que exigiram amputação abaixo dos joelhos.
Após a cirurgia, Hopper afirmou que perdeu os membros por causa de sepsis, uma grave infecção, e apresentou o caso às seguradoras como motivo legítimo para receber indenização. Quase £466 mil foram liberados por duas empresas, Aviva e Old Mutual. Mas havia algo muito além da doença por trás dessa história.
Números da acusação revelaram uma motivação incomum: Hopper tinha uma obsessão sexual por amputação e por mutilação corporal. Ele consumia conteúdo extremo de um site chamado EunuchMaker, criado por um condenado por mutilação intensa. As mensagens trocadas entre ambos ajudaram a ligar os pontos da investigação.
Em setembro de 2025, Hopper foi condenado a 32 meses de prisão após se declarar culpado por fraude e posse de pornografia extrema. Além disso, recebeu uma ordem judicial de prevenção contra abuso sexual por 10 anos. As autoridades também iniciaram um processo para recuperar a quantia obtida ilegalmente.
Após a amputação, Hopper se tornou uma figura midiática. Chegou a ser chamado de “cirurgião biônico”, participou de documentários e foi cotado para virar o primeiro astronauta com deficiência física. Mas aquele olhar inspirador escondia um enredo perturbador: a escolha por amputar, o orgulho em comercializar a tragédia e a manipulação da imagem pública.
A prisão de Hopper suscita reflexões inquietantes. Ele era médico, responsável pelo cuidado de vidas, mas cometeu uma autoagressão para explorar o sistema de indenização. Seus pacientes antigos, assustados, agora questionam se receberam cirurgias necessárias ou se foram parte de algo sombrio.
Fonte: Aventuras na História






