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Poeira da Lua será leiloada por até US$ 1,2 milhão

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Você já imaginou gastar milhões de reais para comprar a poeira da Lua? Mesmo que pareça algo improvável, partículas minúsculas de poeira lunar encontradas no estojo usado para proteger a primeira amostra coletada na Lua pela missão Apollo 11, em 1969, serão leiloadas por US$ 800 mil a US$ 1,2 milhão em abril.

A venda inclui cinco porta-amostras de alumínio, sendo que quatro deles contêm poeira lunar em sua superfície. Essas partículas são resquícios das primeiras amostras coletadas da Lua pelo astronauta Neil Armstrong, em 1969.

poeira

Bonhams

As partículas foram encontradas na bolsa de descontaminação usada para guardar as primeiras amostras lunares. Adam Stackhouse, especialista da Bonhams, que supervisionou as amostras, explica que elas se destinavam a fornecer uma pequena quantidade de material lunar à Terra, caso algo desse errado na Apollo 11, servindo como uma “amostra de contingência”.

As amostras da Lua

Todas as amostras que a NASA mantém sob sua propriedade têm 492 gramas de um material mais fino que 1 cm, além de 12 fragmentos de rocha um pouco maiores que isso. Já as partículas que vão a leilão não têm um peso estimado, pois individualmente não passam de alguns mícrons de tamanho.

Ainda assim, essas partículas têm um valor histórico inestimável, pois é uma conexão direta com a primeira vez que um ser humano pisou na Lua. A NASA, por outro lado, se opõe a isso e alega que todo material trazido com a Apollo 11 deve ser um Tesouro Nacional, e não uma propriedade privada.

A poeira lunar pode ser tóxica aos humanos?

Segundo informações da Revista Galileu, todos os astronautas da missão Apollo 17, a última missão tripulada a pousar na Lua em 1972, ficaram doentes. Uma poeira fina se agarrava a tudo e fazia com que as gargantas das 12 pessoas que caminharam em solo lunar e os olhos lacrimejassem. Com o tempo, começaram os espirros e a congestão nasal.

Um deles, Harrisson Schimitt, chamou a condição de “febre do feno lunar”, se referindo a uma espécie de rinite alérgica geralmente causada por grãos de pólen. Desde então paira a dúvida se o solo lunar seria tóxico para os seres humanos, o que tornaria bem mais difícil qualquer tentativa de colonização.

Unsplash

“Não sabemos o quanto essa poeira é ruim. Tudo se resume a um esforço para estimar o grau de risco envolvido”, diz Kim Prisk, fisiologista pulmonar da Universidade da Califórnia, com mais de 20 anos de experiência em voos espaciais tripulados. Ele faz parte de um grupo de 12 cientistas ligados à Agência Espacial Europeia que estudam quão perigosa é a poeira lunar.

Esse tipo de poeira contém silicato, um material encontrado em corpos planetários com atividade vulcânica. Pessoas que trabalham em minas na Terra sofrem com pulmões inflamados e com cicatrizes causadas pela inalação do silicato. Na Lua, o pó é tão abrasivo que devorou ​​camadas de botas de traje espacial e destruiu as vedações a vácuo dos contêineres de amostras da Apollo. São como microscópicas agulhas de vidro.

A baixa gravidade da Lua, um sexto do que temos na Terra, permite que pequenas partículas permaneçam suspensas por mais tempo e penetrem mais profundamente no pulmão. “Partículas 50 vezes menores que um fio de cabelo humano podem ficar por aí por meses dentro de seus pulmões. Quanto mais tempo a partícula permanecer, maior a chance de efeitos tóxicos”, explicou Prisk.

NASA

A Lua não tem atmosfera e é constantemente bombardeada pela radiação do Sol, que faz com que o solo se torne eletrostaticamente carregado. Essa carga pode ser tão forte que a poeira levita acima da superfície lunar, tornando ainda mais provável que ela entre no equipamento e nos pulmões das pessoas.

A poeira lunar é preocupante quando atinge os astronautas que pisam na Lua. Em relação às partículas trazidas para a Terra, ainda não há nenhum registro de toxicidade relatada de modo a interferir na saúde do corpo humano. Já se tratando da poeira que será leiloada, ela permaneceu isolada por muito tempo e, por isso, não esteve em contato com pulmões humanos com frequência. Desse modo, é difícil avaliar se ela pode oferecer algum risco para aqueles que a manuseiam na Terra.

Fontes: Canal Tech e Revista Galileu

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