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A ciência explica o motivo de nunca esquecermos algumas músicas

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Música é uma das formas de arte mais difundidas do mundo. Além do entretenimento em si, ouvir música pode também trazer alguns benefícios para seu bem-estar. Ela não só ajuda a relaxar, mas também pode servir de estimulante para as atividades físicas.

O mundo criou a música para ter memória. No começo das civilizações, os principais ensinamentos de diferentes culturas eram passados, de geração em geração, através da tradição oral. E por ser oral, a tradição dependia da memória das pessoas para continuar viva.

“Antes que as narrativas pudessem ser escritas, elas eram recitadas ou cantadas”, disse David C. Rubin, professor de Psicologia da Universidade Duke, no livro “Memory in Oral Tradition”, “Memória em tradição oral” em português.

Tanto que textos clássicos, como “A Ilíada” e “Odisseia”, foram transmitidos primeiramente na forma de versos. Então, vemos que a música ocupa esse mesmo lugar. São as canções que levam as pessoas até um lugar ou momento.

Ainda não se sabe muito bem o motivo, mas a música é umas das poucas ferramentas que os terapeutas têm para conseguir lidar com o avanço do mal de Alzheimer. Mas como a música têm esse efeito? E qual motivo de nunca esquecermos as nossas músicas preferidas?

“A música tem a capacidade dupla de criar e recuperar memórias dentro do cérebro humano. Quando as pessoas sofrem de demência senil ou Alzheimer, em muitos casos, a música é a única chave que lhes resta para desbloquear essas memórias”, explicou a psicóloga Lucía Amoruso, pesquisadora da Universidade de Buenos Aires, na Argentina.

Música

Existem várias teorias a respeito de quando a música apareceu na vida do ser humano. No entanto, nenhuma delas é definitiva. De todas essas teorias, existe uma que sugere que foi a maneira como as mães encontraram para acalmar seus filhos.

E é essa musicalidade com que as mães falam com seus filhos, principalmente quando eles são bebês, quando se abrem os primeiros canais de memória das pessoas.

“Várias análises indicaram que o cérebro dos bebês tem a capacidade de responder à melodia muito antes que a comunicação possa ser estabelecida por meio de palavras. A música, de alguma forma, nos ajuda a criar nosso primeiro vínculo social, que é com nossos pais. E isso será replicado em nossos outros laços sociais no futuro e, claro, com a música”, disse Amoruso.

Por essa razão, quando crescemos com essa programação, toda vez que escutamos uma melodia um processo impressionante acontece no cérebro. Ao invés de ativar uma área ou região, várias áreas são ativadas.

“A primeira coisa que ocorre no cérebro quando ouvimos música é que nosso centro de prazer é ativado e libera dopamina, que é basicamente um neurotransmissor que nos deixa felizes”, explica Robert Zatorre, que é músico, psicólogo e fundador do Centro de Pesquisa do Cérebro, Música e Som, no Canadá.

Memória

Geralmente, as músicas que as pessoas memorizam ficam em seu lobo frontal, que é onde está localizada a “discoteca” mental de cada um. “No entanto, embora pareça que a música simplesmente nos dá prazer e o guardamos na memória, a verdade é que muito mais coisas acontecem em nossas cabeças”, ressalta Zatorre.

A música pode fazer parte de um momento específico e marcante da vida de cada pessoa. Como por exemplo, uma viagem inesquecível, o momento em que se apaixona por alguém, uma conquista imporante, entre outros.

Entretanto, para Zatorre, além dessa associação com a música também tem o fenômeno da repetição. “O que acontece quando gostamos muito de uma música? Nós a repetimos. E não apenas por um breve período. Por exemplo, uma música que nos marcou quando tínhamos 15 anos, podemos ouvi-la, muitas vezes, pelo resto de nossas vidas. Ela acaba gravada na nossa memória de forma excepcional”, explicou.

Comportamento

A música não apenas cria memórias e relembra emoções. Ela também condiciona o comportamento das pessoas e suas memórias. Em um dos principais estudos feitos por Amoruso, ela examinou como, através da música, as pessoas poderiam antecipar o comportamento dos outros.

Nesse estudo, ela destaca que as pessoas estudadas, e que ouviam tango há anos, poderiam antecipar, em apenas milissegundos, os erros que, quem nunca tinha ouvido a famosa melodia, iria cometer ao dançar pela primeira vez.

“O que os resultados deste estudo mostram é que as reações no cérebro, que permitiram antecipar esse erro, foram inteiramente devido à experiência de quem ouvia e dançava tango há muitos anos”, explicou.

Tanto para Zatorre, como para Amoruso, a música tem sido um elemento muito importante e fundamental para lidar com o confinamento.

“Muitos dos pacientes que tratei me confessaram que nem sexo, nem comida, nem bebida alcoólica ajudaram muito a lidar com o confinamento e as circunstâncias que nos levaram a viver a pandemia. A maioria indica que a música tem sido sua maior aliada. Que essa tem sido uma forma de aguentar o que está acontecendo. E tenho certeza que muitas memórias foram criadas a partir dessa combinação”, finalizou Zatorre.

E que seja com músicas que nos lembremos de 2020.

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