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Por que as pessoas continuam morrendo no Monte Everest?

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O Monte Everest tomou sua forma atual em algum momento nos últimos 2 milhões de anos, impulsionado pelas colisões entre as placas tectônicas indiana-australiana e eurasiana. Hoje, a cimeira do Everest eleva-se 29.000 pés acima do nível do mar e continua a crescer cerca de um quarto de polegada por ano. A existência da montanha tem sido crucial para os asiáticos que vivem nos arredores. Na década de 1850, a chamada “idade de ouro do alpinismo”, o Everest chamou a atenção dos ocidentais depois que um matemático indiano identificou-o como o pico mais alto do planeta. Dessa maneira, as pessoas se interessaram pela aventura. Nos 66 anos desde a mundialmente famosa expedição de Edmund Hillary, mais de 4.800 pessoas completaram a difícil jornada. Já outras 300 morreram tentando. Por mais que seja extremamente perigoso, por que continuam insistindo? E o pior: por que as pessoas continuam morrendo no Monte Everest?

Onze dessas mortes aconteceram apenas nas últimas duas semanas. Os alpinistas que faleceram vieram da Índia, dos Estados Unidos e da Europa. Um deles era um guia nepalês. Fotografias compartilhadas em todo o mundo nesta semana mostraram uma longa fila de alpinistas  subindo a crista final até o pico da montanha. Em maio, mês considerado como tendo as melhores condições para tentar a subida suicida, um recorde estimado de 810 pessoas chegaram ao topo. Assim sendo, o número de mortes só tende a aumentar. Vale o risco?

Possíveis explicações

Por que as pessoas continuam morrendo no Monte Everest? Um dos principais fatores que contribuíram para esta temporada de mortes tem a ver com a inexperiência dos alpinistas envolvidos, disse um guia à NBC News. “Eles não treinam muito. Eles subestimam o Everest“, disse Jangbu Sherpa, que trabalha no Everest desde 2006. “Há muitos alpinistas que só querem ir para que possam dizer que estão o topo do mundo”. Alguns operadores também não averiguam o nível de experiência dos escaladores e simplesmente aceitam qualquer um que possa arcar com o custo da jornada e da subida. Isso só complica mais as coisas.

O monte Everest, comumente conhecido como Sagarmāthā na região do Nepal, é a montanha de maior altitude da Terra. Subir ao topo não é mais uma conquista para os atletas de ponta que treinam durante anos antes de enfrentar o maior desafio físico de suas vidas. Não há exigência de aptidão física, apenas um requisito financeiro. “Quando vi a foto, foi um chute no estômago”, disse Alan Arnette, do Financial Times. Ele tentou subir cinco vezes e chegou ao cume duas vezes. “Não é isso que o montanhismo deveria ser. Não é isso que é ser um alpinista e certamente não é o que o Everest é”.

Escalar o Monte Everest é tão perigoso que um trecho no lado norte é chamado de “cume do arco-íris”. Não porque seja todo alegre e “brilhante”, mas porque todos os cadáveres cintilam por causa de seus equipamentos de escalada com cores vivas. É morbidamente colorido. Ainda assim, as pessoas escalam a montanha porque ninguém pensa que isso vai acontecer com elas.

Principais causas

Por que as pessoas continuam morrendo no Monte Everest? Você pode ficar tentado a acreditar que a principal causa de morte na montanha é a… queda pura e “simples”. No entanto, essa é apenas a segunda causa mais comum de morte. Segundo a BBC, a maioria das pessoas que morrem no Everest estava circunscrita em avalanches.

A terceira causa mais comum de morte na montanha é a exposição ou congelamento, que é responsável por cerca de 11% das fatalidades, seguido de perto pela “doença aguda das montanhas”. Cerca de 27% das mortes no Everest estão listadas como “outras”, que podem incluir coisas como queda de gelo, acidentes com corda, pneumonia ou até mesmo afogamento.

O Monte Everest é um dos lugares mais remotos da Terra. Dependendo de como você o mede, é o pico mais alto do mundo. É também um dos maiores desafios físicos do mundo – leva 10 dias apenas para chegar ao acampamento base no Nepal, seis semanas para se aclimatar e mais nove dias para subir ao topo. Também é caro – o valor mais baixo em dólar para uma expedição ao Monte Everest é de cerca de R$ 117.560,00, com um custo médio de cerca de R$ 254.710,00.

Segundo a National Public Radio (NPR), o que realmente está matando é o tráfego de pessoas. As circunstâncias são uma espécie de armadilha para turistas. No dia para a escalada ideal, você pode encontrar centenas de outros escaladores. Todos os quais estão tentando chegar ao mesmo ponto exato que a sua pessoa.

Por isso, você precisa esperar. E vamos ao óbvio: se ficar muito tempo na fila, você pode ficar sem oxigênio e acabar morrendo. Não importa o quanto você treine ou como está fisicamente apto, uma vez que alcance uma certa elevação, você estará gradualmente morrendo.

Quando o seu cérebro começa a falhar

“Quando você chega a cerca de 25.000 pés, seu corpo simplesmente não consegue metabolizar o oxigênio”, disse Grayson Schaffer, editor da revista Outside, à NPR. “Seus músculos começam a desmoronar. Você começa a ter fluido que se acumula em torno de seus pulmões e seu cérebro. Seu cérebro começa a inchar. Você começa a perder a cognição”.

Esses últimos 4.000 pés, na verdade, são chamados de “zona da morte”, porque é onde muitos escaladores perdem a vida. Alpinistas podem sofrer de ataque cardíaco, derrame e doença de altitude.  O fluido pode acumular nos pulmões, levando a edema pulmonar de altitude, o que provoca uma tosse que às vezes é tão grave que pode quebrar uma costela.

O baixo oxigênio também pode levar à cegueira transitória ou hemorragia nos vasos sanguíneos dos olhos. E toda a experiência é tão fisicamente desgastante que um estudo descobriu que os alpinistas do Everest perdem entre 4,5 kg a 9,07 kg.

Como o seu corpo começa a falar, o mesmo acontece com o cérebro. Escaladores podem experimentar edema cerebral em altitude elevada, o que pode causar vômitos e também prejudicar a consciência. De acordo com a Business Insider, os escaladores podem realmente esquecer que estão no Everest e começarão a fazer coisas irracionais. Alguns alpinistas podem até experimentar um tipo de psicose isolada. Isto é, sem outros sintomas de hipóxia.

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