Oceanos se tornam uma panela de água no fogão

Com o passar dos anos, o planeta vem sofrendo com o aumento da poluição e mudanças em ecossistemas causadas pelo ser humano. Tanto os animais quanto os homens sofrem as consequências nesse processo e isso pode ser visto nos mais variados lugares. Como, por exemplo,  o fato de os oceanos estarem se tornando uma panela de água em cima de um fogão.

Conforme apontam estatísticas, esse ano os recordes de temperaturas médias globais irão ser batidos novamente. E isso também irá ser visto nos mares e oceanos. Na realidade, as consequências já são vistas, já que nas últimas décadas tem acontecido um aquecimento sem parar, o que torna os oceanos como panela de água em um fogão e ameaça a vida marinha e das pessoas que vivem perto das costas.

Oceanos se tornando panela de água

O eco

De acordo com estudos científicos, nas últimas seis décadas, os oceanos perderam 2% do oxigênio. E porque eles absorveram até ⅓ da poluição causada pela queima de combustíveis fósseis, como gasolina, diesel e carvão, as águas deles estão cada vez mais ácidas.

Essa taxa teve um aumento de 30% desde os tempos pré-industriais e pode chegar a  170%, em 2100. Dentre as várias consequências que isso acarreta, animais como mexilhões, mariscos e ostras, estão desenvolvendo conchas mais finas e fracas e se reproduzido menos.

Além disso, outros problemas como aumento das temperaturas, poluição por esgotos, lixo plástico, químicos industriais e agrícolas, já fizeram com que aproximadamente meio milhão de zonas se tornassem mortas ao longo dos litorais do mundo todo. Esses locais estão quase sem vida marinha e ficam também sem turistas.

“Animais e plantas jovens são demasiado frágeis para sobreviver a tais mudanças e morrem”, destacou o Relatório sobre o Estado do Oceano, que foi o segundo desse tipo lançado pelas Nações Unidas.

Os oceanos estarem se tornando uma panela de água em um fogão não é a única preocupação. Com relação a biodiversidade, o plástico é uma das grandes preocupações visto que são estimadas de 1,1 milhão a 4,9 milhões de toneladas de plástico flutuando nos mares e oceanos. Essa quantidade enorme acaba com a vida marinha. Para se ter uma noção, desde 1970, de 20% a 35% dessas “florestas marinhas” foram perdidas por conta das ações humanas.

Situação dos oceanos

O eco

O aumento da temperatura média dos oceanos, de 2023 até os primeiros meses de 2024, foi o mesmo visto nos últimos 10 anos. Ele foi batizado de “febre do oceano”, justamente por fazer os oceanos se tornarem panelas de água em um fogão, e isso não perdoa os continentes.

No caso do Atlântico Sul e toda a costa brasileira, a temperatura está em torno de 2ºC acima da média histórica. Por conta disso, a movimentação continental do ar quente e frio, a formação de nuvens e até os “rios voadores” são desregulados.

“Um oceano ‘febril’ contribuiu para uma série de catástrofes climáticas no Brasil nos últimos anos, em especial de chuvas intensas”, destacou Ronaldo Christofoletti, do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), presidente do Grupo de Especialistas em Alfabetização Oceânica da Unesco e único autor brasileiro no relatório das Nações Unidas.

Os oceanos mais quentes são responsáveis por 40% do aumento global do nível do mar. Isso acontece porque a água encolhe conforme ela esfria e se expande quando aquece. Além disso, 90% do excesso de calor é absorvido pelos oceanos.

Ainda conforme o relatório, a elevação dos oceanos duplicou nas últimas décadas. Isso tem relação com uma quantidade maior de frentes frias no litoral do nosso país. “A somatória de aumento do nível do mar com frentes frias tem relação direta com impactos nas cidades costeiras brasileiras, incluindo a discussão recente sobre a PEC 3/2022, dos Terrenos de Marinha”, pontuou Christofoletti, da UNIFESP e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza da Fundação Grupo Boticário.

Proteção

O eco

Uma das formas mais eficazes de não deixar que os oceanos fiquem ainda mais como panelas de água em um fogão são as áreas protegidas. Elas combatem a perda de biodiversidade, a subida das temperaturas e do nível do mar.

Além disso, ter uma boa educação, política e comunicação pode ser uma grande porta para que o futuro seja melhor do que o presente.

Fonte: O eco

Imagens: O eco

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