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Você sabia que seu pet pode ter um funeral no espaço?

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Pode parecer curioso, mas é possível que seu pet tenha um funeral no espaço. O serviço existe desde 2014 e é realizado pela empresa Celestis Pets, responsável por todos os trâmites do “enterro” espacial. Existem quatro planos disponíveis na empresa para o funeral dos bichinhos, mas todos eles envolvem uma boa quantia em dinheiro.

O procedimento consiste no armazenamento de uma amostra de cinzas em cápsulas pequenas, do tamanho de um tubo de batom, e no posterior envio das amostras ao espaço por meio de foguetes. É comum que sejam locados espaços em foguetes que têm outras prioridades. Dessa forma, as cinzas seguem como parte secundária da carga, já que, se um foguete fosse lançado unicamente para o envio das cinzas, as viagens seriam ainda mais caras.

Cerca de uma a sete gramas das cinzas são colocadas nas cápsulas. O restante do material é entregue ao dono do pet e pode ser enterrado na terra, depositada em um cinerário ou lançada ao mar, da forma como for da vontade do tutor do bichinho.

Pixabay

Quanto custa um funeral espacial?

A primeira modalidade (e mais barata) disponível na Celestis Pets é o pacote Earth Rise, que envia um recipiente com o animal cremado acima da atmosfera da Terra, com a cápsula retornando à superfície após o voo e sendo devolvida ao proprietário do animal. Este plano custa a partir de US$ 2.495 (cerca de R$ 13 mil).

Já a modalidade Earth Orbit envia o recipiente com as cinzas do pet para a órbita do planeta. A cápsula permanece orbitando até começar a “cair”. Ao reentrar na atmosfera, ela é completamente queimada como se fosse uma “estrela cadente”.

No entanto, o tempo entre o lançamento e a reentrada depende da órbita do satélite e pode variar muito. A reentrada das cápsulas na atmosfera terrestre pode demorar de meses até cerca de 250 anos. O plano Earth Orbit custa a partir de US$ 4.995 (cerca de R$ 25 mil).

A terceira modalidade é a Luna, que envia seu pet falecido à Lua com alguma próxima missão lunar da NASA. Para isso, os preços começam em US$ 12.500 (mais de R$ 65 mil). Já a última modalidade se chama Voyager e envia as cinzas do bichinho ao espaço profundo, deixando a região entre a Terra e a Lua rumo a uma jornada celestial permanente. Ou seja, as cinzas viajarão “para sempre” ou até que entrem na órbita de outro planeta. Esse plano também tem preços que começam em US$ 12.500.

Os familiares podem acompanhar todo o processo, desde a decolagem dos foguetes até o monitoramento em tempo-real da espaçonave. Segundo o CEO da empresa, Charles Chafer, a procura por funerais espaciais cresce à medida que pessoas deixam de dar ênfase a tradições culturais e religiosas diante da morte de pets e até de entes queridos.

Funeral humano no espaço

Os funerais espaciais não são exclusividade dos bichanos. As cinzas de humanos também podem ser enviadas para fora da órbita da Terra e o processo é basicamente o mesmo daquele realizado com animais domésticos. O primeiro registro que se tem dessa prática aconteceu em 1997, no dia 21 de abril.

Um avião carregou um foguete Pegasus modificado contendo amostras de cinzas de 24 pessoas até uma altitude de 11 km sobre as ilhas Canárias. Em 20 de maio de 2002, as cápsulas entraram novamente na atmosfera terrestre, a nordeste da Austrália. Pessoas famosas “enterradas” neste voo são Gene Roddenberry, um importante roteirista e produtor de televisão, e Timothy Leary que, além de psicólogo e neurocientista, foi escritor e professor de Harvard.

O segundo funeral espacial de que se tem conhecimento foi realizado com as cinzas do astrônomo Eugene Shoemaker, o conhecido co-descobridor do cometa Shoemaker-Levy 9. As cinzas do pesquisador foram enviadas à Lua em janeiro de 1998, a bordo da sonda Lunar Prospector da NASA. O foguete Athena, responsável pelo envio, chegou ao satélite natural na madrugada de 31 de julho.

Em 10 de fevereiro de 1998, 30 cápsulas de cinzas foram enviadas como carga secundária em órbita terrestre. Já em 20 de dezembro de 1999, 36 amostras também foram enviadas e permaneceram em órbita terrestre. Em 21 de setembro de 2001, 43 cápsulas de cinzas foram ao espaço, enquanto em 28 de abril de 2007 mais de 200 amostras viajaram a bordo de um foguete privado.

Esses foram os primeiros voos espaciais datados e que deram início a uma jornada de funerais espaciais, como no ano de 2006, que foi marcado por um funeral espacial muito importante. No mês de janeiro, as cinzas de Clyde Tombaugh, que foi mais conhecido como o descobridor de Plutão, partiu no New Horizons, uma nave espacial da NASA.

Empresas concorrentes

A Celestis Inc., que é a companhia responsável pelo funeral de pets no espaço através da Celestis Pets, também abrange funerais humanos fora da Terra. Assim, o envio de cinzas humanas é realizado desde 1997, enquanto os funerais de pets acontecem desde 2014.

Com os anos, a tecnologia possibilitou o envio de mais cápsulas de uma só vez. Em junho de 2019, um foguete Falcon Heavy decolou da base de lançamento Kennedy Space Center, na Flórida, com 24 satélites e restos mortais de 152 pessoas. As cinzas foram enviadas e espalhadas na órbita terrestre por ordem de familiares que contrataram o serviço da empresa Celestis para prestar homenagens em memória aos falecidos.

Uma empresa canadense, chamada de Columbiad Launch Services Inc., também se dispõe a lançar foguetes próprios para a realização de funerais espaciais com cinzas humanas. Os foguetes da empresa utilizam tecnologia Industrial Sounding System (ISS), que torna mais simples o ato de espalhar as cinzas em órbitas baixas, na faixa entre 100 e 250 km de altitude.

A Aura Flights é outra empresa que oferece opções de homenagens fúnebres espaciais. Mas, diferente das anteriores, os serviços da Aura contam com balões de gás que levam um vaso com os restos mortais até 30 quilômetros acima da superfície da Terra. Ao atingir a altitude planejada, o vaso se abre e espalha as cinzas na mesosfera. O sistema conta com uma câmera, que captura imagens do processo para os familiares.

Após os restos mortais serem liberados, os balões de gás da Aura seguem ganhando altitude. Eventualmente, eles estouram e o equipamentos da companhia para monitorar o funeral retorna a Terra com ajuda de um sistema de paraquedas. As equipes da empresa então recuperam os equipamentos e fazem simulações computadorizadas com dados meteorológicos para estabelecer uma estimativa do trajeto realizado pelos balões.

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