O que acontece quando alguém põe a cabeça em um acelerador de partículas?

POR Magno Oliver    EM Ciência e Tecnologia      22/05/15 às 22h01

Você já viu um acelerador de partículas? Já teve vontade de jogar algum objeto ou mesmo colocar a sua cabecinha em um negócio desse? Sim, alguém já teve essa vontade e realizou esse desejo antes de você que está lendo esta matéria, agora. A radiação dentro de um acelerador de partículas é muito grande e já faz algum tempo que o mundo tem conhecimento sobre os males que tal exposição pode causar à nossa saúde.

Esse é um daqueles casos quase inacreditáveis que raramente acontecem por aí. Mas em 1978, o cientista russo Anatoli Petrovich Bugorski teve a cabeça atravessada pelo feixe de prótons de um modelo de acelerador de partículas de um programa soviético e, incrivelmente, o cara sobreviveu para contar essa história.

Esse foi um dos registros conhecidos na história de pessoa "atingida" por um raio de um acelerador e que o resultado não era o que os pesquisadores esperavam, bom para o Anatoli e surpresa para os cientistas. Ao invés de uma morte certa, Anatoli Petrovich Bugorski saiu relativamente sem algum tipo de dano grave, mas com apenas algumas condições médicas que não ameaçam (muito) sua vida.

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O Acidente

No dia 13 de julho de 1978, Bugorski verificava uma peça do equipamento que estava com defeito. Pelo modo como ele se inclinou para olhar a peça, ficou com a cabeça presa através da parte do acelerador na qual o feixe de prótons é acionado. Ele foi atingido e, segundo seu relato, viu um flash que era "mais brilhante do que mil sóis", mas não sentiu nenhum tipo de dor quando isso aconteceu. O feixe media 2.000 grays (unidade de radiação absorvida; 1 gray = 1 joule/kg) ao entrar no crânio de Bugorski, e cerca de 3.000 grays quando saiu do outro lado.

Efeitos

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Apesar de muitos cientistas desconfiarem que os aceleradores de partículas têm a capacidade de destruir o planeta, por conta da capacidade de criar muita energia em colisões de partículas poderosas,  os especialistas garantem que eles são bastante inofensivos para os seres humanos. O raio entrou na parte de trás da cabeça de Bugorski e saiu próximo a seu nariz. Em seguida, o lado esquerdo de seu rosto começou a ficar inchado.

O cara foi levado para o hospital e acompanhado por uma super equipe médica de perto, principalmente porque os médicos esperavam que morresse dentro de poucos dias, no máximo. O desfecho foi que a pele da parte de seu rosto e de trás de sua cabeça onde o feixe o atingiu descascascaram ao longo dos próximos dias. Ele sobreviveu e com consequências menos graves do que qualquer um poderia imaginar.

O feixe de radiação na cabeça

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Apesar de ter sido atingido, Bugorski não teve sua capacidade intelectual afetada ou reduzida de forma nenhuma e o cientista chegou até a concluir um PhD após esse incidente. Porém, o físico chegou a perder a audição de seu ouvido esquerdo, passando a produzir um ruído desagradável e constante, a partir de então.

O efeito colateral mais estranho, entretanto, é o que aconteceu com o rosto do cientista. A parte atingida foi ficando lentamente paralisada nos dois anos seguintes ao acidente e congelou no tempo. Hoje, Bugorski tem apenas um lado do seu rosto envelhecido, enquanto a outra metade parece não ter sentido a passagem dos anos. hoje em dia o cara continua vivo, é casado e tem um filho para cuidar ao lado de sua esposa.

 

Magno Oliver
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL

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