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Sepultamento humano mais antigo é descoberto em uma caverna africana

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Não há dúvida, as constantes descobertas arqueológicas têm ajudado a definir cada vez mais o passado. É por meio dessas descobertas, que entendemos melhor as culturas que fizeram parte da história, e é por conta dos inúmeros estudos científicos, que mudamos completamente a nossa compreensão do passado.

Parte dos mistérios que norteiam os acontecimentos históricos foram revelados pela sede incessante dos pesquisadores, que buscam incansavelmente respostas para uma gama de lacunas.

Como ainda temos muito o que aprender sobre o passado as descobertas arqueológicas nunca param. Como por exemplo, a descoberta feita no que hoje é o Quênia, de uma criança de três anos que morreu há aproximadamente 78 mil anos.

Sepultamento

Nossa história está cheia de humanos mortos e ancestrais humanos de todas as idades. Até porque morrer é a única certeza da vida. Contudo, essa criança é especial.

Segundo evidências sugerem, ele ou ela foi sepultado cuidadosamente em um enterro na entrada da caverna Panga ya Saidi. Por isso, essa criança, chamada pelos arqueológicos de Mtoto, é o primeiro exemplo conhecido de sepultamento deliberado feito pelos humanos modernos na África.

“Assim que visitamos Panga ya Saidi pela primeira vez, sabíamos que era especial. O local é realmente único. Repetidas temporadas de escavação em Panga ya Saidi agora ajudaram a estabelecê-lo como um local-chave para a costa da África Oriental, com um extraordinário registro de 78.000 anos de cultura, tecnologia e atividades simbólicas”, disse a arqueóloga Nicole Boivin, do Instituto Max Planck de Ciência da História Humana.

Esses restos mortais foram descobertos, pela primeira vez, em 2013 aproximadamente três metros abaixo do chão da atual caverna. Ele estava em uma espécie de poço, que indicava que tinha sido enterrado. Os ossos eram tão pequenos, frágeis e decomposto que  não puderam ser escavados na época.

Foi somente em 2017 que eles puderam ser retirados, ali mesmo no loca, para serem levados até o laboratório do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana (CENIEH) da Espanha para serem escavados e analisados de uma forma mais detalhada.

“Começamos a descobrir partes do crânio e da face, com a articulação da mandíbula intacta e alguns dentes não irrompidos. A articulação da coluna vertebral e das costelas também foi surpreendentemente preservada, conservando até a curvatura da caixa torácica, sugerindo que se tratava de um sepultamento imperturbado e que a decomposição do corpo ocorreu bem na fossa onde foram encontrados os ossos”, disse a arqueóloga María Martinón-Torres, do CENIEH.

Análise

E através de dois dentes descobertos na análise, a equipe consegui confirmar a idade da criança. E com exames microscópicos e químicos dos ossos e sedimentos que estavam ao redor do cadáver, mais detalhes foram revelados.

A criança tinha sido colocada para descansar em um buraco coberto com sedimentos do chão da caverna. E como a decomposição aconteceu nesse buraco, o sepultamento não aconteceu muito depois da sua morte.

Além disso, o posicionamento dos ossos sugere que Mtoto foi enterrado sobre seu lado direito, com os joelhos dobrados até o peito e envolto em uma mortalha. Como nenhum vestígio dessa mortalha sobreviveu ao tempo, a equipe acredita que ela tenha sido feita de um material perecível.

E o deslocamento post-mortem da cabeça da criança sugere que algum tipo de suporte ou travesseiro, também feito de um material perecível, tenha sido colocado junto com a criança e se desintegrou com o tempo. Tudo isso sugere, de forma forte, que as práticas funerárias aconteceram no local de sepultamento.

Os sinais de sepultamentos deliberados foram encontrados em outros lugares do mundo, com idade de mais de 800 mil anos. Mas a maior parte deles eram de outras espécies do gênero Homo. Como por exemplo, Homo naledi e Homo neanderthalis.

Descoberta

Essa descoberta é significativa porque ajuda os pesquisadores a entenderem como o Homo sapiens tratava seus mortos desde cedo. Já que essas práticas tem ligações com a organização social, crenças e comportamentos espirituais.

“Esta descoberta levanta questões sobre a origem e evolução das práticas mortuárias entre duas espécies humanas intimamente relacionadas, e o grau em que nossos comportamentos e emoções diferem um do outro”, concluiu o antropólogo Michael Petraglia, do Instituto Max Planck.

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