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A lepra foi encontrada em chimpanzés selvagens pela primeira vez na história

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Cientistas documentaram, pela primeira vez, chimpanzés com lepra. Os animais portadores da doença vivem nas profundezas das florestas da África Ocidental. Segundo os pesquisadores, que realizaram a descoberta, os chimpanzés não contraíram a doença de humanos. O motivo permanece desconhecido.

A enfermidade atingiu pelo menos duas populações de chimpanzés. Os macacos habitam o Parque Nacional Cantanhez, em Guiné-Bissau, e no Parque Nacional Taï, na Costa do Marfim. Para registrá-los, os cientistas instalaram câmeras fotográficas em locais estratégicos de ambos os parques. De acordo com as imagens capturadas, ao menos quatro chimpanzés possuíam lesões no rosto, orelhas, mãos e pés.

Para confirmar o diagnóstico, os pesquisadores coletaram amostras de fezes. As análises confirmaram a presença da bactéria Mycobacterium leprae.

Lepra

A doença, antes, era encontrada apenas em humanos, mas, recentemente, os cientistas encontraram, além dos chimpanzés, outras espécies selvagens vulneráveis a enfermidade, como, por exemplo, esquilos e tatus. Também conhecida como hanseníase, a doença, anteriormente, já havia sido relatada em primatas que eram utilizados ​​para pesquisas médicas nos Estados Unidos e no Japão. No entanto, esses animais nunca apresentaram sintomas.

A atual descoberta prova que a população de primatas selvagens estão, hoje, vulneráveis a uma doença que, até entao, era mais comum no ser humano. “Considerando o baixo índice de casos, não podemos afirmar que a lepra é uma ameaça. No entanto, temos que monitorar a situação”, relatou Fabian Leendertz, autor sênior do estudo que pesquisa patógenos zoonóticos no Instituto Robert Koch em Berlim.

“Os dados, até o momento, sugerem uma propagação muito lenta, afinal, apenas dois indivíduos de uma comunidade de chimpanzés possuem a doenças. Além disso, não podemos dizer a causa. O motivo da infecção é desconhecido, mas gostaria de lembrar a você que os chimpanzés têm muitos outros problemas, como a perda de habitat e a caça ilegal”.

As análises obtidas das amostras de cocô trouxeram à tona outros dados relevantes, como, por exemplo, o fato de ambos locais possuírem cepas diferentes, o que mostra que os surtos da doença surgiram separadamente. Os cientistas descobriram também que os genótipos da cepa bacteriana responsável por ambos os surtos são extremamente raros em humanos.

Notavelmente, nenhum pesquisador envolvido na pesquisa foi diagnosticado com a doença. Para evitar qualquer tipo de contaminação, os pesquisadores seguem medidas de higiene rígidas, como manter no mínimo 7 metros de distância das espécies que estão sendo estudadas e usar máscaras faciais.

Os pesquisadores acreditam que os chimpanzés foram contaminados por outros animais. “Não temos ideia o que pode ter ocasionado a doença. Novos estudos devem ser realizados para respondermos esse e outros questionamentos. Estamos investigando isso agora, mas acreditamos que os animais podem ter contraído a doença de outros animais”, explicou Leendertz.

Com a realização de novas pesquisas, os pesquisadores esperam descobrir insights importantes sobre a doença. Aqui no Brasil, segundo um estudo realizado em 2018 pelo PLos Neglected Tropical Diseases, 62% dos tatus que vivem na Amazônia brasileira (especificamente no oeste do Pará) testaram positivos para a Mycobacterium leprae.

“Os tatus ocorrem em números muito elevados em muitas áreas rurais do Brasil e a detecção de casos em humanos tem sido considerada hiperendêmica na região amazônica por muito tempo”, escreveram os autores.

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