Como o aquecimento global afeta a transmissão de vírus entre espécies?

A geração atual tem fixo na mente o peso de se viver uma pandemia ocasionada por um vírus. Sendo assim, ninguém gostaria de ser levado para o período entre o fim de 2019 e o começo de 2020. Por isso, precisamos estar sempre atentos ao que os estudos nos dizem a respeito dos riscos de se ter novos contágios em massa.

Nesse sentido, cientistas americanos e sul-africanos estão calculando os impactos do aquecimento global na transmissão de vírus entre espécies diferentes. Foi isso que aconteceu durante o surgimento da Covid-19, e segundo os pesquisadores, a tendência é que as mudanças climáticas façam essas passagens entre animais distintos se tornarem cada vez mais constantes. Os dados estão na revista científica Nature.

Fonte: Anna Shvets

A nociva destruição de habitats

Em resumo, o artigo descreve que, até 2070, as transmissões de vírus entre espécies distintas deve aumentar em até 4 mil vezes. Com isso, surge uma forte tendência de que os seres humanos se incluam nesses ciclos de contágio. De acordo com a microbiologista Natália Pasternak, as elevações das  temperaturas globais ocasionam contatos indesejáveis.

“Com o aumento da temperatura, muitas espécies devem mudar seu habitat e procurar climas mais adequados. Nessas condições, animais que nunca se encontraram antes começam a conviver, aumentando a probabilidade de troca de vírus entre eles – o que cresce também a probabilidade de alguns desses vírus chegarem a nós”, explica ela à revista Veja. 
Conforme informam os cientistas, entre os mamíferos circulam cerca de 10 mil tipos de vírus capazes de infectar os humanos. Em suma, esse contato com pessoas é comum, tendo como prova as epidemias de dengue e de zika vírus. Todavia, o aquecimento global está aumentando a velocidade desse processo. Além disso, essa aceleração fomenta a ocorrência de mutações, o que pode deixar os micróbios ainda mais nocivos a nós.

Fonte: Brasil Escola

Para chegar a essas análises, o estudo fez um engajado acompanhamento de 3.139 espécies. No estudo, a busca foi por averiguar os movimentos que esses animais estavam fazendo pelos territórios. Nesse sentido, o que os especialistas mais destacaram é que animais como os morcegos mudavam de ambiente com muita facilidade.
Portanto, o que a pesquisa conclui é que as metas de redução do aquecimento ainda estão muito discretas diante do desafio que se tem. “Essa transição ecológica já pode estar ocorrendo, e manter o aquecimento do planeta abaixo de 2 graus até o fim do século não vai reduzir esse espalhamento viral”, escreve o artigo.

Previsões pessimistas

Apesar de vários alertas serem emitidos, líderes mundiais ainda engatinham na efetiva redução de gases de efeito estufa. Em novembro do ano passado, aconteceu a COP26, cúpula climática da ONU que registrou promessas de conseguir manter a elevação da temperatura abaixo de 1,9ºC, um número melhor que a meta de 2ºC.

Fonte: ACN

Essas previsões se deram com gancho nos objetivos de longo prazo que as nações firmaram na reunião. A título de exemplo, a Índia visa zerar suas emissões até o fim de 2070, ano em que os vírus podem passar de um animal para outro em um ritmo 4 mil vezes maior do que hoje.

Porém, a Climate Action Tracker mostrou que esse otimismo não tinha base real. Isso porque os acordos de curto prazo firmados são insuficientes, e deixariam ocorrer um aumento de 2,4ºC na temperatura global. Sem dúvidas, isso seria um desastre para o planeta e para os seres humanos.

Basicamente, essa elevação aumentaria o nível do mar por conta do derretimento das geleiras e ainda provocaria secas em diversas partes do mundo. Além disso, as tempestades seriam cada vez mais violentas, o que geraria inundações ainda mais graves. Agora, com o estudo que dá título a essa matéria, colocamos nessa cesta de efeitos o risco de novas pandemias com vírus que estavam em outras espécies.

Fonte: Veja Saúde, Um Só Planeta.

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