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A história de quando um tubarão vomitou um braço e iniciou uma investigação de assassinato

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Um tubarão tende a ser responsável por cenas incríveis e até extremamente assustadoras, mas dificilmente é responsável por começar uma investigação de assassinato. Porém, é isso que aconteceu com um tubarão-tigre de quase 4,5 metros do Coogee Aquarium, em Sydney, na Austrália.

Ele estava se comportando de maneira estranha. Isso porque perdeu a energia e até o apetite que mostrou ter quando chegou no local, uma semana antes do caso, no dia 17 de abril de 1935. Assim, o tubarão estava se movendo lentamente na piscina de 7,6 por 4,5m. Ele até batia contra a parede e afundava até o fundo da piscina, onde o tubarão nadava como se estivesse suportando um peso.

Não demorou muito para que os cuidadores descobrissem o problema. De repente, o tubarão vomitou tudo que estava em seu estômago. Logo, quando a espuma saiu, os visitantes do estabelecimento ficaram em choque, entretidos e aterrorizados quando viram um braço humano flutuando na superfície da piscina.

Porém, a Austrália estava acostumada com mortes por ataque de tubarão, até porque, em 1935, vários ataques aconteceram na costa sudoeste. Por isso, os animais eram considerados assassinos implacáveis. Portanto, quando o tubarão vomitou o braço, ninguém levantou uma hipótese diferente do esperado: que o animal matou alguém, ou pelo menos arrancou seu braço.

Acontece que o caso se tornou mais confuso quando descobriram mais detalhes. Isso porque o legista determinou que o braço não havia sido arrancado e sim cortado com uma faca. Isso significa que o tubarão que vomitou o braço era inocente no que parecia ser um caso de assassinato. Mas a única testemunha não falava qualquer idioma humano para explicar aos policiais o que ocorreu.

Então, a polícia tinha um tubarão, um braço com uma tatuagem e as impressões digitais para solucionar um caso de assassinato.

Um mistério na Austrália

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Os moradores de Sydney estavam aterrorizados com a ideia de encontrar um tubarão na praia depois da série de ataques de 1935. No entanto, eles estavam loucos para ver o predador em um ambiente controlado, como um aquário.

Dessa forma, Bert Hobson, dono do Coogee Aquarium previu isso e, enquanto pescava com seu filho, Ron, na praia de Coogee em abril daquele ano, encontrou um tubarão. Acontece que esse tubarão era pequeno, mas ele estava atraindo um tubarão-tigre de 4,2 m e uma tonelada. Com isso, o homem decidiu incluir o gigante como atração no aquário.

Portanto, turistas e moradores foram até o Coogee Aquarium ver o animal assustador de perto. Isso porque estavam todos fascinados com o predador e vê-lo preso era uma reafirmação do domínio humano sobre o reino animal. Pelo menos até o momento em que ele vomitou um braço.

Narcisse Leo Young, editor de The Sydney Herald, estava presente nesse dia. “Eu estava a três ou quatro metros do tubarão e vi claramente grandes quantidade de espuma marrom fedorenta sair de sua boca”. Além do braço, o animal expeliu um pássaro, um rato e fluidos.

De acordo com os relatos do perito, não existia provas de que o tubarão fosse o responsável pela morte. Logo, agora a polícia local estava à procura de um assassino humano.

Pistas

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Edwin Smith estava lendo a respeito do que aconteceu no Coogee Aquarium quando ele encontrou um detalhe que fez seu coração parar por um segundo: a descrição de uma tatuagem no braço que o tubarão vomitou. Eram dois boxeadores preparando para uma luta.

Smith lembrou de seu irmão imediatamente, visto que ele apresentava a mesma tatuagem. Além disso, James estava desparecido há várias semanas. No entanto, por mais que seja chocante, a notícia da morte de Jim Smith não era inacreditável.

Isso porque ele era gerente de um bar de sinuca e possuía um histórico de informante tanto para os criminosos locais quanto para a polícia. Depois de uma carreira de boxe que não deu certo, ele trabalhou em vários setores ao redor de Sydney. Um desses trabalhos era gerenciando o bar de um empresário no ramo de construção de barcos, o líder criminoso chamado Reginald Holmes.

Assim sendo, Holmes usava sua empresa de barcos para encobrir seus diversos empreendimentos ilegais, como tráfico. Um dos casos mais famosos de atividade ilegal era a destruição de um barco para recolher o seguro. Portanto, depois de recrutar Smith para afundar o Pathfinder, Holmes contatou a seguradora para recolher o dinheiro. Depois, ele descobriu que Smith relatou aos policiais que todo o caso era “suspeito”, o que diminuiu o valor recolhido.

Claramente, isso causou um problema entre os homens, o que aumentou quando o Smith começou a chantagear Holmes, supostamente. Então, viram Smith pela última vez no Cecil Hotel no dia 7 de abril com Patrick Brady. Agora, a polícia já sabia quem era a vítima e quem era o principal suspeito.

Descobrindo a verdade

Por mais que conseguiram formar uma história, a polícia anda não possuía provas concretas dos acontecimentos. Ao invés de prender Holmes, as autoridades prenderam Brady por motivos de fraude e fizeram um interrogatório de seis horas. Ao final, o homem confessou o que já sabiam: Reginald Holmes estava por trás de tudo.

Quando a polícia foi atrás do empresário, ele estava tentando fugir num barco. Encurralado e bêbado, ele levantou na frente de sua plateia e disse as frases confusas: “Jimmy Smith está morto e tem mais um sobrando. Se você me deixar até hoje a noite, vou acabar com ele”. Depois, ele atirou em sua própria cabeça e caiu na água. Por um momento, parecia que o caso havia se fechado, mas Holmes sobreviveu.

O machucado em sua testa não era fatal e ele conseguiu nadar até o barco. Em seguida, depois de uma perseguição dramática, a polícia o pegou e o interrogou. Porém, o empresário identificou Brady como o assassino, que levou o corpo cortado para Holmes e manteve o braço para chantageá-lo.

Na manhã que Holmes deveria responder mais perguntas, a polícia o encontrou em seu carro com três buracos em seu peito por arma de fogo. Ele havia redobrado o seguro de vida e provavelmente contratou um assassino de aluguel, concluiu a polícia.

Já Brady manteve sua inocência até os 76 anos, quando morreu, em 1965, por conta da falta de evidências de que ele era o verdadeiro culpado pela morte de Smith, que junto com Holmes, não eram os únicos mortos nessa história, visto que o tubarão também foi morto pouco tempo depois para realizar a autópsia. No entanto, foi em vão, já que não encontraram mais respostas.

Até hoje, não se sabe exatamente o que aconteceu na noite em que Jim Smith desapareceu.

Fonte: Mental Floss

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