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Por que Alan Moore detesta histórias de super-heróis?

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Por que Alan Moore detesta histórias de super-heróis?
032985 Alan Moore, author of the "From Hell" comic book series at home in Northamptonshire, UK, Monday July 23 2001. The story, which recounts the Jack the Ripper murders, has been made into a Hollywood blockbuster starring Johnny Depp. The "From Hell" movie hits US cinema screens in October 2001. Photo by Graham Barclay /for the Times UPFRONT SUNDAY FEATURE

Se você gosta de quadrinhos, provavelmente já ouviu falar de Alan Moore, um dos maiores escritores de quadrinhos de todos os tempos. Dessa forma, ele é a mente por trás de histórias como “Batman: A Piada Mortal”, “Superman: O Que Aconteceu com o Homem de Aço”, “Monstro do Pântano”, “Miracleman”, e claro, “Watchmen”. No entanto, ainda que tenha tantos trabalhos icônicos envolvendo heróis, uma coisa é certa, Alan Moore detesta histórias de super-heróis.

Em “Watchmen”, uma de suas obras mais conhecidas, Alan Moore trabalha justamente com a desconstrução do mito do super-herói como o conhecemos. Dito isso, muito do motivo pelo qual o autor detesta histórias de super-heróis vai para além dos personagens e também inclui toda a indústria de quadrinhos, televisão e cinema.

Alan Moore não se interessa por nenhuma produção baseada em heróis dos últimos anos

Em uma entrevista recente feita pelo site Deadline, Alan Moore explicou que detesta histórias de super-heróis e não se interessa por nada do gênero produzido nos últimos anos. “Oh, Deus, não, não assisto a nenhum deles. Todos esses personagens foram roubados de seus criadores originais. Eles têm uma longa linha de fantasmas por trás deles. No caso dos filmes da Marvel, Jack Kirby”, afirma Alan Moore.

Como cita o escritor, por muito tempo, autores como Jack Kirby nunca receberam o devido crédito por suas criações. E, ainda que isso tenha sido reconhecido em partes nos últimos anos, essas criações continuam sem pertencer aos autores. Ao invés disso, elas pertencem as grandes editoras, como é o caso da Marvel e da DC Comics. Em seguida, Moore continua. “Não tenho interesse em super-heróis, eles foram uma coisa que foi inventada no final dos anos 1930 para crianças; e são perfeitos como entretenimento infantil. Mas se você tentar fazê-los para o mundo adulto, acho que se tornam meio grotescos”, afirma.

Depois de escrever “Batman: A Piada Mortal”, o roteirista britânico contou que sentiu a necessidade de se afastar um pouco desse tipo de história. Para ele, a violência não é vista de maneira crítica, mas sim, exaltada nas adaptações de quadrinhos. Como um exemplo disso, Moore cita o filme Coringa, de 2019. “Disseram-me que o filme do Coringa não existiria sem a minha história, mas, três meses depois de tê-la escrito, passei a rejeitá-la porque era muito violenta”, afirma Moore.

O último filme de super-heróis que ele assistiu é de 1989

Depois de tocar no assunto, Moore lembrou de seu Batman favorito. Para ele, o quadrinho “Piada Mortal” era sobre o Batman. Pelo amor de Deus, é um cara vestido de morcego. Cada vez mais acho que a melhor versão do Batman é a do Adam West, que não o levou a sério”, afirma. Para quem não se lembra, Adam West interpretou o personagem na série “Batman”, que foi ao ar nos 1960.

Para além da adaptação, Moore também não chegou a assistir muitas versões do personagem. Isso porque, o último ator que ele viu interpretar o Batman foi Michael Keaton, em 1989. “Não vejo um filme de super-heróis desde o primeiro filme do Batman de Tim Burton. Eles arruinaram o cinema e, também, até certo ponto, a cultura. Vários anos atrás, disse que centenas de milhares de adultos fazendo fila para ver personagens que foram criados há 50 anos para entreter meninos de 12 anos era um sinal realmente preocupante. Isso parece indicar algum tipo de desejo de escapar das complexidades do mundo moderno e voltar a uma infância nostálgica. Isso soa perigoso, por infantilizar a população”, afirma Moore.

Hoje, Moore simplesmente não está mais interessados em quadrinhos. “Não quero mais ser associado com isso. Comecei nisso há mais de 40 anos e finalmente aposentei-me. Quando entrei para essa indústria, o grande atrativo era que se tratava de um meio que era vulgar, que tinha sido criado para divertir a classe trabalhadora, principalmente crianças. A maneira como a indústria mudou, com o aumento dos preços, transformou-a inteiramente para um público de classe média. Não tenho nada contra as pessoas da classe média, mas não era para ser um hobby para pessoas de meia-idade, e sim, para quem não tem muito dinheiro”, afirma.

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