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O dia em que a Europa teve uma epidemia de dança

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A história humana conta uma uma imensa variedade de cenas estranhas e até inexplicáveis. Uma delas ocorreu em 1518, na Europa. Naquele ano, a população saiu às ruas e dançou em um frenesi de corpos. Por noites aparentemente intermináveis, as pessoas suaram e dançaram até a exaustão, chegando a limites inimagináveis da loucura humana. Por essa razão, o episódios ficou conhecido como a epidemia da dança, ou a praga da dança de Estrasburgo.

Tudo aconteceu no verão de 1518, quando as pessoas atravessaram as noites dançando em transe, levando alguns à exaustão e até à morte. Elas dançaram mesmo contra a própria vontade, mas algo as impedia de parar. Sendo assim, a provável explicação para o episódio da epidemia da dança envolve a complexa mente humana.

De acordo com um relato escrito na década de 1530 por Paracelso, físico suíço que viveu em meio à Renascença Alemã, a epidemia teve um ponto inicial. Este foi quando uma mulher solitária saiu de casa e começou a dançar sozinha por vários dias, sem parar. No prazo de uma semana, dúzias de pessoas se reuniram a ela por alguma razão aparentemente inexplicável. Logo, o acontecimento era comparável a uma tortura para quem observava a estranha cena.

Sangue superaquecido

Para os médicos da época, o primeiro diagnóstico foi que o fenômeno seria um resultado de “sangue superaquecido” no cérebro. Então, eles aconselharam as pessoas a continuarem dançando em ritmo frenético até que a suposta doença saísse do corpo. No entanto, por causa do desgaste físico e mental, muitos morreram nessa epidemia da dança.

Portanto, não demorou muito para que o conselho médico da cidade percebesse que haviam errado em seu diagnóstico. Depois, disseram que as pessoas atingidas foram vítimas da “ira sagrada”. Logo, por conta desse novo diagnóstico, as autoridades levaram as pessoas afetadas a um santuário dedicado ao católico São Vito, localizado nas colinas da cidade vizinha de Saverne.

Lá, vestiram sapatos vermelhos e ficaram em torno de uma estatueta de madeira do santo. Assim, nas semanas seguintes, de acordo com relatos da época, os movimentos selvagens cessaram e a epidemia da dança chegou ao fim.

Teorias sobre a epidemia

Reprodução

Com os escritos sobre a estranha cena que se deu em 1518, acreditou-se que as pessoas da cidade de Estrasburgo foram vítimas de intoxicação por um fungo do centeiro relacionado ao LSD. A droga, por sua vez, pode causar alucinações e contrações violentas.

Contudo, descartou-se essa hipótese, visto que os efeitos não permitiriam que a dança continuasse por tanto tempo. Além disso, promessas religiosas também não oferecem uma teoria plausível. Isso porque era nítido para os observadores que os “doentes” não queriam dançar.

Por essas razões, a explicação mais provável e aceita entre pesquisadores é de que o povo de Estrasburgo foi vítima de uma doença psicogênica, também chamada de “histeria em massa”. Esse distúrbio é responsável por fazer um grupo de pessoas apresentar sintomas ou atitudes parecidas ao mesmo tempo.

Assim sendo, outro caso parecido aconteceu nos conventos europeus antes do início de 1700. Na ocasião, as freiras se contorciam, convulsionaram, espumaram pela boca, faziam gestos obscenos, subiam em árvores e até miavam como gatos.

Contexto cultural

Logicamente, o comportamento delas parecia completamente imprevisível, mas as freiras estavam imersas em comunidades que as encorajavam a ficar obcecadas pelo pecado. Além disso, elas viviam em um ambiente de sobernaturalismo místico, assim como os moradores da cidade de Estrasburgo.

Isso porque a cidade francesa, no início dos anos 1500, vivia em um momento propício para surtos psicogênicos. Eles vivam conflitos sociais e religiosos, crises sanitários, fracassos na colheita e crise econômica, assim como miséria generalizada. Logo, essas condições são ideias para que acreditassem que Deus estava enviando sua ira sobre a população.

Para que ocorresse a epidemia da dança, os devotos, emocionalmente frágeis, precisaram acreditar que São Vito desejava que a população sofresse com dança ininterrupta. Manter os moradores visíveis em praça pública, sob ordem das autoridades, inicialmente, possibilitou que os demais entrasse no surto por medo.

Por sorte, a epidemia da dança de 1518 foi o último desse tipo na Europa, principalmente por conta do enfraquecimento das estruturas de crença que sustentaram a histeria. Com isso, o episódio é um ótimo exemplo de como o contexto cultural pode afetar como humanos expressam o sofrimento psicológico.

Fonte: Hypness

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