
Você pode até lembrar de alguns acontecimentos da sua infância, mas certamente, não é de quando ainda era um bebê, no colo de sua mãe. Provavelmente, é de um evento em algum momento entre os dois e quatro anos de idade – período em que o cérebro começa a processar os pacotes de informação através dos complexos padrões neurais que conhecemos como memórias.
Mas não pense que os bebês não guardam lembranças! Claramente, eles se recordam de fatos no momento – como são seus pais, ou que se deve dizer “por favor” para sua mãe lhe dar doces. Isso é chamado de memória semântica, responsável por nossos conhecimentos acerca do mundo.
Um estudo reuniu 140 crianças com idade entre quatro e 13 anos. Na primeira fase do estudo, elas eram convidadas a contar as memórias mais antigas de que tinham lembrança. Dois anos depois, as crianças da pesquisa contaram novamente as lembranças mais antigas e tiveram ainda que estimar quantos anos elas tinham quando tudo aconteceu. Alguns pesquisadores notaram que as crianças mais novas trocaram as memórias velhas por mais recentes. Já as maiores mantiveram as mesmas lembranças. Foi concluído, portanto, que as crianças se esquecem dos primeiros anos de vida logo na infância. Mas porque isso acontece?

Até em algum momento entre as idades dois e quatro, no entanto, as crianças não possuem o que é chamado de memória episódica, ou seja, memória sobre os detalhes de um evento específico. Essas lembranças são armazenadas em várias partes da superfície do cérebro, ou córtex. Por exemplo, a memória do som é processada no córtex auditivo, nos lados do cérebro, enquanto a memória visual é gerida pelo córtex visual, na parte de trás.
Então por que crianças geralmente não registram episódios específicos até a faixa etária de dois a quatro anos? Pode ser porque é quando o hipocampo começa a “amarrar” os fragmentos de informação. E isso tem uma razão: a memória episódica pode ser desnecessariamente complexa em um momento em que a criança está aprendendo como funciona do mundo.

Até hoje, o que se tem são apenas teorias. Enquanto a neurociência aposta que o problema está no desenvolvimento do cérebro, a psicologia defende que a criança armazena memórias com uma linguagem diferente, não sendo possível acessá-las – embora elas ainda tenham impacto na vida e na formação da personalidade.
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Fonte: minhavida






