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Qual a sua responsabilidade no barulho que a árvore faz ao cair?

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Já se perguntou se tudo ao seu redor é real? E se nós estivermos vivendo uma ilusão criada por um cientista maluco que brinca com nossos cérebros em uma cuba cheia de líquido? Apesar dessas perguntas, o assunto aqui não é o filme Matrix, mas sim a árvore.

Sim, a árvore, que no dicionário se define como: planta lenhosa com caule ou tronco fixado no solo com raízes, despido na base e carregado de galhos e folhas na parte superior. Uma vez que ela cai, dois sons são possíveis, um grito de “madeira!” e o barulho daquela grande estrutura batendo no chão.

Com certeza, no caso do grito, ele só existe se houver alguém por perto para entoá-lo. Porém, e o barulho que a árvore faz durante a queda? Ele existiria mesmo se você não estivesse por perto para percebê-lo? Essa pergunta desencadeia discussões profundas na ciência e na filosofia!

Fonte: Significados dos Sonhos / Pinterest

Filosofando…

No século 17, um bispo irlandês chamado George Berkeley (1685-1753) acreditava que uma coisa só existe se alguém estiver por perto para notar a existência dela. Ou seja, se uma árvore cai na floresta amazônica e nenhum ser vivo está próximo para perceber o evento, essa ocorrência não existiu. Na verdade, se nenhuma mente está por perto, essa planta nem existe, na visão do sacerdote.

Por mais que a discussão aqui seja filosófica, ela foi inspirada pelas descobertas científicas da época em que foi germinada. Naquela época, o físico Isaac Newton havia descoberto que as cores existem como uma reflexão da luz branca que incide sobre os objetos. Em outras palavras, sem luz, não há cor.

Isso, na visão de imaterialistas como Berkeley, que lançava dúvidas quanto à existência material das coisas. “Será que elas existem mesmo ou é só meu cérebro interpretando dados?”, perguntas do tipo ganhavam corpo na época.

Fonte: Maestrovirtuale

Nesse sentido, René Descartes (1596-1650) vem antes de George Berkeley, mas também lança mão da dúvida se a realidade à nossa volta é realmente uma “realidade”. Para ele, todo conhecimento precisa ser questionado até chegar em um ponto em que não resta o menor resquício de dúvida.

Com certeza, estamos longe de alcançar esse patamar quando o assunto é entender nossa origem. Ou seja, na visão de Descartes, não há garantias o suficiente de que não estamos vivendo um sonho. Já imaginou acordar em um belo dia e descobrir que tudo que você viveu era só uma ilusão muito bem feita? Além disso, será que a árvore de fato caiu ou foi um sonho?

Podemos confiar na ciência?

Logicamente, a resposta é sim, pois essa área da vida humana permite a antecipação da humanidade aos fenômenos que o cosmos nos reserva. Inclusive, a ciência consegue delimitar com exatidão o caminho que o som da árvore caindo faz até chegar em nosso cérebro.

A propósito, o tronco sofre a queda, e junto com ele, partículas do ar sofrem vibrações. Estas chegam até o nosso ouvido externo, que captura essas ondas e as direciona para o tímpano. Por sua vez, essa estrutura repassa o som para três ossos minúsculos, e estes, com o balanço, movimentam o líquido do ouvido interno.

Em seguida, tal oscilação faz as células ciliadas da cóclea se moverem. Consequentemente, estímulos são levados até o nervo auditivo, o qual responde gerando impulsos elétricos em direção ao cérebro. Como resultado disso, na massa encefálica, o som é interpretado.

Fonte: Nervemed

Porém, mesmo com essa explicação científica detalhada, ainda sobra brechas para a filosofia do bispo Berkeley. O barulho da árvore caindo existe por si só ou precisa que estejamos por perto para percebê-lo e “darmos” existência a ele? Calma, as tentativas de responder essa questão ainda residem no campo da ciência.

A mecânica quântica

Hoje em dia, as pessoas utilizam a mecânica quântica para vários fins, da ciência ao charlatanismo. Em essência, essa subdivisão da física estuda as matérias e as energias em níveis subatômicos. Por isso, essa área inclui a observação dos elétrons, partículas extremamente minúsculas presentes no átomo.

Tais estruturas possuem uma propriedade chamada spin, que diz respeito ao sentido da rotação que um elétron adota ao ser imerso em um campo magnético. Antes de ser medidas, essas partículas possuem uma orientação dupla: para cima e para baixo.

No entanto, ao ser observado de perto, a conclusão que se chega é que o elétron segue apenas um dos dois sentidos possíveis. Portanto, esse campo da física foi visto como uma revolução por admitir a influência do observador no fenômeno estudado.

Sendo assim, pode ser que você, como observador, realmente tenha responsabilidade na existência do som da árvore caindo. Porém, a mesma mecânica quântica que te dá essa resposta também admite a existência de multiversos. Ou seja, quando uma árvore cai ou quando um raio toma o céu, pode ser que exista um outro universo em que aquilo não ocorreu. E nisso, ainda não é possível determinar sua contribuição.

Fonte: BBC, Mundo Educação, Nervemed

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