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Por que cortes de papel são tão dolorosos?

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Quando pensamos em papel não os relacionamos a uma coisa perigosa. No geral, ele realmente é uma coisa inofensiva, mas qualquer um que já tenha folheado páginas muito rápido sabe que esse material também é capaz de causar muita dor. O papel, dependendo de como for manuseado, pode se tornar uma arma bastante cortante.

Você já se perguntou o motivo dos cortes de papel serem tão dolorosos? Na realidade, não existe muita pesquisa científica sobre esse assunto. Até porque, seria bem difícil encontrar voluntários para se submeter a esse tipo de acidente.

No entanto, a dermatologista Hayley Goldbach, da Universidade da Califórnia, pontua que através dos conhecimentos que se tem sobre a anatomia humana é possível explicar muita coisa.

Papel

Wikipedia

O ponto principal é que a dor por cortes de papel é uma questão de nervos. Primeiramente, as pontas dos dedos têm muito mais receptores de dor do que várias outras partes do corpo. Ou seja, pode ser incômodo um corte de papel no braço, por exemplo, mas a dor não se compara com as pontas dos dedos.

Isso se prova através de um teste feito por psicólogos e neurologistas. Basta pegar um clipe de papel e desdobrá-lo para que as duas extremidade apontem na mesma direção. Então, use o clipe para cutucar as mãos e o rosto. Como resultado, você verá que se sente cada uma das pontas de forma individual.

Os especialistas definem essa sensação como “discriminação de dois pontos”. Existem muitas terminações nervosas na pele nessas partes do corpo, e os pontos de contato teriam que ficar muito próximos um do outro para que não pudéssemos diferenciá-los.

Tudo isso faz sentido em termos de evolução. “As pontas dos dedos são como exploramos o mundo e executamos tarefas mais delicadas. A existência de muitas terminações nervosas por lá é uma espécie de mecanismo de defesa”, explicou Goldbach.

Dor

CNN

Além do que, é imaginável que o cérebro utilizaria mais estruturas neurais para monitorar de forma mais contínua ameaças às mãos. Até porque, elas são o vínculo principal do corpo para a interação com o mundo.

Por conta disso, a dor extrema que se sente quando alguma coisa machuca os dedos é fruto da evolução, que providencia o “encorajamento” para mantermos essas mãos a salvo.

Com relação aos cortes de papel, a olho nu eles podem parecer retos e suaves. Contudo, olhando com um zoom é possível ver que eles se parecem mais com uma serra do que com uma lâmina.

Portanto, quando o papel corta a pele ele deixa para trás um rastro de destruição caótico, ao invés de um corte reto e simples. O papel rasga e esfarrapa a pele.

Ademais, esses cortes são fundos o suficiente para conseguirem penetrar na primeira camada da pele, onde não existem terminações nervosas. Mas eles não vão tão fundo. Isso faz com que seja um paradoxo os cortes de papel doerem tanto.

Hipótese

Almanaque SOS

Contudo, é exatamente por isso que os cortes de papel são tão ameaçadores., visto que uma ferida maior resultaria em um sangramento bem maior. Nele, o sangue coagularia e formaria uma casca, sob a qual a pele se curaria.

Só que um corte de papel não provoca esse tipo de proteção. Portanto, os nervos que o corte de papel fez continuam expostos e ficam ainda mais “nervosos”. Assim, sem essa ajuda do sangue, os receptores de dor ficam expostos aos elementos e continuam enviando alarmes ao cérebro.

Embora tudo isso faça sentido, Goldbach ressalta que ainda é uma hipótese. Até porque, até agora, ninguém conseguiu prová-la.

Fonte: BBC

Imagens: Wikipedia, CNN, Almanaque SOS

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