
Há um tempo atrás, fizemos uma matéria sobre algumas histórias envolvendo a Inquisição no Brasil, mas hoje resolvemos falar sobre a Inquisição Espanhola, da qual pouca gente ouviu falar. Os reis Fernando e Isabel, que visavam a unificação dos seus domínios, sabiam que existia uma instituição eclesiástica (a inquisição) para reprimir o perigo religioso e civil dos séculos XI/XII. Esses “perigos” eram as atividades dos marranos (judeus) e mouriscos (árabes) na Espanha no século XV.
Não é de hoje que lemos coisas horríveis feitas pela Inquisição ao redor do mundo. As menções à Inquisição Espanhola nos trazem imagens obscuras de tortura, execuções e exigências de confissões. Isso nos inspirou a fazer essa matéria para vocês com as 7 coisas mais perturbadoras que aconteceram durante a Inquisição Espanhola:
Os inquisidores se mudavam de cidade em cidade e levavam um livreto de instruções. Uma das primeiras coisas desse livreto era anunciar publicamente que a Inquisição estava lá e designar um domingo para ser o dia em que todos os fiéis se reuniriam na igreja local. Nesse dia, era dado um sermão, onde os cidadãos eram instruídos a apresentarem sua heresia se quisessem clemência.
As pessoas podiam falar com os inquisidores e confessar, sob garantia que não seriam mortos, presos ou teriam propriedades confiscadas. Quando as pessoas não pediam perdão, os problemas começavam.
Em 1227, o papa Gregório IX nomeou uma junta formal de inquisidores para erradicar a heresia em Florença e, em quatro anos, redigiu um conjunto formal de regras baseadas na antiga lei romana. O inquisidor-chefe na França ficou tão entusiasmado que queimou 180 pessoas na fogueira em um único dia. Os dominicanos foram encarregados dessa inquisição medieval e eles caçaram uma lista bastante longa de pessoas que incluíam os Cathari e Waldenses (ambos os ramos heréticos do catolicismo), adivinhos, bruxas e blasfemos.
Havia uma razão estranha por trás da legitimação de Gregory da Inquisição. Ele estava cansado de pessoas comuns castigando esses grupos sem julgamento, então ele formalizou os atos.
A Inquisição criou a ideia maluca de que os judeus sequestraram e assassinaram filhos de cristãos para usarem partes dos seus corpos ou sangue em rituais secretos. Segundo a Biblioteca Virtual Judaica, seus conversos (judeus que haviam se convertido ao cristianismo) e dois judeus foram levados a julgamento na Espanha em 17 de dezembro de 1490. Depois de serem torturados, eles confessaram a profanação de uma hóstia e a crucificação de uma criança cristã. O julgamento durou quase um ano e, no final, os oito foram executados.
O veredicto foi enviado a todos os cantos da Espanha e um culto cresceu em torno de sua suposta vítima: o Santo Menino de La Guardia. Ele nunca recebeu um nome porque nenhuma vítima foi realmente identificada e nenhum corpo foi encontrado. Até hoje, existe um santuário feito para a misteriosa criança, em La Guardia.
A Inquisição Espanhola tinha regras em relação a tortura. A maior delas era que não poderia derramar sangue, o que fazia as pessoas serem bem criativas na hora de torturar. As pessoas eram presas em uma polia e torturadas de muitas maneiras, inclusive queimadas com ferramentas quentes.
Mas queimar não derrama sangue? Tecnicamente sim, mas o papa Alexandre IV havia escrito uma brecha nas regras. A brecha dizia que os inquisidores podiam atuar como testemunhas uns dos outros e assim limpar seus colegas de transgressões durante as sessões de tortura. Bem conveniente!
Nesse tempo, as mulheres eram acusadas como praticantes de muitos rituais religiosos em casa, o que tornava as crianças presente no lugar muito perigosas. Tome Ines Esteban, tinha apenas 12 anos de idade quando atraiu a atenção da Inquisição. Ela começou a compartilhar histórias das conversas com sua mãe, que lhe falava do céu.
Ela até disse que tinha ido ao céu para visitas, onde viu anjos e recebeu pequenas provas de que estivera no reino divino. As pessoas se reuniram para escutar as mensagens que ela havia trago e seguiram seus ensinamentos. Ela foi presa em abril de 1500. Os registros oficiais sobre o que aconteceu com Ines não existem, mas os escritos de seus seguidores mostram que ela foi queimada viva na fogueira em agosto daquele mesmo ano.
Vocês já ouviram falar no water boarding? Também chamado de “afogamento simulado”, essa é uma forma de tortura na qual a pessoa é deitada de costas e imobilizada, com a cabeça inclinada para trás, e água é lançada sobre a face e para dentro das vias respiratórias. Bom, até o presidente dos EUA, Donald Trump, disse, em 2017, que ele acredita que essa forma de tortura funcione. Como a maioria das pessoas, Trump também não deve saber que essa técnica foi desenvolvida pela Inquisição Espanhola. Esse era um dos métodos para não derramarem sangue.
O primeiro uso documentado de water boarding vem dos registros da Inquisição Espanhola, mas havia uma pequena diferença. Um método envolvia forçar um funil na boca da vítima e despejar nela uma quantidade impensável de água. Outra envolvia derramar pequenas quantidades de água sobre a cabeça de alguém para criar aquela sensação de quase afogamento, e isso era feito repetidas vezes. Não era apenas uma prática na Europa, pois ela foi feita por todos os ramos da Inquisição Espanhola.
Depois de condenar as pessoas, a Inquisição realizava o “ato da fé”, que era o passo final do processo e era essencialmente cumprir a penitência em público. Geralmente, havia um sermão que durava horas na praça da cidade. Nesse sermão, eles oravam e liam as sentenças, mas execuções e castigos não estavam no cronograma.
Como os Inquisidores não eram autorizados a derramar sangue, eles não podiam executar as pessoas. A igreja também não queria ser associada a matar incrédulos, de modo que isso fosse deixado para as autoridades seculares. Eles matavam ou queimavam os culpados depois que estes eram desprezados e humilhados publicamente.
A transferência do prisioneiro da custódia da Inquisição para o secular era chamada de “relaxamento do culpado”, que então seria retirado da linha de visão da Igreja e morto.
E você, conhecia todos esses casos envolvendo a Inquisição Espanhola? Comente!






