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Suécia: o país que paga para as pessoas cuidarem de filhos doentes

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A Suécia oferece um programa social nomeado como “Vård av Barn” (abreviado como “VAB”). Em tradução livre, o “cuidado com criança” oferece aos pais o direito de licenças pagas para cuidarem dos filhos doentes.

De acordo com o gerente de marcas Jeremy Cothran, essa é “uma imensa rede de segurança”. Ele e a esposa já tiraram nove dias de VAB para cuidar dos filhos doentes. “Não temos suporte familiar na Suécia e [por isso] temos dificuldade de lidar com abalos no nosso sistema familiar. Sem o VAB, não teríamos como conseguir administrar a carreira, a vida familiar e nossa saúde mental ao mesmo tempo.”

O VAB está sendo cada dia mais usado pelas empresas suecas como ferramenta para atrair e reter talentos internacionais como Cothran, que nasceu nos Estados Unidos. Porém, o VAB apresenta a preocupação de possíveis atrasos para a carreira dos pais se for usado com muita frequência.

O VAB na Suécia

Reprodução

O benefício do VAB foi incorporado à legislação sueca há décadas. Isso porque o Estado paga 80% do salário do pai ou da mãe, limitado a cerca de 1.081 coroas suecas (R$ 660) por dia. Eles podem tirar 120 dias por ano para cada criança até completarem 12 anos de idade. Porém, é preciso de declaração médica depois de oito dias seguidos.

Além disso, os responsáveis podem nomear outros cuidadores para ganharem o VAB pago em seu nome. Mesmo os autônomos possuem o benefício, que é calculado com base na sua renda anual. Esse processo é realizado através do aplicativo da Agência Sueca de Assistência Social.

Devido à popularidade do VAB, os suecos criaram o termo “att vabba”, que significa ficar em casa cuidando de seu filho. Além disso, os empregados não podem recusar aos funcionários seu direito de tirar o VAB.

O VAB foi introduzido oficialmente em 1974, época em que o país se tornou o primeiro do mundo a legalizar a licença para cuidar de bebês recém-nascidos, independente do gênero. Já no ano seguinte, o Estado ofereceu creches acessíveis a todos os pais.

Para Catharina Bäck, pesquisadora da Confederação do Empresariado Sueco, o VAB é um fatores que permitem à Suécia atingir a taxa de emprego feminino mais alta da União Europeia.

“A licença-maternidade e o sistema de assistência – que inclui o VAB – em conjunto com as creches, são pré-requisitos essenciais para que os dois pais combinem a vida profissional com a vida familiar”, disse Bäck.

Além disso, os benefícios também abrangem as pessoas que não possuem filhos, visto que reduz a difusão de doenças entre os funcionários.

O outro lado do VAB

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Apesar de legalmente as empresas suecas não poderem discriminar pais que precisam de VAB em relação a outros, alguns funcionários não possuem certeza se isso é respeitado.

Uma mulher que trabalha como servidora pública, e que preferiu não identificar seu nome, disse em entrevista à BBC que completou quatro semanas de VAB entre novembro e dezembro de 2021.

“Posso dizer que isso chama a atenção de alguns colegas. Uma questão é que ninguém é chamado para cobrir a minha ausência, de forma que o meu trabalho não é distribuído entre os colegas”, disse ela. “Também sinto que pode haver uma certa hesitação para me promover para um cargo de maior liderança devido à quantidade de dias de VAB que uso por ano, mas é claro que isso não me é dito abertamente.”

Em concordância, pesquisas de Boye, publicadas em 2015, mostraram que os pais suecos têm maior crescimento salarial durante a infância dos filhos, quando eles tiram mais VAB. Para os pais, o salário é 2% menor que a média, já para as mães a diminuição é de 0,5%.

Além disso, o VAB representa um custo considerável para o Estado sueco. Apenas em 2020, o país cobrou 8,3 milhões de dias de VAB. De acordo com a Agência Sueca de Assistência Social, isso custou aos cofres públicos 1,7 bilhões de coroas (R$ 99,5 milhões).

Fonte: BBC

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