
A primeira participação de atletas de alto nível do Brasil em Olimpíadas foi em Antuérpia, na Bélgica, em 1920. Aquela Olimpíada foi a sexta desde a restauração e renovação do antigo torneio em 1896.
Nosso País enviou uma equipe composta por 21 atletas, todos homens, competindo em 5 modalidades: natação, pólo aquático, remo, mergulho e tiro.
Os atletas brasileiros cruzaram o Atlântico no navio alemão Curvello. Perto da Europa, o chefe da equipe de tiro esportivo, Afrânio Costa (1892-1979), fez cálculos e constatou que, naquele momento, chegaria ao destino no dia 5 de agosto, ou seja, oito dias depois do início da competição.
O jornalista Marcelo Duarte, autor de O Guia Curioso – Jogos Olímpicos (Panda Books, 2004), estuda os jogos e explicou mais sobre esse episódio. Segundo ele, os atletas desceram em Lisboa e continuaram de comboio.
Os atiradores não só chegaram aos Jogos Olímpicos, mas também conquistaram as três primeiras medalhas do Brasil: ouro, prata e bronze.
104 anos depois, o Brasil soma 150 medalhas: 37 de ouro, 42 de prata e 71 de bronze. Em Tóquio 2020, superou o total de medalhas da mesma edição: 21, diante das 19 no Rio 2016.

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Também alcançou a melhor posição (12º lugar) e igualou o número de medalhas de ouro (sete, no Rio 2016). Dessas sete medalhas de ouro, uma foi para a ginasta Rebeca Andrade, de 25 anos.
Em Tóquio, ela se consagrou na história. E quem disse isso foi Nadia Comaneci, 62. Nove vezes medalhista olímpica – 5 de ouro, 3 de prata e 1 de bronze – a ginasta romena postou em suas redes sociais que estava orgulhosa de Rebeca.
E ela continuou. Rebeca se tornou a primeira campeã olímpica de ginástica do Brasil. Assim, com medalhas de ouro e prata na prova individual, ela também se tornou a primeira brasileira a conquistar duas medalhas na mesma Olimpíada.
Em entrevista, ela conta qual a parte mais difícil na preparação de uma atleta de alto nível. Em tom de piada, diz que são todas. Para competir, Rebeca diz que precisa encontrar um equilíbrio entre corpo e mente, ou não vai dar certo. Essa ginasta treina desde os 4 anos e recebe apoio emocional desde os 13 anos.

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Em Tóquio 2020, outra “gigante” da ginástica olímpica, Simone Biles, de 1,42m de altura, surpreendeu a todos ao anunciar que deixaria de participar de outras provas para cuidar de sua saúde mental.
Em entrevista coletiva, ela disse que não são apenas atletas de alto nível, mas também seres humanos. Por isso, precisou dar um passo para trás.
Em sua primeira participação nas Olimpíadas, no Rio 2016, a americana, que tinha apenas 19 anos, conquistou quatro medalhas de ouro e uma de bronze. Sua fala repercurtiu grandiosamente. Ela disse não ser a ‘próxima Usain Bolt ou a próxima Michael Phelps’. Ela era a primeira Simone Biles.
Em Tóquio 2020, a atleta de 24 anos deverá conquistar mais 5 medalhas de ouro, igualando o recorde da ginasta soviética Larisa Latynina, que recebeu 9 medalhas de ouro em 3 provas: Melbourne em 1956, Roma em 1960 e Tóquio em 1964.
A psicóloga Katia Rubio, coordenadora do Grupo de Pesquisa Olímpica (GEO) da Universidade de São Paulo (USP) comentou sobre essa pausa na carreira. Ela também foi campeã olímpica dos 800m em Los Angeles, em 1984.
A profissional diz que Joaquim Cruz gosta de chamar a ansiedade como ‘O Dragão Dentro de Mim’. O especialista disse que se não aprendesse a controlá-lo, perderia os testes, não contra os seus adversários, mas contra si mesmo.
Há três anos, Biles tirou o esqueleto do armário. Também conhecida como Síndrome de Burnout Ocupacional, o distúrbio emocional se caracteriza pelo esgotamento excessivo. Ele é um espectro que há muito tempo assombra a vida dos atletas. Um deles é Michael Phelps, que completa 38 anos este ano.
Com 23 medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze, o nadador é um dos atletas de alto nível com mais medalhas olímpicas de todos os tempos. No entanto, em 2020, em entrevista à ESPN, Phelps revelou que, quando estava deprimido, pensava em suicídio.
Isso logo depois de competir em Londres em 2012 e conquistar mais quatro medalhas de ouro e duas de prata. Ele disse que não era fácil admitir não ser perfeito. No entanto, ‘tirou um peso de seus ombros’, disse na época.
Os problemas de saúde mental não vão desaparecer, e Phelps dizia que alguns dias eram bons.
Os pensamentos suicidas são uma doença que afeta 24% dos atletas de alto nível. Destes, 6% tiveram pensamentos suicidas. É o que diz pesquisa do Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Além disso: 8% não conseguiam dormir à noite, 14% sofreram abuso sexual, 16% relataram sintomas de ansiedade e 30% admitiram sofrer de depressão. O estudo foi realizado com 148 atletas e 106 treinadores.
Alexandre Conttato Colagrai é autor do estudo e comentou sobre. Ele diz que o atleta olímpico é um ‘gladiador moderno’. Enquanto para nós, que assistimos, é entretenimento, para eles é trabalho.
Imagine trabalhar 24 horas por dia, sete dias por semana, em condições de alto estresse?
Outro estudo da Universidade de Toronto, no Canadá, revelou que 4 em cada 10 atletas canadenses sofrem de depressão, ansiedade e distúrbios alimentares.
Especificamente, os pesquisadores descobriram que 31,7% dos entrevistados disseram ter sintomas de depressão. Enquanto isso, 18,8% disseram ter ansiedade e 8,6% disseram ter anorexia alimentar ou bulimia.

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Para os dois atletas de alto nível mais famosos do Brasil, o maior desafio é mental. O marinheiro Robert Scheidt, 51 anos, ensinou que precisa ‘ser forte nos momentos difíceis.’
Ao lado de Torben Grael, de 63 anos, ele é o maior atleta olímpico do país: duas medalhas de ouro (Atlanta 1996 e Atenas 2004), duas medalhas de prata (Sydney 2000 e Pequim 2008) e uma medalha de bronze (Londres 2012).
Sheidt conta que a espera pelo prêmio é uma mistura de emoções. Eles sentem motivação e pressão. Por isso, saber como lidar com o estresse é a chave para o sucesso.
Sheilla Castro, 40 anos, assinou abaixo. A medalhista de ouro em Pequim 2008 e Londres 2012 também recomenda preparo mental para ter a mínima chance de vencer.
Atualmente, ela integra a comissão técnica da seleção feminina de vôlei. Quando perguntam sobre um conselho, ela diz para ‘confiar nela’ quando diz que o psicológico é uma das partes mais importantes.
Por isso, mesmo atletas com currículos olímpicos invejáveis, como Bruno Rezende, ouro no Rio 2016 e prata em Pequim 2008 e Londres 2012, procuram mentores como Giuliano Milan.
A necessidade mais urgente é controlar o estresse e a ansiedade, explica Milan. Para tomar melhores decisões em campo, os especialistas ensinam relaxamento e concentração.
Assim como Bruninho, a velejadora Martine Grael, de 33 anos, entende a pressão de ser atleta.
E, como o jogador de vôlei, também é filha de um campeão olímpico. Se o carioca é herdeiro de Bernardinho (medalha de prata em Los Angeles 1984), então Martine pertence a Torben Grael (medalha de ouro em Atlanta 1996 e Atenas 2004, medalha de prata em Los Angeles 1984 e medalha de bronze em Seul 1988 e Sydney 2000).
Ela diz que ‘só fazer não basta, é preciso fazer bem’. Essa é uma das lições que ela diz ter aprendido com seu pai. Hoje, é bicampeã olímpica no Rio 2016 e em Tóquio 2020. Martine nunca está satisfeita, e sempre busca fazer melhor, mas, claro, tudo com acompanhamento psicológico.
Fonte: Revista Galileu






