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Não é tarde demais para salvar o planeta, segundo cientistas

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Além de precisar lutar contra os negacionistas do aquecimento global, a comunidade científica também precisa evitar a propagação de crenças de “profetas do apocalipse climático”. Essas pessoas acreditam que o fim do planeta e da humanidade está próximo e não há nada que possa ser feito, mas cientistas apontam que não se trata da verdade.

Esse grupo, em inglês, chama-se “doomers’, e se localiza no lado oposto dos céticos de que o planeta está, de fato, sendo esgotado há séculos por conta da ação humana. Assim sendo, o discurso dos doomers está sendo reforçado com as constantes notícias sobre ondas de calor, secas intensas e grandes enchentes, como a chuva dos últimos dias no Paquistão, que levou mais de 1.100 vítimas.

O problema não é que o planeta não esteja enfrentando dificuldades, essa parte é verdade. No entanto, parte dos apocalípticos praticam o ato de disseminar desinformação. Em redes sociais como o TikTok, por exemplo, há desde a falsa mensagem de que tudo irá acabar em 10 anos até a ideia de que nada mais possa ser feito para salvar o planeta.

Assim, o tiktoker norte-americano Charles McBryde, que possui mais de 160 mil seguidores, disse em um vídeo no final de 2021 que “mais ou menos desde 2019 venho acreditando que há pouco ou nada que nós podemos fazer para realmente reverter a mudança climática em escala global”.

Então, alguns meses depois, McBryde fez um vídeo direcionado à necessidade de tomada de ações e de pressionar políticos, citando o presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Em entrevista à BBC, ele disse que não se considera mais um “doomer”. “Me convenci que podemos sair dessa”, afirmou o tiktoker.

O planeta precisa de ajuda

JULIAN MEEHAN/UPENN

Ainda assim, é importante destacar que os desafios de conter o aquecimento global realmente são gigantescos. Um dos problemas mais urgentes é limitar o aumento da temperatura mundial em 1,5ºC, em relação às medições pré-revolução industrial, até o ano de 2030. Enquanto isso, as ações de governos e grandes empresas em direção a uma economia verde se mostram insuficientes nesse cenário.

Porém, o climatologista norte-americano Michael E. Mann teme que a popularização da narrativa apocalíptica se transforma em algo pior. Afinal, se a população acreditar que não há motivo para agir, a “profecia” se realiza. Ele chama isso de inativismo, ou seja, jogar a toalha enquanto ainda é possível fazer algo.

Para o climatologista, a ideia de que nada possa ser feito favorece a indústria dos combustíveis fósseis, que visa ganhar tempo e evitar a perda de mercado enquanto o mundo faz sua transição para uma estrutura sustentável, o que já está em ação.

“Tudo isso reflete uma miopia egoísta, um benefício financeiro de curto prazo para poucos à custa de um sofrimento de longo prazo para todos nós. É difícil encontrar vilões piores do que negacionistas do clima e aqueles que querem adiar as ações”, diz Mann à BBC News Brasil.

A humanidade

O geofísico e professor da Universidade da Pensilvânia é um dos responsáveis por uma pesquisa do final dos anos de 1990 considerada chave no entendimento de como o humano influencia no aquecimento global. O estudo contém o famoso gráfico apelidado como “taco de hóquei” por conta de seu formato.

Assim, Mann dedica seu livro The New Climate War: The Fight to Take Back Our Planet (em tradução livre, A Nova Guerra do Clima: A Luta para Ter de Volta o Nosso Planeta; sem edição brasileira) e suas falas públicas a combater a crença de que tudo está perdido.

Por exemplo, ele destaca uma notícia positiva que não ganhou a atenção do público como deveria. Um relatório de 2021, do Painel Intergovernamental sobre Mudnaças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), da ONU, desbancou uma ideia antiga de que, se interrompêssemos todas as emissões de gases agota, a temperatura global iria continuar subindo por 30 a 40 anos.

O estudo revelou que a interrupção imediata do acúmulo de carbono na atmosfera teria efeitos positivos em muito menos tempo: num período de 3 a 5 anos. Logo, em uma perspectiva a longo prazo, os efeitos de ações em prol do meio ambiente são “imediatos”.

Fonte: BBC

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