Parafusos, porcas e chaves: médicos retiram mais de 450 objetos de metal de estômago de homem no Irã

Um grupo de profissionais de saúde do Hospital Imam Khomeini, localizado em Ahvaz, no Irã, divulgou um estudo na Journal of Medical Case Reports esta semana, descrevendo a remoção de 452 objetos de metal  no estômago do corpo de um paciente de 36 anos.

Segundo o artigo, o paciente, de origem caucasiana, procurou o hospital queixando-se de dores crônicas no abdômen, vômitos frequentes e dificuldade para ingerir líquidos e alimentos.

Os familiares relataram que ele havia ingerido peças metálicas há três meses antes de ser levado ao hospital.

Via Globo

Os profissionais de saúde pediram exames de radiografia e endoscopia, identificando diversos objetos metálicos que obstruíram o estômago do paciente.

Apesar disso, ele mantinha sinais vitais estáveis e estava consciente. No total, foram encontrados 452 parafusos, porcas, chaves, pedras e outras peças metálicas, totalizando 2,9 quilos.

Após cinco dias da remoção dos itens, o homem foi transferido para o setor de psiquiatria em boas condições gerais e recebeu o diagnóstico de psicose.

Conforme a pesquisa, seu estado de saúde poderia ser restabelecido com acompanhamento adequado.

Os médicos que realizaram a cirurgia e são autores do estudo explicaram que a ingestão de objetos estranhos pode ocorrer de forma consciente ou não em pacientes com distúrbios mentais.

Na maioria dos casos, o objeto passa pelo esôfago lentamente e sem complicações, porém, em alguns casos, ele pode ficar alojado no corpo do indivíduo, necessitando de intervenção cirúrgica.

Transtorno Pica

O distúrbio em que as pessoas comem objetos não alimentares, como parafusos, é conhecido como Pica.

A Pica é um transtorno alimentar caracterizado pelo consumo persistente de substâncias que não têm valor nutritivo e não são comestíveis. Os objetos ingeridos podem variar bastante, incluindo terra, argila, giz, cabelo, metal, vidro, entre outros.

Para receber o diagnóstico de Pica, a pessoa deve apresentar esse comportamento por um período de pelo menos um mês. Além disso, deve ser inadequado para o estágio de desenvolvimento da pessoa. Por exemplo, não é Pica quando bebês, que ainda estão explorando o mundo, colocam objetos na boca.

No caso do paciente com objetos de metal no estômago, pode ser um caso a passar por investigação dos seus médicos.

Esse transtorno pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas é mais comum em crianças, grávidas e pessoas com deficiência intelectual.

As causas da Pica não são completamente compreendidas, mas podem estar relacionadas a deficiências nutricionais, condições de saúde mental (como transtorno obsessivo-compulsivo ou esquizofrenia), fatores culturais, ou stress emocional.

Tem tratamento?

O tratamento da Pica geralmente envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir terapia comportamental, tratamento de deficiências nutricionais subjacentes.

Em alguns casos, a medicação para tratar problemas de saúde mental associados.

Via Freepik

É importante tratar a Pica porque a ingestão de objetos não alimentares pode levar a sérias complicações de saúde, como intoxicação, perfurações no trato digestivo, e obstruções intestinais.

Além disso, no caso do paciente com mais de 450 objetos de metal no estômago, foi necessário cirurgia. Ele ainda passará pela recuperação tradicional que esses procedimentos exigem.

Ou seja, repouso, acompanhamento na internação e outros procedimentos antes da alta para descanso em casa. Ainda, por se tratar de uma situação com problemática no estômago, ainda terá o gerenciamento da ingestão de alimentos.

A longo prazo, pacientes com Pica costumam ter problemas alimentares, pela dificuldade em processar comidas sólidas e bebidas, além de outras recorrências.

Apesar de ser um caso estranho, é fundamental monitorar esses pacientes, e garantir que eles tenham tratamento adequado.

Futuramente, se o paciente dos objetos de metal no estômago voltar a ter recaídas, pode sofrer ainda mais, por conta da cirurgia anterior. Por isso, a presença de um psicólogo e psiquiatra são essenciais para a plena recuperação e superação do distúrbio.

 

Fonte: Globo, Wikipedia

Imagens: Globo, Freepik

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