
Você já ouviu falar na Síndrome Truman? Apesar de ser pouco discutido, esse fenômeno não é tão incomum e envolve pessoas que acreditam viver constantemente dentro de um reality show. A síndrome vem sendo documentada ao longo dos anos por pesquisadores do mundo todo, embora os especialistas ainda discutam se estão lidando com uma doença nova e distinta (causada pelo alto valor que a cultura popular coloca na fama) ou uma forma de delírio psicológico como as que já existem há muito tempo.

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O assunto começou a chamar a atenção dos médicos desde que a revista British Journal of Psychiatry publicou um artigo descrevendo o caso de um carteiro de 26 anos que tinha um vago sentimento de que todos ao seu redor, colegas, parentes e desconhecidos, estavam representando papéis, como atores, e de que o foco da ação era ele, por um motivo que desconhecia.
Em 2006, o médico Joel Gold, dos Estados Unidos, começou a apresentar suas descobertas a respeito da Síndrome Truman e, em 2008, já havia descoberto mais 50 pacientes com sintomas similares. O filme “The Truman Show”, protagonizado por Jim Carey, mostra como é viver com a síndrome, embora o filme tenha traços de comédia que fogem da realidade.
No filme de 1998, Jim Carey representa Truman Burbank, que desde recém nascido vive em um grande cenário, representando involuntária e inconscientemente o protagonista de um reality show. A luta do protagonista no filme para se libertar do mundo da ficção é emocionante, mas para os pacientes com a Síndrome de Truman não é bem assim.

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Quem sofre com a condição vive com a sensação de que há um diretor fora do campo de visão que está guiando todas as cenas da sua vida. Poucos dos pacientes se orgulham de sua celebridade ilusória e muitos se sentem com a sua privacidade invadida.
Uma publicação do British Journal of Psychiatry relatou o caso de um homem diagnosticado com a disfunção atrelada à esquizofrenia. Já um dos pacientes de Joel Gold pensava em tirar a própria vida caso não conseguisse libertar-se de seu reality show, já que ele acreditava ser monitorado 24 horas por dia.
Um outro paciente acompanhado pelo médico viajou de outra cidade até Nova York para pedir asilo em um prédio federal porque imaginava que assim conseguiria escapar da equipe que documentava sua existência. Ele também contou aos médicos que queria conferir se as torres gêmeas tinham sido mesmo destruídas em 2001 porque, se ainda estivessem lá, saberia que tudo era realmente parte de um texto sobre sua vida.
Não é incomum os psiquiatras observarem um indivíduo que pensa que seus pais foram substituídos por impostores. Mas, diferente de outras doenças psiquiátricas, a Síndrome Truman não inclui apenas indivíduos, mas sim a sociedade em geral, o que faz com que o paciente não tenha refúgio, já que todas as pessoas e locais fazem parte do reality show.
Apesar de ter ficado conhecido como síndrome de Truman, o comportamento não é oficialmente reconhecido e listado como uma síndrome por entidades médicas. O que os especialistas observam é que esse delírio está frequentemente vinculado a outros distúrbios psiquiátricos, como esquizofrenia e bipolaridade. Quem sofre com a disfunção costuma acreditar que as imagens de seu próprio reality show estão sendo exibidas para milhões de pessoas e que ele está sendo monitorado a todo momento.

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Uma das hipóteses de Joel Gold para o aparecimento desse tipo de desordem é a forma como a mente humana reúne os fragmentos da cultura para manifestar seu sofrimento. “Acreditamos que as alucinações têm um importante componente social e que tecnologias como a internet e a televisão influenciam a forma como se manifestam”, afirma.
Pesquisadores investigam a relação da Síndrome Truman com a internet, já que a habilidade das mídias sociais em transformar estranhos em pessoas íntimas pode corroborar uma pressão psicológica em pessoas que já tinham problemas em lidar com os demais. Embora a ideia ainda não seja comprovada, a relação entre a sociedade atual e a saúde mental é um bom ponto de partida, já que essa associação é responsável por diversos outros problemas mentais na atualidade.
Fontes: Hypescience e Mega Curioso






