
Nos Estados Unidos da década de 1950, existiu um homem muito perturbado e bastante entediado chamado Frederick Wertham. Na época, ele alegou que histórias em quadrinhos estavam corrompendo a juventude daquela nação. Ele alegou que as obras estavam criando psicopatas; que Superman inspirava o fascismo. Uma das maiores implicâncias de Wertham era com Batman e Robin, ele bateu o pé e gritou para quem quisesse ouvir que os dois heróis mantinham uma relação homoafetiva, algo que para a década de 1950 era inadmissível. Na verdade, ele chegou até a escrever um livro sobre como os quadrinhos deixava as crianças depravadas, intitulado Seduction of the Innocent. Sabe-se os deuses o porquê, o Congresso do país concordou. Por isso, eles criaram a Comics Code Authority (algo como Código de Autoridade dos Quadrinhos) que basicamente era um tipo de censura.
Com o tempo as pessoas adquiriram mais bom senso, mas não o suficiente porque, apesar de hoje o Comics Code Authority não existir mais, a censura ainda faz vítimas, aqui e ali. Por exemplo, além de algumas histórias serem proibidas de alcançar as páginas, outras que conseguem, correm o risco de serem barradas em certos lugares. Separamos alguns casos onde histórias em quadrinhos foram banidas de lugares, algumas, até inusitados.
Desde sua publicação no final da década de oitenta, Piada Mortal tem sido alvo de intensos debates, uma dessas questões é o sobre o abuso sexual de Coringa em Barbara Gordon. Esse é um assunto tão controverso que, em 2013, o patrono da Biblioteca de Columbus, em Nebraska, exigiu que o livro fosse retirado das prateleiras do lugar alegando que a história defendia o estupro. A história deixa implícito que crime aconteceu. Depois de muitos debates e votação, o quadrinho foi autorizado a permanecer nas prateleiras da biblioteca.
O spinoff de Demolidor assassinado por ninguém menos que Frank Miller, foi o centro de caso de obcenidade que durou três anos, de 1986 a 1989, ao lado de histórias como Elfquest, Love and Rocktes e Heavy Metal. Acontece que, Michael Correa, gerente de uma comics shop em Lansing, Illinois, foi preso por causa do material de divulgação dos quadrinhos. O policial que fez o apreendeu, Sargente Jack Hoestra, alegou que tais anúncios continham influências satânicas. Hoje o caso pode parecer ridículo, no entanto, realmente houve um período na década de oitante no qual as pessoas se preocupavam em excesso com as intenções do Demônio sobre nossa sociedade. O caso comoveu cartunistas por toda a indústria e eles fundaram um movimento em prol a liberação de Correa. Embora o dono da loja tenha sido condenado culpado no julgamento, o juiz da sentença decidiu que, apesar dos quadrinhos serem “bizarros”, eles não continham conteúdo obsceno.
A graphic novel sobre Marjane Satrapi e sua história de como foi crescer na Revolução Iraniana sempre deu o que falar. Apesar dos quadrinhos terem um grande valor educacional – inclusive é um material usado em certas escolas no ensino fundamental e médio. Contudo, em 2013 o governo de Chicago retirou de suas escolas públicas todos os exemplares do livro e o proibiu seu uso na sétima série e o restringiu da oitava ao primeiro ano. Em 2014, Persepolis foi alvo de muito preconceito na cidade de Smithville, Texas, onde muitos pais acreditavam que a obra era “Literatura Iraniana”. O mais engraçado é que a história se opões ao movimento fundamentalista islâmico e tenta mostrar os muçulmanos como seres humanos, apenas.
A obra-prima de Neil Gaiman enfrentou problemas com bibliotecas desde o início de seu lançamento, em 1989. Então, em 2010 a American Library Association (ALA), a listou como a “mais frequentemente banida e desafiadora graphic novel de todos os tempos”. As razões oferecidas para tão posição foram que a história continha linguagem ofensiva, era contra a ideia de família e, a mais persistente: inadequada para o grupo etário.
Um homem e seu macaco de estimação são os únicos seres vivos machos do planeta Terra, o qual, agora, encontra-se dominado por mulheres. A princípio, a causa para a morte dos outros machos é desconhecida, mas os leitores têm respostas conforme a história avança. No entanto, na Universidade de Crafton Hills, em Yucaipa, Califórnia, um estudante protestou ao ter de ler a obra de Brian K. Vaughn. Detalhe: o curso era justamente sobre graphic novels. Para variar, ele alegou que o conteúdo era “lixo” e que continha demasiada “pornografia” e o queria fora de alcance. A Universidade acionou o departamento do curso, porém, felizmente, o quadrinho permaneceu onde estava.
Triste constatar que muitos casos apresentados são recentes. Muitos temas que precisam e devem ser discutidos ainda são tratados como tabus e/ou polêmicos. Felizmente, esse é um dos papeis da arte na sociedade, tentar fazer o povo compreender melhor o que não conhece. Gostou da lista? Conhece mais algum caso interessante? Então compartilha com a gente.






